Por que se faz normalização?

Na maioria dos estudos que utilizaram a eletromiografia de superfície para observar qual o padrão de atividade eletromiográfica em um determinado movimento ou exercício, aplica-se a Contração Isométrica Voluntária Máxima (CIVM). Este procedimento é identificado como normalização. Ou seja, para realizar este procedimento se padroniza um determinado ângulo articular, aplica-se resistência manual ou outra forma para “travar” a tendência de movimento e se solicita para que o voluntário venha a executar forma máxima. Assim, como o movimento está sendo travado a contração passa a ser isométrica. Com isso, é possível identificar a atividade eletromiográfica máxima de um músculo em determinado ângulo articular.

A CIVM é importante para que se possa observar qual o percentual de atividade eletromiográfica de um determinado músculo em um exercício e até mesmo comparar qual o % de atividade entre músculo para um exercício. Ou seja, é um forma de relativizar para se conseguir comparar músculos e também o mesmo músculo em diferentes exercícios.

No entanto, é possível observar na literatura diferentes técnicas, ou seja posições articulares para se realizar a CIVM. Como foi observado na última vídeo aula, a atividade eletromiográfica máxima da cabeça longa do tríceps teve alteração ao posicionar de forma diferente a articulação glenoumeral. Provavelmente em virtude da relação comprimento tensão, particularmente para músculo biarticulares, ao posicionar em diferentes posições articulares a atividade eletromiográfica máxima terá um valor diferente.

Mas, se mudar a posição da articulação do cotovelo também altera o valor de CIVM para cabeça longa do tríceps?

Nesta vídeo aula o experimento realizado foi produzir a manipulação da articulação do cotovelo. Assim, observou-se que a atividade eletromiográfica foi maior para o Kayus   e Letícia ao realizar a CIVM com o cotovelo em maior extensão em relação a realizar com o cotovelo mais flexionado.

Este comportamento possivelmente ocorreu em virtude que na posição com o cotovelo mais flexionado produz um alongamento na cabeça longa do tríceps, produzindo uma redução a ligação das cabeças de miosina com o sítio ativo de actina, pois a cabeça alonga foi alongada. Diante disso, ocorreu uma menor formação de pontes cruzadas, o que pode ter repercutido em menor atividade eletromiográfica máxima.

O que se deve observar nos estudos de eletromiográfica?

Portanto, é necessário que o leitor esteja bem atento a posição articular foi realizado a CIVM para um determinado grupo muscular. Ou seja, observar se o mesmo não encontrava-se em um insuficiência ativa ou passiva. Um outro ponto importante a analisar é se esse músculo a ser analisado tem como característica ser bi ou monoarticular. Pois se for biarticular a posição de uma articulação poderá influenciar na capacidade de produção de torque e consequentemente na atividade eletromiográfica máxima.

Este é um cuidado importante e principalmente quando realiza-se comparação entre diferentes estudos, pois as posições ao qual foi realizado a CIVM podem ter sido diferentes.

Alunos, analisem a vídeo aula!!!