Fontes de energia para o exercício físico 3

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                Dando continuidade as análises bioenergéticas do exercício físico, continuo analisando o uso da glicose anaeróbia como fonte de energia para o exercício físico. Todavia, no texto de hoje irei comentar sobre o subproduto metabólico produzido ao final da degradação da glicose… o lactato.

                Quando a glicose é degradada (catabolizada) anaerobicamente a molécula final restante (subproduto) é o lactato. O lactato surge a partir da liberação de um H+ (íon de hidrogênio) da molécula de ácido lático, portanto, lactato + H+ = ácido lático. Nesta situação final de degradação da glicose o H+ irá produzir modificação do pH muscular tornando-o mais ácido, isto é, quanto mais glicose utilizada anaerobicamente como fonte de energia durante o exercício físico maior a produção de H+ e lactato e mais baixo tornar-se-á o pH, gerando o que chamamos de acidose muscular.

                Assim, podemos entender que exercícios intensos que utilizem grandes cargas de energia, e que está provenha da glicose anaeróbia, apresentarão forte acidose muscular. Dentre estes exercícios, talvez o mais clássico para exemplificação seja a corrida de 400m no atletismo, onde a intensidade é elevada (grande consumo de energia) e o tempo da prova supera em muito o uso da fosfocreatina (PCr) como fonte de energia preponderante para o exercício (primeiros 15 a 20 segundos de corrida).

                Porém, isso pode ocorrer no treinamento resistido com pesos (TRP). Pense na intensidade de treinamento de sua série, ele é elevada? Se sim, haverá um grande consumo de energia durante a série executada. Bom o próximo passo é, qual o tempo de tensão muscular de sua série? Se esta ultrapassa significativamente o tempo de 20 segundos (tempo de preponderância da PCr) você estará utilizando a glicose anaeróbia e gerando acidose muscular. Portanto, treinamentos para aumento de volume muscular (hipertrofia + hiperplasia) intensos tendem a produzir, localizadamente, grandes quantidades de lactato + H+ e consequentemente gerarem acidose local.

                Procure pensar nestes aspectos em outros treinamentos, no que você pratica, por exemplo. Procure analisar se há ou não formação de lactato no seu treino e geração de acidose.

                No próximo texto irei discutir os efeitos deletérios do lactato muscular produzido. Fique atento!

Prof. Dr. João Moura.

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