Para avaliar a flexibilidade da musculatura posterior, pode-se aplicar o teste de sentar e alcançar ou banco de Wells.

A flexibilidade juntamente com as valências biomotoras de resistência de força são determinadas pela literatura como essências para um ótimo desempenho dos esportes e das atividades do dia a dia. Bons níveis de flexibilidade são importantes para a manutenção também de uma boa postura corporal.  Diante disso, é importante que os personais trainers ou professores de Educação Física que atuam nas academias de ginástica realizem além das avaliações antropométricas e de força, também avaliações dos níveis de flexibilidade de seus clientes. Para isso, a literatura apresenta algumas formas de medida. Em situações de laboratório é comum utilizar para medir a flexibilidade de um segmento o goniômetro ou flexômetro.

Todavia, em situações de campo, ou seja, situações não-laboratoriais pode-se utilizar o teste de sentar e alcançar, ou seja, o famoso banco de Wells.  Dessa forma, sendo o teste mais utilizado no meio das academias para avaliar níveis de flexibilidade.  Para isso, o personal trainer necessitará adquirir o bando de Wells. De posse do banco, ele (personal treinar) solicitará ao seu cliente que sente ao solo, com os joelhos totalmente estendidos, tornozelo em posição neutra, calcanhares tocando o solo e a parte inferior dos pés em contato com o banco. Em seguida, o personal trainer ou avaliador deverá solicitar ao indivíduo que realize o movimento de flexão de toda coluna vertebral e do quadril, empurrando um anteparo que está sobre a fita métrica imposta sobre o banco. É importante salientar que nesse momento o indivíduo não realize um movimento balístico e sim de forma lenta até a sua capacidade máxima. Durante todo o movimento os cotovelos deverão estar totalmente estendidos.

O que é, e quais os tipos de flexibilidade?

A flexibilidade é definida como a amplitude de movimento em que uma articulação ou série de articulações que reflete a capacidade das estruturas musculotendíneas de se alongarem dentro dos limites físicos da articulação. A literatura cientifica aborda que existem dois tipos de flexibilidade, estática e dinâmica.

A flexibilidade estática é definida como amplitude de movimento ao redor de uma articulação sem levar em conta a facilidade nem a rapidez com que essa amplitude de movimento é conseguida. Por outro lado, a flexibilidade dinâmica é definida como a resistência ao movimento em uma articulação que irá afetar a facilidade e a rapidez com que uma articulação consegue movimentar-se através da amplitude de movimento e, mais recentemente, como o ritmo de aumento na tensão em um músculos contraído ou relaxado a medida que o mesmo é alongado. Ou seja, a flexibilidade dinâmica é responsável pela resistência ao alongamento. A flexibilidade dinâmica é incontestavelmente a mais importante das duas quando são levados em conta os desempenhos atléticos, especialmente eventos esportivos de alta velocidade, ou a condição de saúde ou de doenças das articulações, por exemplo artrite. Ela é medida como inflexibilidade ou rigidez. Já o oposto de inflexibilidade é a complacência ou seja, a alteração em resposta a uma força resistiva. Um grande problema identificado pela literatura é que não existem uma técnica de mensuração padronizada que possa ser usada em circunstâncias pratica para avaliar a flexibilidade dinâmica.

Diante dessas poucas informações na literatura sobre a flexibilidade dinâmica a seguir no texto serão descritos os fatores que potencialmente limitam o grau de flexibilidade estática.

Quais os fatores que potencialmente influenciam a capacidade de flexibilidade estática de um indivíduo?

Estudos apresentam que vários fatores anatômicos poderão afetar o grau de flexibilidade de uma articulação. Um primeiro fator apontado é o arranjo estrutural real da articulação. Ou seja, a maneira em que os ossos se articulam parecem influenciar de maneira expressiva o grau de flexibilidade estática de uma articulação. Cada articulação possui um configuração óssea específica, que em geral não pode e não deverá ser alterada. Um outro fator que parece influenciar o grau de flexibilidade são os tecidos moles localizado ao redor de uma articulação, sendo eles: pele, ligamentos, fáscia, músculos e tendões. Em circunstâncias normais a pele exerce pouquíssima influência sobre a amplitude de movimento. Já os ligamentos que tem por principal característica fornecer estabilidade a articulação, com isso toda e qualquer restrição criada por eles (ligamentos) é considerada tanto necessário como benéfica a saúde articular. Assim, a literatura especializada apresenta que os músculos e os tecidos conjuntivos são os principais fatores que determinam a flexibilidade e que são alterados pelo treinamento de flexibilidade.

