A magnitude das respostas agudas cardiovasculares em um treino aeróbio dependerão da intensidade, duração, nível de condicionamento físico e também da temperatura ambiente.

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Durante o treino aeróbio de leve a moderada e de curta duração, o volume sistólico, frequência cardíaca, pressão arterial sistólica aumentam rapidamente no início do exercício e alcançam um estado estável dentro de aproximadamente dois minutos. Por sua vez, a pressão arterial sistólica mantem-se relativamente inalterada e a resistência periférica cai rapidamente em seguida alcançando um platô. Já durante uma sessão de treino aeróbio com intensidade de moderada a intenso e de longa duração o débito cardíaco, volume sistólico, frequência cardíaca, pressão sistólica aumentam rapidamente. Entretanto, uma vez alcançado o estado estável, o débito cardíaco permanece relativamente constante em virtude do desvio descendente do volume sistólico e do desvio ascendente da frequência cardíaca. A pressão arterial sistólica e a resistência periférica também poderão sofrer um desvio descendente durante um treino aeróbio pesado e prolongado. Esse fenômeno pode estar associado a uma elevação na temperatura corporal.

Qual o comportamento ou respostas agudas ao treino aeróbio submáximo de intensidade leve a moderada de curta duração?

Segundo alguns livros de fisiologia do exercício pode-se classificar um treino aeróbio submáximo de intensidade leve a moderada entre 30 % a 74% do Vo2máx com um tempo de execução de cinco a 10 minutos. Logo no início de um treino aeróbio com intensidade de leve a moderado e de curta duração ocorre primeiramente um aumento no débito cardíaco até que se alcance um platô em estado estável. Em média esse platô citado acima ocorrerá nos dois primeiros minutos do exercício, dessa forma refletindo que o débito cardíaco é suficiente para transportar o oxigênio necessário para atender as demandas metabólicas as atividades (ressíntese de ATP de forma aeróbia). A varável débito cardiáco aumenta em virtude de uma elevação inicial no volume sistólico de ejeção e da frequência cardíaca. Importante salientar que ambas as variáveis estabilizam-se no transcorrer de 2 minutos.

Na sequência será descrito os acontecimento fisiológicos que determinaram as alterações fisiológicas nas variáveis citadas. Obviamente o que será descrito é baseado em indivíduos sadios.

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Quais os ajustes fisiológicos que produzem o aumento do volume sistólico durante um treino aeróbio de intensidade leve a moderada e de curta duração?

O aumento do volume sistólico ocorrerá em virtude de uma elevação do retorno venoso, que por sua vez produzirá um aumento do volume diastólico final ventricular esquerdo, denominado pré carga. O fenômeno da pré –carga aumentada desencadeará uma maior distensão no miocárdio produzindo assim uma maior força de contração do mesmo. Devemos lembrar ainda, que a contratilidade do miocárdio é influenciada diretamente pelo sistema nervoso autônomo, mais precisamente pela sua via simpática, que é ativada durante os exercícios ou atividades físicas. Diante disso, um aumento no volume diastólico final ventricular esquerdo conjuntamente a um redução no volume sistólico final ventricular esquerdo serão os responsáveis pelo aumento no volume sistólico durante um treino aeróbio de intensidade leve a moderada e de curta duração.

De que forma ocorre o aumento da frequência cardíaca de da pressão arterial em um treino aeróbio de intensidade leve a moderada e de curta duração?

A variável fisiológica frequência cardíaca aumenta logo no início da sessão de treino em virtude de uma privação da atividade parassimpática. Com isso, os incrementos nos valores da frequência cardíaca em virtude do aumento da intensidade do exercício são responsáveis pela ação do sistema nervoso simpático.

