O que se deve analisar para entender qual músculo realiza a fase concêntrica e excêntrica em um determinado exercício?

Para conseguir interpretar em quaisquer exercícios, seja ele do treinamento resistido com pesos, treinamento resistido elástico ou até mesmo o treinamento resistido corporal (calistenia) é necessário que o profissional consiga identificar para direção e sentido está a resistência. Ou seja, é necessário compreender qual o movimento que a resistência tende a produzir em uma determinada articulação de movimento.

Portanto, com esse conhecimento é muito mais fácil conseguir observar qual músculo realizar fase concêntrica e excêntrica. Um ponto importante a salientar é que em todos os exercícios o mesmo grupo muscular ou músculo participará tanto da fase concêntrica como excêntrica.

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Como assim, o mesmo músculo participa da fase concêntrica e excêntrica?

Para entender melhor esse comportamento utilizaremos o exemplo da rosca direta com barra. Neste exercício a resistência (barra + anilhas somadas a força gravitacional [9,81m/s²]) tende a produzir o movimento de extensão da articulação do cotovelo. Diante disso, para vencer a resistência é necessário que o individuo acione os flexores do cotovelo (bíceps, braquial e braquiorradial). Assim, ao acionar os flexores ocorrerá o movimento de flexão do cotovelo, fazendo com que o indivíduo vença à resistência. Esse movimento caracterizará a fase concêntrica do exercício. Está é denominada de fase concêntrica, porque será o momento do exercício em que o músculo irá encurta-se.

Já durante a fase excêntrica, o movimento de extensão do cotovelo será realizado pela resistência, e não pelo tríceps braquial que é extensor do cotovelo. Isto é, para que a fase excêntrica ocorrera o individuo irá deixar-se vencer pela resistência para que seja possível a extensão do cotovelo. No entanto, durante essa fase o movimento é candência e não explosivo. Isto ocorre em decorrência de uma contração excêntrica dos mesmos flexores do cotovelo que realizam a fase concêntrica. Portanto, na fase excêntrica os flexores doto cotovelo, serão alongados sob tensão, realizando um freio excêntrico para que o movimento não ocorra de forma balística.

Em resumo, na rosca direta com barra os flexores dos cotovelos são acionados tanto na fase concêntrica e excêntrica. No entanto o intuito é diferente em ambas as fases como descrito acima.

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Mas por que durante a fase concêntrica o sinal eletromiográfico é maior?

A justificativa para esse comportamento é que durante a fase concêntrica é necessário que o individuo vença a resistência imposta. Assim, para isso é necessário um recrutamento x de unidades motoras. Porém, durante a fase excêntrica, como descrito acima, é necessário que o individuo se deixa vencer pela resistência, o que repercutirá em um acionamento de unidades motoras menor. Pois, se o mesmo grau de recrutamento de unidades motoras for mantido, a barra como no exemplo da rosca direta não iria descer. Portanto, este cenário explica um sinal eletromiográfico maior e menor na fase concêntrica e excêntrica, respectivamente.

Alunos, analisam a vídeo aula.