Quais as variações que se pode visualizar na execução do tríceps na polia?

É muito comum observar alunos/clientes executando o exercício de tríceps na polia para treinar os extensores do cotovelo. Até se pode dizer, que este seria o exercício mais clássico na execução para tríceps.

No entanto, também é possível observar os alunos/clientes executando com diferentes posicionamentos corporais e também da articulação do ombro. Isto é, alguns realizam o exercício próximo a polia com o braço ao longo do corpo e, outros ainda realizam se afastando da polia mas mantendo o braço ao longo do corpo e outros ainda realizam afastados com uma flexão do ombro.

Mas essas modificações de técnica alteram a ativação muscular?

Neste vídeo aula foi analisado o tríceps braquial cabeça longa (extensor do cotovelo e sinergista na extensão do ombro) e o latíssimo do dorso (extensor e adutor horizontal do ombro) ao realizar as diferentes técnicas de execução citadas acima no texto.

Assim, ao realizar o tríceps na polia próxima ao aparelho antes de iniciar a execução da extensão do cotovelo, já se pode observar uma ativação do tríceps cabeça longa e latíssimo do dorso. Essa ativação é necessária para estabilizar a articulação do ombro, pois a resistência tende a produzir o movimento de flexão do ombro. Assim, esses músculos que tem a capacidade de realizar a extensão do ombro serão acionados. No momento em que se realizou o afastamento em relação ao aparelho, mas se manteve o braço ao longo do corpo, ocorreu um aumento na ativação do tríceps braquial em 25% em relação a execução próxima ao aparelho. Esse comportamento parece estar vinculado ao braço de momento da alavanca maior produzido principalmente no final da fase concêntrica (extensão dos cotovelos) em relação a execução próxima ao aparelho. Assim, se pode vincular a maior ativação do tríceps a alteração no braço de momento da alavanca. Já o latíssimo do dorso também teve um aumento na ativação eletromiográfica. Este cenário também pode estra vinculado a maior braço de momento da alavanca produzido para a articulação do ombro. Assim, a tendência de flexão do ombro foi maior, e, portanto, a necessidade de estabilização por parte do latíssimo também cresceu.

Por fim, quando se realizou a execução afastado do aparelho, porém com uma flexão do ombro (elevação dos membros superiores a frente) ocorreu uma ligeira redução na ativação eletromiográfica do tríceps. Porém, a redução na ativação do latíssimo do dorso foi expressiva. Este cenário, particularmente de redução na ativação eletromiográfica do latíssimo do dorso parece ocorrer em virtude de uma alivio na exigência para manter a posição do ombro nesta terceira variação, pois o ombro não está estendido.

Ta e daí, quais as aplicações práticas desse experimento?

Diante deste experimento se pode citar algumas aplicações práticas. Por exemplo, para um aluno/cliente iniciante na prática do treinamento resistido com pesos, talvez seja interessante realizar a execução próximo ao aparelho, pois a exigência muscular tanto de tríceps cabeça longa e latíssimo do dorso foi menor. Assim, esse cenário poderá facilitar o aluno/cliente para aprender o movimento e assim desenvolver uma melhor técnica de execução.

Por outro lado, caso esteja trabalhando com um aluno/cliente que visa maximizar os ganhos neuromusculares e que seja já experimente  e o profissional que aumentar a carga de esforço sem alterar a quilagem, talvez uma lógica interessante seja orientar ao aluno/cliente se afastar do aparelho. No entanto, se ele (aluno/cliente) realizou um treino de costas antes do tríceps, assim, uma estratégia interessante seria realizar a execução com uma flexão do ombro, pois a carga tensional sobre o latíssimo irá reduzir. Ainda, se o aluno/cliente realizar uma rotina Full Body e após o exercício de tríceps execute um puxador por exemplo que tem como foco principal o latíssimo do dorso, talvez a estratégia de realizar com o tríceps polia com a flexão do ombro também seja interessante.

Alunos, analisem a vídeo aula!!!