Por sua vez, a pressão arterial em um treino aeróbio de intensidade leve a moderada aumentara-se em um padrão muito semelhante ao do débito cardíaco, ou seja observa-se um aumento inicial e um platô após o indivíduo alcançar uma intensidade de corrida estável. O aumento da pressão arterial sistólica é diretamente induzida pelos incrementos no débito cardíaco. Já a pressão arterial diastólica mantem- se praticamente constante (80 mmhg), em consequência de uma vasodilatação periférica, que facilita o fluxo sanguíneo para os músculos ativos. Diante desses ajustes fisiológicos descritos da pressão arterial sistólica e devido a um ausência de modificação da pressão arterial diastólica, isso fará com que a pressão arterial média evidencia apenas uma ligeira elevação, repercutindo quase que exatamente o mesmo comportamento da pressão arterial sistólica.

O aumento da pressão arterial média é determinado diretamente pelas modificações relativas no débito cardíaco e na resistência periférica total. A resistência periférica total diminuirá em virtude da vasodilatação produzida nos músculos ativos. Essa vasodilatação possivelmente é induzida pela produção dos co-produtos lactato e K+. Porém, pelo fato de um aumento no débito cardíaco ser maior que a redução na resistência, a pressão arterial média aumenta ligeiramente durante o treino aeróbio.

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Qual o comportamento do miocárdio durante um treino aeróbio de intensidade leve a moderada?

Como já era de se esperar o miocárdio será retirado do seu trabalho de “repouso”. Diante disso o consumo de oxigênio aumentará, porque o coração terá que trabalhar de forma mais intensa e constante para bombear (ejetar) a quantidade de sangue adequada para suprir as necessidades metabólicas dos músculos ativos.

Um ponto muito importante a salientar é que a intensidade e magnitude das alterações ou adaptações agudas das variáveis aqui apresentadas dependerão da intensidade, das condições ambientais (quente ou frio), da constituição genética e do nível de adaptações do indivíduo.

Na sequência será descrito quais as adaptações agudas que ocorrem em um treino aeróbio submáximo com intensidade moderada a intensa de longa duração.

Quais ajustes fisiológicos ocorrem nas variáveis cardiovasculares em um treino aeróbio com intensidade moderada a intenso e de longa duração?

Livros de fisiologia consideram um treino aeróbio de moderado a intenso e de longa duração quando o indivíduo exercita-se entre 60-85% do seu VO2 máx, por mais de 30 minutos. Semelhante ao que ocorre em um treino aeróbio com intensidade de leve a moderada, a variável débito cardíaco aumenta rapidamente durante os primeiros minutos do exercício, em seguida alcançando um platô mantendo-se em um nível relativamente constante durante todo exercício, obviamente se o mesmo manter-se no mesmo nível. Entretanto, já é esperado que o débito cardíaco absoluto que poderá ser alcançado será maior que o mesmo alcançado em um treino aeróbio leve. Como citado no treino aeróbio leve e moderado de curta duração o aumento no débito cardíaco será induzido por um aumento tanto no volume sistólico quanto na frequência cardíaca.

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Como ocorre o ajuste da variável volume sistólico em um treino aeróbio com intensidade moderada a intensa de longa duração?

A variável volume sistólico exibe um aumento rapidamente durante os primeiros minutos do exercício, alcançando um platô em um nível máximo após o indivíduo alcançar um carga de trabalho entre 40 a 50% do seu VO2 máx. O volume sistólico mantear-se relativamente constante durante os primeiros 30 minutos de um exercício intenso.

Da mesma forma que ocorrerá em um treino aeróbio de intensidade leve a moderada (citada acima no texto), os incrementos no volume sistólico resultará de um retorno venoso aumentado, em conformidade com a lei de Frank-Starling e conjuntamente a um maior estimulação nervosa simpática.  Dessa forma, as alterações no volume sistólico ocorrerão em virtude de um aumento do volume diastólico final ventricular esquerdo e o volume sistólico ventricular final esquerdo diminui. É importante salientar que o volume diastólico final esquerdo aumenta em virtude do retorno do sangue venoso ao coração por parte da bomba muscular ativa (maior venoconstrição), ou seja, redução da estase venosa e aumento do retorno venoso e do débito cardíaco aumentado. Já o volume sistólico final ventricular esquerdo diminui em virtude da contratilidade aumentada do coração, que ejetará mais sangue do ventrículo esquerdo deixando, assim, consequentemente um menor volume residual nos ventrículos.

