Quando nos exercitamos sempre requeremos algum grau de produção de força muscular. Mesmos durante exercícios de cunho aeróbios como ciclismo e corrida, existe a necessidade de graus relativamente baixos de força para realização da “pedalada” ou da corrida. Já em outros exercícios a exigência de força é maior como no Treinamento Resistido com Pesos (TRP) em academias de ginástica, ou ainda, em esportes como levantamento de peso.

                Independentemente do grau de exigência de força requerida em uma atividade motora, uma fibra (célula) muscular em um ato de encurtamento produz esta ação em sua capacidade máxima (100%) ou não produz nenhuma repercussão de tensão de encurtamento (zero %). Este fato fisiológico é conhecido como “Lei do Tudo ou Nada”. Assim, surge a pergunta:

“Se uma fibra muscular produz individualmente 100% ou zero% de tensão de encurtamento (força) como podemos graduar a força para atividades de menor ou maior exigência detensão de encuratamento? Ou ainda, como controlamos o nível de força do músculo quadríceps no agachamento com carga elevada a força produzida pelo mesmo músculo na atividade motora do ciclismo?

 

                A resposta é o recrutamento diferenciado do número de fibras musculares atuante nos exercícios. Em exercícios de menor exigência de força, como por exemplo, o ciclismo recreativo, o recrutamento de fibras musculares para o trabalho de força do músculo quadríceps é pequeno. Todavia, quando o ato motor exige força de forma intensa um número maior de fibras musculares é requerido como no exercício de agachamento com carga elevada. Assim, é um recrutamento de um maior ou menor número de fibras musculares que define o nível de força produzido já que uma fibra isolada atua em sua capacidade máxima de força.

                Porém o comando nervoso (impulso nervoso) que aciona uma fibra muscular, não aciona de forma isolada somente uma fibra muscular. Na verdade, um mesmo impulso aciona mais de uma fibra ao mesmo tempo já que o neurônio motor que produz inervação, inerva também outras fibras. A um neurônio motor e todas as fibras musculares por ele inervadas é dado o nome de Unidade Motora (UM) (imagem do texto a cima). Portanto, quanto mais UM recrutadas (e consequentemente suas fibras musculares) maior será a produção de força quanto menor o número de UM recrutadas menor a produção de força.

                Um ponto diferencial a analisar é a quantidade de fibras musculares inervadas por um neurônio. Existem UM motoras “pequenas” as quais inervam um pequeno número de fibras e consequentemente produzem um tensão de encurtamento (força) menor que UM motoras “grandes” as quais inervam um grande número de fibras musculares.

                Diante do exposto, podemos concluir que dois fatores são primordiais para a produção de força elevada: um grande número de UM recrutadas e UM grandes preferencialmente, para produção de baixos níveis de força, um número pequeno de UM deve ser recrutado e preferencialmente UM pequenas. Vale ressaltar que outros fatores também são responsáveis pela produção de força muscular mas não foram comentados no presente texto.