Os músculos opõem-se ativamente ao alongamento através da contração e se opõem passivamente ao alongamento em virtude dos elementos não contrateis da elasticidade e da plasticidade. Por exemplo para entender melhor a diferença entre as propriedades elástica e plásticas pode ser mais bem exemplificado pensando acerca de uma faixa de borracha versus um balão. Ou seja, se a faixa de borracha for distendida e a seguir, for solta, normalmente deveria retornar ao seu comprimento normal. Esse comportamento ocorre quando a borracha é nova e quando não foi distendida demasiadamente frequentemente. Essa característica é chamada de elasticidade. Por outro lado, encher um balão com ar também serve para distende-lo. Todavia, quando permite-se a saída de ar do interior do balão, ele (balão) não retornará ao seu tamanho original. Essa característica é denominada de plasticidade.

Diante disso, o que tenta-se produzir durante um treinamento de flexibilidade é influenciar a deformação plástica para que o grau de alongamento persista quando é removido a força responsável pelo estiramento.

Qual a importância de apresentar bons níveis de flexibilidade?

A flexibilidade e a distensibilidade são importantes para as tarefas da vida diária como por exemplo, calçar um sapato e alcançar as prateleiras mais alta de uma cozinha para pegar um utensilio doméstico. Apresentar bons níveis de flexibilidade também são importantes para obter-se um bom relaxamento muscular, gerar equilíbrio muscular entres músculos agonista e antagonista e consequentemente a preservação de uma boa postura. A literatura apresenta que a realização de treinamentos de flexibilidade é importante por dois fatores, sendo eles: 1) como preparo para atividades, que irão aprimorar a sua execução e 2) como meio de reduzir a probabilidade de surgimento de lesões durante a atividade física.

Não há dúvidas que a flexibilidade é importante para o desempenho nos esportes. Entretanto, é obvio que o grau necessário de flexibilidade irá diferir de acordo com cada esporte. A seguir será listado no texto a necessidade de flexibilidade para algumas modalidades esportivas:

– Modalidades esportivas que exigem necessidade de grande flexibilidade em articulações especificas: patinação artística, ginástica, mergulhos, corrida com barreiras, provas de arremessos, dança e caratê;

– Modalidades esportivas que exigem níveis de flexibilidade acima dos níveis normais em uma ou mais articulações: Saltos, natação, lutas, eventos esportivos de altas velocidades, esportes com raquete;

– Modalidades esportivas que exigem níveis de flexibilidade normais nas articulações envolvidas: Boxe, trote ou corrida de longa distância, arco e flecha, tiro ao alvo, jogos sobre o gelo, basquete, ciclismo, patinação, equitação e treinamento de resistência.

Altos níveis de flexibilidade podem reduzir a ocorrência de lesões?

É comprovado na literatura que músculos, tendões e ligamentos são os tecidos lesionados com maior frequência no trabalho e na participação em atividades esportivas e de aptidão. Entretanto, ainda não existe na literatura evidencias conclusivas de que altos níveis de flexibilidade ou os aprimoramentos nessa valência biomotora poderão ser capazes de proteger os indivíduos da ocorrência de lesões ou da gravidade das mesmas.  Todavia, existem algumas evidências na literatura corrente que a hipermobilidade, ou as estruturas ligamentares frouxas, podem predispor alguns indivíduos para as lesões e lombalgias.

Por fim, é preciso salientar que indivíduos com flexibilidade precária para uma tarefa que pretende realizar correm provavelmente um maior risco de ultrapassar os limites de extensibilidade da unidade musculotendínea. Com isso, esses indivíduos devem tentar melhorar seus níveis de flexibilidade. Da mesma forma, indivíduos, cujos esportes podem causar um encurtamento inadequado em certos músculos, devem realizar exercícios de alongamentos para contrabalancear essa tendência. Por outro lado, indivíduos que apresentam hipermobilidade terão que concentrar-se no fortalecimento da musculatura ao redor dessas articulações.