Como estamos falando agora sobre exercício de longa duração (mais de 30 minutos), após esse período temporal o volume sistólico poderá sofrer um desvio descendente, mais permanecerá elevado acima dos valores de repouso. Esse desvio poderá ocorrer mais provavelmente em virtude ao estresse termorregulador, acoplado a uma perda de plasma e ao redirecionamento do sangue par ao vasos cutâneos na tentativa de dissipar o calor produzido pelo metabolismo.

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Qual o comportamento da frequência cardíaca em um treino aeróbio moderado a intenso e de longa duração?

A frequência cardíaca terá um aumento até atingir um platô em estado estável. Ou seja, a variável frequência cardíaca aumenta acentuadamente durante os primeiros dois minutos, já sua magnitude de incremento dependerá da intensidade do treino aeróbio realizado. Da mesma forma como em um treino aeróbio de leve a moderado e curta duração em um exercício de moderado a intenso e longa duração seu aumento será indivíduo por uma privação parassimpática e pela ativação do sistema nervoso simpático. Porém, após 30 minutos a frequência cardíaca assumirá um desvio ascendente, ou seja, ela (frequência cardíaca) aumentará proporcionalmente a redução do volume sistólico. Essa fenômeno fisiológico ocorre para que mantenha-se o débito cardíaco durante o treino aeróbio.

As mudanças identificadas nas variáveis cardiovasculares, particularmente na frequência cardíaca e no volume sistólico no treino aeróbio submáximo intenso e de longa duração sem que ocorra qualquer alteração na intensidade de treino, são conhecidas e denominadas de desvio ou flutuação cardiovascular.

Qual o comportamento da variável cardiovascular da pressão arterial no treino aeróbio submáximo intenso?

A pressão arterial sistólica eleva-se rapidamente durante os primeiros dois minutos de exercício. Um ponto importante a salientar que a magnitude de sua elevação dependerá da intensidade do exercício. Na sequência a pressão arterial sistólica mantem-se relativamente constante ou sofre um ligeiro desvio descendente como resultado da vasodilatação continua em virtude de uma diminuição concomitante da resistência. Por sua vez, a pressão arterial diastólica não modifica-se ou apenas sofrerá modificações muito pequenas e sem qualquer significado fisiológico durante o exercício prolongado em um ambiente termoneutro. Entretanto, a pressão arterial diastólica poderá cair ligeiramente quando o treino aeróbio é realizado em um ambiente aquecido em virtude da maior vasodilatação resultante do calor. Em virtude do fato da pressão arterial sistólica sofrer um aumento e da pressão arterial diastólica manter-se em níveis relativamente estáveis, a pressão arterial média aumenta moderadamente durante uma atividade prolongada.

Como ocorrerá a distribuição do débito cardíaco durante um treino aeróbio submáximo intenso?

Quando o indivíduo está em repouso o débito cardíaco é de aproximadamente 5,8 l/mim, porém, quando o indivíduo passa para executar um exercício o débito cardíaco poderá aumentar até 17,5l/mim. A alteração mais drástica do débito cardíaco durante o exercício é o aumento dramático no fluxo sanguíneo para os músculos ativos, que passarão em média a receber 71% de todo o débito cardíaco. O fluxo sanguíneo cutâneo também aumentará para atender as demandas termorreguladoras, a quantidade absoluta de fluxo sanguíneo também aumentará para o miocárdio, porém o débito cardíaco se manterá constante. Já a quantidade absoluta de fluxos sanguíneo cerebral será mantida o que significa que o percentual de débito cardíaco distribuído para o tecido neural diminui. Por fim, o fluxo sanguíneo tanto renal quanto esplânico  diminui ainda mais a medida que aumenta o intensidade do treino aeróbio.

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Seguidores, não percam o vídeo de hoje e saibam de que forma ocorrem as respostas fisiológicas cardiovasculares agudas durante um treino aeróbio.