Qual o comportamento da atividade eletromiográfica durante a execução do Crucifixo reto com alteres?

O exercício de crucifixo com alteres é amplamente executado dentro das salas de TRP nas sessões de treino para peitoral. Assim, quem executa este exercício sabe que no final da fase concêntrica do movimento (adução transversal do ombro) ocorre uma redução na tensão muscular. Este cenário ocorre em virtude da redução do braço de momento da alavanca, ou seja, o ponto de aplicação da resistência se aproxima fortemente do centro da articulação em movimento, que é o ombro. Diante disto, o torque resistivo produzido irá reduzir e consequentemente o torque muscular também. Este cenário, levará também a uma redução significativa da ativação eletromiográfica. Neste ângulo da amplitude de movimento caracteriza-se como ponto de descanso. Ou seja, um ponto de alivio no trabalho muscular, que leva a uma redução na atividade eletromiográfica.

Portanto, se pode entender que no exercício crucifixo a atividade eletromiográfica tem um aumento ao longo da fase excêntrica, ocorrendo maior amplitude de sinal quando os braços estão perpendiculares ao solo e, uma redução na atividade eletromiográfica ao longo da fase concêntrica até o final da mesma. Desta forma, como já comentado acima se o indivíduo tentar juntar os alteres a ativação muscular terá uma queda bruta.

Mas, qual o comportamento eletromiográfico na variação do crucifixo que muitos indivíduos executam?

É comum observar alguns indivíduos executando o exercício de crucifixo, buscando esmagar o peito nos últimos graus da fase concêntrica. Ou seja, quando estão quase entrando em ponto de descanso (final da fase concêntrica) realizam uma auto resistência, mantendo-as até que os alteres se encostem.

Diante disso, ao analisar o sinal eletromiográfico se observou que está estratégia (auto resistência) produziu uma ativação eletromiográfica maior que a execução clássica (sem auto resistência) no final da fase concêntrica. Portanto, se pode entender que ao realizar essa estratégia, se manteve uma maior ativação muscular, isto é, se eliminou o ponto de descanso produzido pela redução do braço de momento da alavanca.

Mas, qual a aplicação prática deste conhecimento?

Assim, para um aluno/cliente que busca maximizar os ganhos hipertróficos e de força uma lógica seria produzir um alto estresse sobre o grupo muscular alvo. Diante disso, pensando no exercício crucifixo, seria interessante orientar o aluno/cliente a não realizar os últimos graus da fase concêntrica (adução transversal do ombro). Com isso, como foi possível se observar no vídeo se mantem uma tensão muscular mais constante.

No entanto, o profissional poderá estar trabalhando com um aluno/cliente que goste de realizar os últimos gruas de adução do ombro, mesmo ele (profissional) orientando que se perderia fortemente a tensão muscular. Diante disso, uma estratégia seria orientá-lo a realizar o crucifixo realizando uma auto resistência no final da fase concêntrica, pois manteria uma tensão muscular maior.

Apesar de não se ter uma relação direta entre ativação eletromiográfica e hipertrofia muscular, caso todas as variáveis que influenciam os ganhos hipertróficos, como , alimentação, sono, volume de treino entre outros estejam sendo manipuladas de forma adequada, um maior estresse produzido ao longo do tempo poderá potencializar os ajustes neuromusculares.