O desvio postural de escoliose produz uma ou mais curvatura patológicas na coluna vertebral no plano frontal, gerando consequentemente um desalinhando da mesma.

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A escoliose é uma ou mais curvaturas patológicas que ocorrem no plano frontal na coluna vertebral. Diante desse desalinhamento da coluna vertebral, surgirá um lado côncavo e um lado convexo, ou seja, aonde o lado côncavo tende a encontrar-se encurtado e o lado convexo hipotônico ou alongado. Esse desvio postural acomete várias pessoas e, podem ocorrer de diferentes causas como: má postura no trabalho, excessivo trabalho unilateral como em esporte de ação motora unilateral, ou devido a carga de treinamento inadequadas no treinamento resistido com pesos ou musculação.

Diante disso, para avaliar a escoliose pode-se utilizar a biofotogrametria que é um método indireto e confiável para avaliar esse desvio postural. A biofotogrametria permitirá o avaliador ou personal trainer identificar em graus qual a intensidade e magnitude do desvio postural de escoliose. Com essa informação proporcionará ao mesmo (personal trainer) realizar uma prescrição precisa de exercícios corretivos, se possível, para a redução do desvio postural de escoliose.

Hoje na série Desvio Posturais, daremos início as análises de alterações posturais na região da coluna vertebral. No programa de apresentaremos o desvio postural de escoliose.

Qual o objetivo principal da série Desvios Posturais?

O objetivo principal da série Desvios Posturais é apresentar para vocês seguidores do Treino em Foco o método de biofotogrametria e como pode-se utilizá-lo para avaliação postural, ou seja, como o método biofotogramétrico consegue quantificar os desvios posturais através de graus.

Lembrando que nos programas anteriores apresentamos a forma de realizar a avaliação de desvios posturais do seguimento joelho como: joelho varo, valgo, recurvato e flexo. Também foi apresentado como realizar a avaliações através da biofotogramétrica para analisar o equilíbrio pélvico e com isso verificar se o indivíduo apresenta o desvio postural de anteversão ou retroversão pélvica. Como já dito anteriormente no texto começaremos a analisar do ponto de vista biofotogramétrico os desvios posturais que ocorrem na coluna vertebral e iniciaremos analisando a escoliose.

O que é escoliose?

Escoliose é uma alteração ou a perda da verticalização da coluna vertebral. Ou seja, um indivíduo portador do desvio postural de escoliose não apresentará mais um alinhamento vertical da coluna vertebral. A Escoliose pode desenvolver-se em uma região específica da coluna vertebral, por exemplo somente na região cervical, torácica ou lombar.

Entretanto, o desvio postural de escoliose pode acometer mais de uma região da coluna vertebral, ou seja, podendo ocorrer escolioses tanto na região cervical e torácica, o que denomina-se de escoliose toracolombar. Ou ainda, poderá ocorrer o surgimento de escoliose na região torácica e lombar, denominando-se assim de escoliose toracolombar.

Dessa forma, podemos entender que a escoliose é uma ou mais curvaturas patológicas da coluna vertebral que ocorrem no plano frontal, gerando desalinhamentos da mesma (coluna vertebral) e alterando projeções verticais e carga gravitacional. Esse desvio postural gera um lado côncavo e um lado convexo, ou seja, um lado encurtado e outro hipotônico ou alongado, respectivamente.

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Qual o método considerado o padrão-ouro (Gold standard) para avaliar o desvio postural de escoliose?

O método que é considerado hoje em dia o padrão-ouro para avaliação de escoliose é a radiografia. Dessa forma, sobre a radiografia são traçadas retas e cálculos chamados ângulos de Cobb. Ou seja, são traçadas linhas paralelas aos platôs dos corpos vertebrais, em seguida as linhas paralelas traçadas formarão conexões com linhas perpendiculares que também serão traçadas. Com isso as linha perpendiculares se interseccionam em determinados pontos com as linhas paralelas e formam determinados ângulos.

Dessa forma, esse ângulo gerado entre as interseções das linhas são os que efetivamente determinarão o grau de escoliose que o indivíduo apresenta.

Na sequência será descrito como realizar os procedimentos de identificação e demarcações dos pontos para avaliação através da biofotogrametria do desvio postural de escoliose.

Quais os pontos anatômicos (referências ósseas ou processos ósseos) deve-se identificar e demarcar para avaliar escoliose através da biofotogrametria?

Inicialmente o avaliador deverá identificar através de anatomia palpatório o processo ósseo (ponto anatômico) que representa a sétima vértebra cervical. Para realizar essa identificação (sétima vértebra cervical) o avaliador deverá solicitar ao avaliado que execute uma flexão cervical (baixar a cabeça para frente). Com esse movimento do avaliado será possível identificar que duas saliências ósseas na região cervical ficarão expostas. Diante disso, o avaliador deverá com o polegar esquerdo pressionar uma saliência e com o polegar direito pressionar a outra saliência. Em seguida, o avaliador deverá solicitar ao avaliado que volte a posição normal da cabeça e em seguida realiza o movimento de rotação lateral para a direita e esquerda, de maneira ampla e lenta. Nesse momento avaliador continuará com os polegares sobre os processos ósseos visualizados e, com isso deverá “sentir” qual o processo ósseo que “roda “no momento em que o avaliado realiza o movimento de rotação da cabeça .

