O exercício calistênico diferentão tem amplo envolvimento muscular.

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O Treino em Foco desenvolveu uma metodologia para realizar uma análise detalhada dos exercícios, sendo composta por quatro passos. Assim, incialmente é necessário identificar em qual direção e sentido encontra-se a resistência; em seguida identificar a forma de estabilização aplicada no exercício; analisar as articulações e músculos dinamicamente envolvidos e por fim as articulações e músculos estaticamente envolvidos. Assim, pode-se identificar que a metodologia é composta por quatro passos, seguindo a lógica do simples para o complexo.

Em que sentido e direção encontra-se a resistência durante a execução deste exercício calistênico diferentão?

Neste como é um exercício calistênico não se utiliza barras, anilhas, halteres ou qualquer outra forma de resistência. Assim, neste exercício a resistência a advinda da força gravitacional. Esta está no sentido vertical e de cima baixa acelerando a massa corporal em 9,81m/s² em direção ao solo. Portanto, a força gravitacional está acelerando todo o corpo do indivíduo para baixo na vertical.

Qual a estabilização utilizada durante o exercício?

A estabilização se da com o apoio das mãos ao solo. Ou seja, neste exercício o professor João Moura estava apoiando os dedos ao solo e com um afastamento lateral das mãos. Sendo assim, o contato dos dedos no solo e essa distância lateral das mãos forneceu a base de estabilização para todo o corpo dele.

Diante disso, podemos raciocinar que se o indivíduo vier a aproximar as mãos a base de estabilização irá reduzir, obviamente tornando o equilíbrio mais difícil. Por outro lado, caso o indivíduo venha a produzir um afastamento lateral maior, certamente a estabilização irá aumentar e com isso equilibrando mais o corpo do indivíduo.

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Quais as articulações e músculos dinamicamente envolvidos durante a execução deste exercício calistênico?

Em um certo momento da execução o professor João Moura realiza alguns movimentos em membros inferiores. Ou seja, executa o movimento de flexão e extensão do quadril e joelhos. Além disso, o professor João também executou uma abdução e adução do quadril.

Analisando primeiro a articulação do joelho a flexão desta articulação é produzida pela força gravitacional. Assim, não há ação muscular concêntrica para executar esse movimento, portanto, somente ocorrendo a contração excêntrica do quadríceps para que esse movimento não venha a ocorrer de forma balística. Já durante a extensão do joelho este movimento é contra a ação gravitacional. Desta forma, ocorrerá uma ação concêntrica, isto é de encurtamento dos extensores do joelho (grupo muscular quadríceps) para produzir esse movimento.

Agora analisando a articulação do quadril, em virtude da força gravitacional ter como objetivo jogar os seguimentos corporais em direção ao solo, o movimento de extensão do quadril será produzida por ela. Assim, para que o movimento não venha a ocorrer de forma balística os flexores do quadril serão acionados em contração excêntrica para realizar o freio excêntrico. Por outro lado, a flexão do quadril que é um movimento contra a ação gravitacional será produzida pela contração concêntrica dos flexores do quadril (iliopsoas, reto femoral, sartório e tensor da fáscia lata). Por fim, como o movimento de adução e abdução ocorre no plano transversal, não existe resistência contra o mesmo. Não existe resistência porque a força resistiva neste exercício produzida é pela ação gravitacional e assim está como já comentado acima no sentido vertical e na direção de cima para baixo. Portanto, pode-se entender que não produz resistência contra o movimento de adução e abdução que ocorre no plano transversal.

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Quais as articulações e músculos estaticamente envolvidos durante a execução do exercício?

Neste exercício diferentão da calistenia temos algumas articulações que sofrem tendência de movimento. Assim, analisado os membros inferiores pode-se identificar que no momento em que o professor João Moura não executa nenhum tipo de movimento a força gravitacional tem por tendência flexionar o joelho. Portanto, para que esse movimento não venha a ocorrer ocorre uma contração isométrica do quadríceps para obviamente manter o joelho estendido.  Agora analisando o quadril, a gravidade produz  uma tendência de estender o quadril. Diante disso, ocorrerá a contração isométrica do flexores do quadril, obviamente para evitar esse movimento.

Passando para membros superiores, ocorrerá uma forte tendência de elevação das escapulas, porque como as mãos estão em contrato com o solo se o corpo como um todo descer a escápulas se elevarão porque as mãos estão em contrato com o solo. No entanto, isto não ocorrerá em decorrência da contração isométrica trapézio inferior serrátil anterior, peitoral menor. Além disso, como a escapulas terá essa tendência de movimento de elevar também o úmero. Porém, para estabilizar as fibras inferiores do peitoral maior e latíssimo do dorso serão acionados em contração isométrica. Já o deltoide produzirá uma contração isométrica para evitar o balanço dos membros superiores. Por fim, a gravidade tem como tendência produzir uma flexão do cotovelo, porém será bloqueada pela ação isométrica dos extensores, ou seja, tríceps braquial e ancôneo.

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E a pelve sofreria tendência de movimento?

Sim, em virtude da contração principalmente do reto femoral em alguns momentos isométrica e outras dinâmica a pelve sofre a tendência de movimento anteversão pélvica ou tilt anterior, pois esse músculo tem conexão na espinha ilíaca antero superior. Porém, para que isso não venha ocorrer o reto abdominal realizará uma contração isométrica para estabilizar a pelve, já que é também um retroversor pélvico.

Já os outros retroversores pélvicos como glúteo máximo e isquiotibiais não poderão contrair de forma isométrica porque senão não seria possível realizar o movimento de flexão do quadril durante o exercício. Assim, o trabalho isométrico é forte sobre reto abdominal.