Podemos entender por aparelho locomotor algumas estruturas corporais capazes de, em conjunto, produzir o movimento corporal humano. Assim, estruturas básicas diretamente relacionados com a motricidade devem ser relacionadas: sistema neural, sistema muscular, sistema tendíneo, sistema ósseo, sistema articular e sistema ligamentar.

                O sistema neural é a partir do qual “nasce” o movimento. Isto é, um potencial de ação é gerado em um neurônio motor cerebral e transmitido através de seu axônio e por meio de conexões nervosas até atingir a placa motora terminal (ponto de conexão mas não de contato físico direto entre neurônio motor com a fibra muscular) disseminando, ou induzindo, o potencial de ação e o correspondente comando (estímulo) de contração muscular.

                O sistema muscular é composto por vários grupos musculares que, através de contrações (encurtamentos), geram movimento sobre bioalavancas corporais. Um grupo muscular pode ser formado por vários músculos como, por exemplo, o grupo flexor do cotovelo constituído por bíceps braquial, braquial e braquiorradial.  Dentro de um músculo existem vária fibras (células) musculares que apresentam a propriedade de encurtarem-se através de seus componentes sarcômeros gerando tensão (encurtamento). O grupo muscular, músculo ou fibra muscular ao encurtar-se gera tensão sobre o tendão adjacente que, por sua vez, traciona a peça óssea a qual esta conectado, gerando movimento nestas.

                Para que um músculo ou grupo muscular gere movimento é necessário movimentar alavancas ósseas (também chamadas de bioalavancas). Tal capacidade apresenta a interface tendínea, ou seja, os tendões transferem a força de tração produzida pelo sistema muscular a peça óssea causando movimento. Assim, identificamos o sistema tendíneo como o sistema interface entre causa (produção do movimento – músculos) e efeito (efetiva realização do movimento – movimentação do esqueleto humano).

                O sistema ósseo representa o esqueleto humano articulado entre diferentes peças ósseas (articulações) onde movimentos rotatórios são realizados em maior ou menor arco (angulação). As peças ósseas do esqueleto humano ao girarem sobre as adjacentes produzem os movimentos corpóreos, assim vejamos: o úmero ao rodar sobre a cavidade glenoide da escápula pode produzir movimentos de flexão/extensão, abdução/adução e rotações do ombro.

                Os pontos rotatórios são identificados nas articulações corporais onde eixos imaginários podem ser dispostos de forma perpendicular a diferentes planos de movimento. Na verdade, estamos nos referindo ao sistema articular onde peças ósseas se articulam gerando movimentos “conduzidos” pela contração dinâmica muscular.

                Para manter a estabilidade de movimentação de uma peça óssea sobre a outra (por exemplo, cabeça do fêmur sobre o acetábulo do quadril) ligamentos são dispostos de forma “estratégica” para manutenção da “conexão”, ou seja, permitir o momento articular sem que haja afastamentos das peças ósseas (luxações).

                Assim, vemos a integração dos sistemas que compõem o aparelho locomotor em ação conjunta permitindo uma variabilidade enorme de movimentos corporais dos mais simples aos mais complexos.

Texto desenvolvido pelo:

Prof. Dr. João Moura