Durante a realização de uma série ocorrerá queda na velocidade de execução, o que do ponto de vista fisiológico é natural.

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Qual o motivo fisiológico que pode levar a redução da velocidade de execução durante as repetições finais de uma série?

Durante a realização de uma série de um determinado exercício é comum visualizar da metade para o final da série uma perda na velocidade de execução, ou seja na potência em que o aluno/cliente realiza a fase concêntrica do movimento. Diante disso, muito alunos/clientes ficam preocupados com esse cenário, porém é necessário que os profissionais de Educação Física venham a mencionar que isso é natural, isto é está dentro do esperado.

Um dos aspectos que podem levar a redução na velocidade de execução e posterior falha momentânea concêntrica é a queda na capacidade de recrutamento de unidades motoras. Para entender melhor esse aspecto fisiológico, imaginemos que o aluno/cliente para executar o exercício de supino reto com 80kg, necessita recrutar 80% das suas unidades motoras, lembrando que uma unidade motora é um neurônio motor alfa e todas as fibras musculares que ele inerva. Dessa forma, o aluno/cliente inicia a série com essa 80% das unidades motoras trabalhando. Porém, ao longo da série em virtude de alguns aspectos fisiológicos (que serão discutidos a seguir no texto), algumas unidades motoras começaram a perder a sua capacidade de produzir força. Assim, imaginemos que lá pela décima repetição somente 70% unidades motoras continuam trabalhando, ou seja produzindo força. Porém, diante disso, outras unidades motoras que não haviam sido recrutadas começam a entrar no trabalho para “substituir” as unidades motoras que entravam em fadiga.

Porém, em um determinado momento da série até mesmo as unidades motoras que foram acionadas para “substituir” aquelas que estavam entrando em fadiga também começaram a falha. Diante disso, ocorrerá uma queda na velocidade de execução durante a fase concêntrica. Portanto, ao continuar a série mais unidades motoras começaram a fadigar. Com isso, quando chegar um determinado número de repetições mais unidades motoras irão falhar, o que repercutirá em uma incapacidade do aluno/cliente manter a realização da série, assim ocorrendo a falha momentânea concêntrica. Pois, as unidades motoras que continuam trabalhando não tem mais capacidade de vencer a resistência imposta.

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Quais os aspectos fisiológicos que podem levar a ocorrência de falha das unidades motoras e com isso a perda da velocidade de execução?

Em exercícios onde as series são executadas com tempos de tensão muscular entre 20 a 40s, ocorrerá uma forte dependência dos sistemas dos fosfagênios de alta energia (ATP + fosfocreatina) e sistema glicolítico para liberação e energia visando a resistência da molécula de ATP.

Entretanto, a forte dependência do sistema glicólitico anaeróbio de energia tem por característica a elevação exacerbada na produção de lactato, que embora não seja a causa, pode estar associado a fadiga e redução na força que o músculo é capaz de produzir. Um outro fator é a produção de íons hidrogênio que leva uma queda no PH celular e sanguíneo. Assim, esses aumentos nos íons hidrogênio e diminuição do PH possivelmente podem ser os maiores colaboradores da geração de fadiga por meio da diminuição da liberação de cálcio do reticulo sarcoplasmático. O que pode levar a fadiga de algumas unidades motoras.

A literatura demonstra que a fragmentação da concentração intramuscular de lactato com exercício intenso, em conjunto com um aumento no PCO2, resulta em um aumento nos íons hidrogênio, que contribui para redução do PH. Com isso, esse aumento na acidez e redução no PH podem causar alguns “problemas” com as reações químicas nos ciclos metabólicos dos sistemas de energia o que produzirá uma desaceleração na produção de ATP. Por exemplo, um inibição de importantes enzimas glicolíticas, como a fosfofrutoquinase, que é uma enzima limitante da taxa de glicólise, pode desacelerar a glicólise com redução no PH. Esse cenário poderá interferir nos processos químicos das células muscular, inclusive nos processos de produção de mais ATP e alterar a permeabilidade dos íons da membrana, como sódio e potássio. Isso, por sua vez, resultará em hiperpolarização, que inibe a glicólise por meio da regulação alostérica da função enzimática e aglutinação da cálcio e a proteína troponina.

Assim, esses aspectos filológicos descritos acima em conjuntos com uma redução na capacidade de condução dos potenciais de ação, em virtude por exemplo de queda nos número de neurotransmissores (acetilcolina), parecem ser responsáveis pela queda no recrutamento de unidades motoras e com isso uma redução na velocidade de execução e a falha.

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Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e entenda porque ocorre queda na velocidade de execução durante uma série.