Quais são, e qual a função dos músculos que compõem o grupo do manguito rotador?

O grupo manguito rotador é formado pelos músculos supraespinhal, infraespinhal, redondo menor, subescapular e a cabeça longa do bíceps braquial. Esses músculos se juntam e atuam como uma unidade funcional visando estabilizar a cabeça do úmero na cavidade glenoide. Sem a estabilização dinâmica da articulação glenoumeral produzida pelo manguito rotador, a cabeça do úmero colidiria contra as estruturas ósseas circunjacentes, como o acrômio e o processo coracóide. Esse cenário produziria um impacto contra bolsas, tendões, nervos e vasos sanguíneos.

Quais os pontos de origem e inserção e movimento de cada músculos que compõem o grupo muscular do manguito rotador?

O primeiro a ser descrito será o supraespinhal. Esse músculo tem sua origem localizada na fossa supraespinhal da escápula e seu ponto de inserção localizado no tubérculo maior do úmero. Diante desses pontos de fixações o supraespinhal terá a capacidade de produzir participar o movimento de abdução do úmero com o deltoide principalmente as fibras mediais ou laterais (figura 1).

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Figura 1 – Origem e inserção.

Em especial, o supraespinhal desloca a cabeça do úmero no sentido inferior à medida que o motor primário da abdução, ou seja, o deltoide atua. Isso prevenirá o impacto do úmero contra o acrômio e a consequente lesão da bolsa subacromial e do tensão do supraespinhal.

Já o infraespinhal tem sua origem localizada na fossa infraespinhal da escápula e inserção também como o supraespinhal no tubérculo maior do úmero. Diante desses pontos de origem e inserção o infraespinhal terá a capacidade de participar dos movimentos de rotação lateral em sinergismo com o deltoide posterior e redondo menor, extensão e abdução horizontal do ombro em sinergismo com o deltoide posterior, latíssimo do dorso e redondo menor.

O músculo infraespinhal trabalha em sinergismo com o redondo menor para fixar posteriormente a cabeça do úmero na cavidade glenoide e evitar o seu impacto contra o processo coracoide da escapula. Além disso, ele (infraespinhal) é um potente rotador lateral do ombro novamente em conjunto com o redondo menor e deltoide posterior. A literatura demonstra que é essencial na preparação do membro superior durante a extensão e rotação lateral nos movimentos do ombro, tais como arremessos e golpes acima da cabeça. Por fim, ainda se contrai de forma excêntrica para diminui a velocidade do membro superior durante a fase de desaceleração, durante movimentos potentes (Figura 2).

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Figura 2 – Origem/inserção e movimentos produzidos pelo infraespinhal.

O músculo redondo menor tem sua origem localizada na região superior da margem lateral da escápula. Já seu ponto de inserção está localizado no tubérculo menor do úmero, diferentemente do ponto de inserção do supraespinhal e infraespinhal. Tem a capacidade de participar dos movimentos de rotação lateral em conjunto com infraespinhal e deltoide posterior como durante os movimentos de preparação para movimentos acima da cabeça. Participa da extensão do ombro em conjunto com redondo maior, latíssimo do dorso e fibras costais do peitoral maior. Essa função contribui para biomecânica correta de movimentos complexos como puxar, arremessar e golpear acima da cabeça. Por fim, participa do movimento de abdução horizontal do ombro em conjunto com deltoide posterior, infraespinhal e latíssimo do dorso.

Como já descrito acima o redondo menor atua em sinergismo com o infraespinhal para fixar posteriormente a cabeça do úmero na cavidade glenoidal e evitar o seu impacto contra o processo coracoide da escapula. Ainda, também com contração excêntrica para desacelerar o membro superior durante determinados movimentos (figura 3).

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Figura 3 – Origem/inserção e movimentos produzidos pleo redondo menor.

Já o músculos subescapular tem sua origem localizada na fossa subescapular da escápula e sua inserção também no tubérculo menor do úmero como o redondo menor. Esse músculo participará somente do movimento de rotação medial do ombro em sinergismos com deltoide feixe clavicular/anterior, peitoral maior, latíssimo do dorso e redondo maior. A literatura descreve que o subescapular é o maior músculo do manguito rotador e o único que produz o movimento de rotação medial (figura 4).

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Figura 4 – Origem/inserção e movimentos produzidos pelo subescapular.

Tem por característica estabilizar a cabeça do úmero dentro da cavidade glenoidal durante os potentes movimentos do peitoral maior, latíssimo do dorso, redondo maior e deltoide anterior/clavicular a medida que realizar o movimento de baixar o braço, como durante as puxadas, arremessos e golpes acima da cabeça. Por fim, o subescapular é responsável pelos movimentos oscilatórios (balanço do braço) para trás durante a deambulação.

Um ponto importante a salientar é que a cabeça longa do bíceps braquial também é um componente do manguito rotador. Isso ocorre porque a cabeça longa tem sua origem localizada no tubérculo supraglenoidal da escápula e com isso o seu tendão cruza a articulação glenoumeral. Com isso, tem a capacidade de produzir força para coaptação da cabeça do úmero na cavidade glenoidal.

Como treinar os músculos que compõem o manguito rotador durante uma sessão de treinamento resistido com pesos ou musculação?

Como todos nós já sabemos para produzir a treinabilidade de um músculo durante uma sessão de treinamento resistido com pesos, é necessário inicialmente ter em mente qual o movimento que esse músculos produzirá quando contrai. Um vez identificado esse ponto, teremos que realizar exercício que apliquem resistência contra esses movimentos, ou seja aplicar resistências que busquem a produzir o movimento contrário.

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Figura 5 – Variação para rotadores externos.

Como identificamos acima no texto, existem alguns músculos que compõem o manguito rotador que são rotadores mediais e outros laterais do ombro. Assim, caso o objetivo seja treinar os músculos infraespinhal e redondo menor, o personal trainer deverá buscar aplicar resistência contra o movimento de rotação lateral. Ou seja, ele (personal trainer) deverá aplicar exercícios que venham a produzir o movimento de rotação medial do ombro. Assim, o aluno/cliente deverá vencer a resistência produzindo o movimento de rotação lateral, e produzindo a treinabilidade do redondo menor e infraespinhal (figura5).

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Figura 6 – Variação rotadores internos.

Por outro lado, se o objetivo seja treinar os músculo subescapular que é um rotador medial do ombro em conjunto com o deltoide anterior, peitoral maior, latíssimo do dorso e redondo maior, o personal trainer deverá aplicar resistência contra este movimento. Ou seja deverá selecionar exercício em que a resistência busque produzir o movimento de rotação lateral (Figura 6).

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Figura 7 – Variação para rotadores internos.

Já para treinar o músculos supraespinhal, é interessante que o personal trainer venha prescrever exercícios em que seu aluno/cliente execute o movimento de abdução glenoumeral. Ou seja, aplicar exercícios em que a resistência busque produzir a adução glenoumeral. Assim, para vencer a resistência produzirá o movimento de abdução glenoumeral e produzindo uma acionamento do supraespinhal e deltoide.

Alunos analisem a vídeo aula!!!