A prescrição do treinamento identificado na literatura normalmente é voltado para desenvolver a resistência muscular quando a população alvo é a de idosos. Acredita-se (ou acreditava-se) que por ser um treino de menor quilagem seria o mais adequado para idosos usando repetições maiores (normalmente acima de 15) com intervalos de descanso altos (em torno de dois minutos).

                Pois bem, se pensarmos na questão funcional do idoso verificamos que o treino de resistência não é um treino adequado, pois vejamos:

                – devido ao baixo nível de força o idoso realiza quase que esforço de 1RM para levantar de uma poltrona ou sentar no banco de trás de um automóvel entrando pela porta da frente do carro;

                – ao subir um lance de escadas muitos idosos, por já apresentarem elevada massa corporal em função da também elevada massa gorda, realizam um esforço de altíssima sobrecarga, já que o peso corporal é elevado e o nível de força é baixo;

                – devido a questões de sarcopenia (deterioração progressiva da massa muscular) o nível de força do indivíduo idoso é muito baixo e assim, por vezes, carregar as compras do mercado para o carro, ou carregar os netos (bebês)  torna-se um esforço de intensidade elevada.

                Vemos que por questões funcionais o treino mais adequado seria o treinamento de fora e não de resistência pois resistência muscular é menos solicitada no dia a dia que a qualidade de força muscular.

                Entendia-se também que o treinamento de força iria gerar uma sobrecarga cardíaca muito elevada colocando o indivíduo idoso em riscos cardiovasculares. Vários estudos recentes vem demonstrando que o efeito cardiovascular sobre frequência cardíaca, pressão arterial e duplo produto é menor no treinamento de força do que no treinamento de resistência (basta para isso pesquisar os trabalhos de autores como Moura, Farinatti, entre outros).

                Assim, comece a refletir e estudar com maior profundidade o treinamento para idosos, você verificará que estes precisam de treinamentos de força muscular muito mais que de resistência.

                Estude, e faça a diferença!

Texto produzido pelo prof. Dr. João Moura.