É sabido que o treinamento melhora a capacidade aeróbia do indivíduo elevando significativamente seu VO2 máx. Sabe-se também que o pressuposto fisiológico para tais ganhos está em função de modificações orgânicas (adaptações) que ocorrem no corpo.

         Na melhora da capacidade aeróbica vários processos fisiológicos deverão evoluir para permitir que o organismo consuma maior teor de oxigênio durante o exercício físico. Dentre as várias adaptações ocorridas as organelas mitocôndriais sofreram fortes modificações. As mitocôndrias “nunca são formadas de novo” e sim aumentam em seu número através do processo de bipartição no qual estas organelas dobram de massa e então se dividem ao meio a cada geração celular.

         Ao aumento de massa (aumento de tamanho) a capacidade das mitocôndrias de oxidar gorduras, glicose e proteínas fica potencializado, melhorando a produção oxidativa de energia aeróbia. Com a divisão sistemática das mitocôndrias o número destas aumenta na fibra muscular variando de 5 a 10 vezes mais (o que se chama de aumento da densidade mitocondrial) e com o maior número de mitocôndrias na célula muscular, maior a capacidade oxidativa do músculo, ou seja, maior potencial aeróbio muscular. Evidentemente, esse processo tem um determinismo genético através de fatores de estabilidade de RNA mensageiro, replicação e transcrição do DNA mitocondrial. Fatores de sinalização para aumento de tamanho e duplicação mitocondrial são Ca++, ATP e enzimas fortemente envolvidas na contração muscular. Com isso o aumento do desempenho das mitocôndrias também é observado em função do aumento enzimático oxidativo das mesmas quando em treinamento aeróbio (estimulação) prolongado.

         Portanto, a melhora da capacidade aeróbica se dá por várias adaptações que entre estas apresenta o número e tamanho das mitocôndrias aumentado além do desempenho enzimático destas melhorado.

Texto produzido pelo Prof. Dr. João Moura

CREF 07870-G/SC