Embora os termos cardiovascular e cardiorrespiratório normalmente sejam usados como sinônimos, do ponto de vista fisiológico não são exatamente a mesma coisa. Enquanto o sistema cardiovascular trata que questões circulatórias como vasos sanguíneos e bomba cardíaca (miocárdio) o sistema cardiorrespiratório, ao “pé da letra”, envolve tanto a bomba cardíaca quanto os processos fisiológicos respiratórios como traquéia, brônquio, pulmão, alvéolos além da musculatura respiratória: diafragma e intercostais.

Independentemente da nomenclatura utilizada, esses sistemas atuam em conjunto durante a respiração em repouso ou, de forma mais intensa, durante os exercícios aeróbios. Quando analisamos todo o caminho do oxigênio pelo corpo, desde sua captação do ar ambiente até a real utilização na fibra muscular, concluímos que os dois sistemas realmente trabalham em conjunto. Assim, vejamos:

O oxigênio é encontrado no ar ambiente associado a outros gases (dióxido de carbono, nitrogênio, entre outros) e é captado via processo inspiratório pelas vias aéreas superiores até os pulmões, percorrendo o seguinte caminho: narinas e boca, traquéia, brônquio, broquíolos, alvéolos pulmonares. Esta á a parte do processo fisiológico denominado de respiratório e também no treinamento físico é a parte conhecida como absorção do oxigênio.

Uma vez absorvido o ar e estando contido nos alvéolos pulmonares o mesmo é transferido para oscapilares sanguíneos alveolares, neste momento somente o oxigênio é captado e passa ser transportado pelo sangue (sendo a maior parte transportado pelas hemácias) através do sistema circulatório ou vascular. Para que o oxigênio “flua” pelo corpo é necessário que haja fluxo sanguíneo, isto é, que o sangue percorra todo o emaranhando de veias, vênulas, capilares, arteríoloas e artérias do corpo. A bomba cardíaca é a responsável por gerar o fluxo de sangue pelo sistema vascular, por isso a terminação “bomba” ao miocárdio. Em terminologia de treinamento físico, o processo descrito neste parágrafo é conhecido como transporte de oxigênio.

O oxigênio é então transportado pelo corpo chegando até as fibras musculares e através de capilares musculares “libera” parte do oxigênio encontrado no sistema circulatório para a célula muscular. O oxigênio, uma vez dentro da fibra muscular, é transportado por mioglobinas até as mitocôndrias onde verdadeiramente é aproveitado para processar metabolicamente glicose e/ou gordura. Este ponto, onde o oxigênio é metabolizado dentro da fibra junto com gordura e/ou glicose, é denominado no treinamento físico como utilização do oxigênio.

Assim, podemos entender que o caminho do oxigênio pelo corpo passa por processos de absorção, transporte e utilização do oxigênio sendo que estes envolvem processos fisiológicos diferenciados.

Em repouso o processo de absorção, transporte e utilização do oxigênio é executado em baixa intensidade, ou seja, existe uma reserva muito grande que poderia ser utilizada. Esta reserva não é utilizada porque em repouso não necessitamos uma grande quantidade de oxigênio na fibra muscular. Porém, ao realizarmos um exercício de média a longa duração haverá necessidade de um maior aporte de oxigênio para a fibra muscular, consequentemente as reservas ainda não utilizadas para absorção, transporte e utilização do oxigênio agora serão fortemente solicitadas e utilizadas.

Quando os processos de absorção, transporte e utilização de oxigênio estão no seu limite fisiológico de trabalho, consideramos que o indivíduo esta no máximo da capacidade de absorver, transportar e utilizar oxigênio, tal condição é denominada como VO2 máx (volume máximo de oxigênio). Portanto, VO2 máx é a capacidade individual do ser humano em consumir oxigênio.

 Texto desenvolvido pelo:

Prof. Dr. João Moura

CREF 07870 G/SC