Primeiramente devemos entender que consumo de oxigênio representa três processos fisiológicos básicos: a absorção, o transporte e a utilização do oxigênio na fibra muscular.

               Em repouso o processo de absorção, transporte e utilização do oxigênio é executado em baixa intensidade, ou seja, existe uma reserva muito grande que poderia ser utilizada. Esta reserva não é utilizada porque em repouso não necessitamos uma grande quantidade de oxigênio na fibra muscular. Porém, ao realizarmos um exercício de média a longa duração haverá necessidade de um maior aporte de oxigênio para a fibra muscular, consequentemente as reservas ainda não utilizadas para absorção, transporte e utilização do oxigênio agora serão fortemente solicitadas e utilizadas.

              Quando os processos de absorção, transporte e utilização de oxigênio estão no seu limite fisiológico de trabalho, consideramos que o indivíduo esta no máximo da capacidade de absorver, transportar e utilizar oxigênio, tal condição é denominada como VO2 máx (volume máximo de oxigênio). Portanto, VO2 máx é a capacidade individual do ser humano em consumir oxigênio.

              Vamos imaginar que você é praticante regular de exercício físico e entre três a quatro vezes por semana você realiza atividade de corrida por trinta minutos na esteira da academia ou na rua. Quando você vai correr a uma velocidade de 8,0 km/h você estará trotando e sua necessidade energética ser baixa-moderada. Para que seja realizado o processo energético haverá necessidade de oxigênio, porém como a necessidade energética é de baixa a moderada o seu consumo de oxigênio também será de baixo a moderado.

              Se você aumentar a intensidade da corrida para 10 km/h você irá correr em uma intensidade moderada alta, o que aumentará o consumo de energia e consequentemente o consumo de oxigênio para processar aerobicamente essa energia. E ao imaginarmos que você aumentou a intensidade para 14 km/h você estará correndo de forma intensa, o que elevará fortemente o consumo de energia e, mais uma vez, elevará o consumo de oxigênio.

             Dessa forma, podemos verificar que o consumo de oxigênio esta relacionada ao seu consumo energético durante a atividade de corrida. Saliento, que o consumo de oxigênio se associa ao consumo de energia não somente na corrida mas toda e qualquer atividade motora produzida de forma contínua e aeróbia.

            Voltamos a imaginar que você aumentou a intensidade do trabalho na esteira e passou a correr a 17 km/h. Nesta situação seu sistema de absorver, transporta e utilizar oxigênio esta em exigência máxima, ou seja, esta no seu limite de funcionamento para consumir oxigênio. Nestas circunstâncias você chegou ao seu VO2 máx.

             Com o treinamento aeróbio continuo você poderá aumentar o seu VO2 máx o que significa que os seus sistemas envolvidos poderão suportar um trabalho fisiológico mais intenso e o limite (ponto máximo do sistema) será elevado. Frente a essa adaptação ao treinamento você poderá, por exemplo, correr na esteira a 18 km/h para chegar ao seu limite fisiológico, o VO2 máx.

             Por outro lado, se houver diminuição no treinamento (corrida em esteira e/ou rua) os processos fisiológicos poderão diminuir, dessa forma, reduzindo sua capacidade em absorver, transportar e utilizar oxigênio alterando seu VO2 máx para menos. Nestas condições, você correndo, por exemplo, a 15 km/h poderá chegar ao limite fisiológico do sistema aeróbio. Isto é o que chamamos de destreinamento.

 

 

Texto desenvolvido pelo:

Prof. Dr. João Moura

CREF 07870 G/SC