A revista ISTO É em sua publicação 2175 de 20/07/2011 publicou uma reportagem sobre a marcha reversa na página 82. A Marcha reversa nada mais é do que o ato de correr, porém de costas sendo divulgado que estão existindo até competições da modalidade em Londres (Inglaterra) e no Brasil a rede de academias Runner, em São Paulo, pretende implementar o treino na sua grade de aulas.

     Evidentemente, por tratar-se de uma “forma de corrida” melhoras cardivasculares devem ser esperadas como já foram confirmadas pelo pesquisador Elmarie Terblanche (África do Sul), entretanto, outros benefícios indicados a modalidade são no mínimo controversos. Pode ser citada a melhora da visão periférica, esta “forma” de visão é aprimorada quando se tem um foco visual e busca-se verificar imagens turvas ao redor da imagem focal, isto não parece ocorrer na marcha reversa.

     A melhora do equilíbrio também é colocada por alguns como uma das adaptações geradas pelo método. Este ponto realmente parece ser possível de desenvolvimento, haja vista que, todo o ato dinâmico exige, em maior ou menor grau, equilíbrio.

     Divulga-se que a corrida reversa “queima” um terço a mais de energia que a corrida clássica. Isso parece, em um primeiro momento, estranho já que o envolvimento muscular não se modifica de forma acentuada assim não aumentando a participação muscular e, consequentemente, ao manter-se a intensidade do deslocamento similar nas duas formas de corrida, o gasto energético tende a permanecer praticamente inalterado.

     Argumentar que a corrida reversa também produz melhora na postura é no mínimo uma tese sem base científica, já que não trabalha músculos corretivos posturais, em termos de fortalecimento ou flexionamento específicos, como os trabalhos clássicos de RPG (reeducação postural global).

     Uma análise preliminar mostra que na marcha reversa o antepé é que tem contato inicial com o solo ao invés do retropé como na marcha clássica. A entrada do antepé pode minimizar o impacto já que em função de sua anatomia composta por vários ossos na região pode, em tese, produzir deformação e absorção de impacto no seu arco plantar (Kapandji, 1990).

     Ao experienciarmos a corrida de costas percebemos que o tendão patelar é fortemente solicitado já que ao estender o joelho, para projetar o corpo para trás durante a corrida, o quadríceps é requisitado em ação muscular de cadeia fechada repercutindo em elevada tensão sobre o tendão patelar e tuberosidade da tíbia (inserção tendínea). Desta forma, também percebemos que o corpo não foi “projetado” para deslocamentos reversos por tempo elevado o que pode forçar demasiadamente várias articulações do corpo em situações biomecânicas inapropriadas.

     Frente a essas informações, vejo que os colegas profissionais de educação física devem ter prudência ao implantar tal técnica de deslocamento como treinamento cardiovascular. Muito embora possa ocorrer um ganho aeróbico, pesquisas e avaliações de treinamento irão demonstra qual o nível de lesão suscitado pela técnica e quais os benefícios reais advindo desta prática.

     Assim, cuidado! Não podemos engolir mais um “enlatado” europeu ou americano sem o nosso crivo científico. O tempo e os estudos dirão se esta prática pode tornar-se saudável e produtiva de ser implantada como mais uma forma de exercitação corporal.

 

Texto produzido pelo Prof. Dr. João Moura

CREF 078
70-G/SC

Professor de graduação da Furb e Univali e Pós-Graduação do CCA