Com isso o processo ósseo que “rodar” (deslocar-se) conjuntamente ao movimento de rotação lateral da cabeça deverá ser demarcado, pois o mesmo representa o processo ósseo da sétima vértebra cervical.  Após a identificação e demarcação da sétima vértebra cervical (C7) o avaliador também através de anatomia palpatória deverá identificar o processo ósseo (ponto anatômico) da Espinha Ilíaca Póstero Superior (EIPS) do lado direito e esquerdo e demarcá-las com as esferas demarcatórias (bolinhas de isopor). Em seguida avaliador deverá traçar uma linha imaginária com os dedos da mão unindo as duas EIPS e, com isso posicionar uma esfera bem ao centro das duas EIPS exatamente sobre a coluna vertebral.

Por fim para avaliar a escoliose é necessário que o avaliador identifique o ângulo inferior da escapulas esquerdo e direito. Em seguida como descrito anteriormente para a EIPS deverá traçar uma linha imaginária unindo os dos pontos demarcados do ângulo inferior das escapulas e posicionar uma esfera de demarcação exatamente sobre a coluna vertebral, no ponto em que a linha imaginária do ângulo inferior da escapula direita e esquerda se cruzam.

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Qual procedimento realizar após a identificação e demarcação dos processos ósseos ou pontos anatômicos para avaliar a escoliose através da biofotogrametria?

Após realizado todos os procedimentos metodológicos de identificação e demarcação dos pontos anatômicos (processos ósseos ou referências ósseas) o avaliador deverá posicionar o avaliado em posição posterior e realizar o registro fotográfico. Em seguida deverá carregar a foto obtida em um software específico para avaliação postural e, traçar um seguimento de reta partindo de C7 até o ponto demarcado entre os ângulos inferiores da escapula sobre a coluna vertebral e um outro seguimento de reta unindo o ponto demarcado entre os ângulos inferiores da escapula até o ponto demarcado entre os processos ósseos da EIPS que localiza-se sobre a coluna vertebral.

Dessa forma, um ângulo sempre no hemisfério corporal direito será formado, que será utilizado para identificar se o indivíduo apresenta o desvio postural de escoliose ou não.

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 Como identificar através da biofotogrametria se o indivíduo apresenta ou não o desvio postural de escoliose?

Se o indivíduo apresentar um ótimo alinhamento da coluna vertebral após traçar os seguimentos de reta descrito anteriormente o avaliador obterá um valor angular de 180°. Porém, imaginemos que o mesmo avaliador esteja analisando o alinhamento da coluna vertebral de um indivíduo B e obtenha após a realização de todos procedimentos de identificação, demarcação e formação dos seguimentos de reta no software um valor angular de 176,6°, ou seja, esse indivíduo B destoa 3,4° do valor ideal de alinhamento da coluna vertebral, considerando assim esse indivíduo apresentando o desvio postural de escoliose.

Continuando a nossa linha de raciocínio imaginemos agora que o mesmo avaliador realize a avaliação postural de um indivíduo C, obtendo agora um valor de 175,6° . Diante desse valor angular pode-se notar que o indivíduo C apresenta um valor que destoa do ideal (180°) em 4,4°. Ou seja, dessa forma o indivíduo C apresenta uma escoliose mais forte que o indivíduo B.

Um ponto importante a comentar é que normalmente, nem sempre, os indivíduos portadores de escoliose apresentam um desnivelamento dos ombros. Essa situação ocorre devido ao desalinhamento da coluna, que leva a cintura escapular sofrer inclinação gerando um ombro mais elevado do que o outro.

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Qual a outra forma de avaliar escoliose além da descrita no texto através da biofotogrametria?

Para realizar a avaliação do desvio postural de escoliose além de realizar a identificação, demarcação e formação dos seguimentos de reta descrito acima no texto, uma outra forma de avaliar a escoliose através da biofotogrametria é realizar da demarcação de todas as espinhas dos corpos vertebrais possíveis de serem palpadas e demarcados. Esse segundo procedimento para identificação do desvio postural de escoliose (demarcação de todas as espinhas dos corpos vertebrais) melhora a visualização do grau e parte convexa e côncava da escoliose.

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Qual a vantagem para o personal trainer ao utilizar a biofotogrametria par avaliação da escoliose?

Como já sabemos a grande vantagem de utilizar a biofotogrametria par avaliação postural é que ela (biofotogrametria) permitirá ao avaliador ou personal trainer quantificar em graus a magnitude e intensidade do desvio postural de escoliose. Através da biofotogrametria o personal trainer também conseguirá identificar para qual lado se encontra parte côncava e convexa da escoliose. Diante dessas vantagens e informações que a biofotogrametria produz personal trainer poderá realizar a avaliação do alinhamento da coluna vertebral e com isso averiguar quais de seus cliente apresenta e qual a intensidade da escoliose.

Com isso, possibilitar maiores informações para realizar uma prescrição de exercícios corretivos e a carga de esforço (intensidade e volume) das sessões de treinamento buscando a evolução e redução dos níveis de escoliose de seus cliente. A biofotogrametria permitirá ainda ao personal trainer realizar avaliações periódicas para verificar se carga de esforço e os exercícios corretivos estão sendo efetivos na redução da escoliose.

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Seguidor, não perca a vídeo aula de hoje e tire todas suas dúvidas de como utilizar e quais as vantagens de utilização da biofotogrametria para avaliação do desvio postural de escoliose.