Quais os métodos que são utilizados para mensurar a flexibilidade de um indivíduo?

A mensuração da flexibilidade em laboratório mede habitualmente o deslocamento angular (em graus) entre segmentos adjacentes ou a partir de um determinado ponto de referência. Essas mensurações habitualmente são obtidas através de um goniômetro ou um flexômetro. Para realizar a avaliação da flexibilidade através do goniômetro é necessário que o avaliador coloque o centro do aparelho sobre a articulação ao redor da qual o movimento irá ocorrer e os ramos ou hastes sejam alinhados com os segmentos corporais ao redor da articulação. Por exemplo, para medir a amplitude de movimento na articulação do cotovelo, o centro do goniômetro deveria coincidir com o cotovelo, o ramo estacionário deveria ficar alinhado com o braço e o ramo móvel deveria ficar alinhado com o antebraço.

Como descrito acima no texto as medidas de flexibilidade poderão ser obtidas através de um flexômetro. Este instrumento possui um mostrador ponderado de 360° e um ponteiro. Com isso ao utilizar esse instrumento (flexômetro) a amplitude de movimento ou flexibilidade é medida em relação a gravidade. Para isso, o instrumento é conectado ao segmento corporal que vai ser movimentado e o mostrador é travado em 0° em um extremo da amplitude de movimento. Em seguida, o indivíduo deverá executar o movimento e o ponteiro é travado no outro extremo da amplitude de movimento. Com isso, a amplitude de movimento poderá ser lida.

As medidas da flexibilidade poderão ser realizadas passivamente, caso em que a força externa causa o movimento através da amplitude de movimento, ou ainda podem ser realizadas de forma ativa, caso em que o indivíduo que está sendo testado utiliza a ação muscular para produzir o movimento. Já os métodos de campo para determinar a flexibilidade envolvem tipicamente mensurações lineares das distâncias entre os segmentos ou a partir de um objeto externo. Alguma variação do teste ortostático ou de sentar e alcançar constitui o teste de flexibilidade mais popular. No teste de sentar e alcançar ou banco de Wells incialmente o indivíduo deverá estar, com os joelhos totalmente estendidos, tornozelo em posição neutra, calcanhares tocando o solo e a parte inferior dos pés em contato com caixa. Em seguida com os cotovelos totalmente estendidos o avaliador solicitará que o indivíduo com a ponta dos dedos empurre um anteparo que está sobre a fita de medida sobre a caixa, de forma lenta sem realizar movimentos bruscos. Com isso, o avaliador deverá registar a maior distância alcançada.

O que a literatura apresenta sobre o teste de sentar e alcançar ou banco de Wells?

Desde meados de 1940 até medos de 1980 o teste ortostático ou de sentar e alcançar era descrito como um teste de flexibilidade, de mobilidade ou de extensibilidade para região lombar e do quadril (músculos isquiotibiais, glúteo máximo). Entretanto, desde meados de 1980 foram publicados vários estudos mostrando claramente que, apesar de o teste ortostático de sentar e alcançar ser um teste válido de flexibilidade os músculos isquiotibiais, parece não ser um teste válido para análise da região lombossacra.

Devido a sua utilização generalizada como o único teste de flexibilidade nas baterias de teste para aptidão física, o teste de sentar e alcançar ou bando de Wells era interpretado com frequência, porem incorretamente, como uma medida da flexibilidade corporal total. Isto é, quando demonstrava-se que o indivíduo possuía uma boa flexibilidade com a utilização desse teste, admitia-se uma flexibilidade igualmente boa em outras unidades musculoesqueléticas. Porém, apesar desse pensamento ser atraente em termo de simplicidade e de facilidade de execução dos testes, segundo a literatura ela parece não ser precisa.

É preciso lembrar que a flexibilidade é altamente específica para determinadas localizações, ou seja, cada articulação tem uma capacidade de amplitude.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e visualizem como realizar de forma adequada o teste de sentar e alcançar ou banco de Wells para avaliar a flexibilidade da musculatura posterior do corpo.