Quais as variações da elevação lateral?

Um dos exercícios mais executados para trabalhar deltoide, porém, principalmente o feixe medial é a elevação lateral com halteres. Esta pode ser executada de forma bilateral, unilateral, inclinado no banco, e até mesmo na polia.

Entretanto, dentro da execução com halteres existem algumas variações que podem ser visualizadas. Ou seja, é comum se observar a elevação lateral realizada com o úmero ou ombro em posição neutra, em rotação interna ou externa. Na maioria das vezes se busca realizar a elevação lateral com rotação interna para aumentar o espaço subacromial e portanto, evitar que ocorra alguma impacto sobre as estruturas da articulação glenoumeral, principalmente para pessoas que apresentam acrômio ganchoso.

Um ponto importante a salientar é que quando o indivíduo realiza o movimento de abdução glenoumeral, inevitavelmente e independente do tipo de acrômio, ocorrerá uma redução do espaço subacromial, em virtude da aproximação do tubérculo maior do úmero do acrômio. Este cenário ocorre entre 60 a 90° de abdução, obviamente ocorre a variabilidade de cada pessoa. No entanto, para pessoas que já apresentam o acrômio ganchoso, essa redução do espaço será ainda maior, assim tendo maior risco de impacto.

Diante disso, para evitar esse indesejado é muito comum observarmos os profissionais orientando seus clientes a executarem a elevação lateral com rotação externa do úmero.

Mas, por que realizar a elevação lateral com rotação externa?

A justificativa para essa estratégia é em que, ao realizar essa “manobra“ a cabeça do úmero “roda” e o tubérculo maior do úmero é projetada posteriormente. Assim, aumentando o espaço subacromial.

Novamente, é importante salientar que isso não é uma regra, apenas para ser uma estratégia para clientes que já apresentam previamente uma redução do espaço subacromial.

Então, ocorre modificação na atividade eletromiográfica ao realizar a elevação lateral com o ombro em neutro, rotação interna e externa?

Neste experimento realizado onde o indivíduo manteve em contração isométrica há aproximadamente 90° de abdução observou-se os seguintes resultados:

 – Deltoidea medial: apresentou uma maior atividade eletromiográfica na execução com o úmero em posição neutra;

– Deltoide anterior: apresentou maior atividade eletromiográfica na execução com o úmero em rotação externa;

– Deltoide posterior: apresentou maior atividade com o úmero em rotação interna.

Treino_em_foco_variações_elevação_lateral

Qual a justificativa para esses resultados?

A maior atividade para deltoide anterior ao realizar a elevação lateral com rotação externa, parece ocorrer em virtude das fibras deste músculo nesta posição apresentarem uma melhor linha de tração para o movimento. Esta também parece ser a justificativa para a maior atividade do deltoide posterior ao realizar com rotação interna, e maior atividade do deltoide medial ao realizar com ombro em posição neutra.

Aplicação prática?

Portanto, caso objetivo seja realizar a elevação lateral com uma menor participação do deltoide feixe anterior e posterior, parece interessante realizar com o ombro ou úmero em posição neutra.

Por outro lado, se o objetivo é colocar um trabalho maior sobre o feixe anterior a execução com rotação externa seria interessante, e por fim para aumentar a contribuição do feixe posterior a execução com rotação interna. No entanto, particularmente para a rotação interna, e necessário tomar cuidado em virtude da projeção do tubérculo maior do úmero anteriormente e com isso, um já previa redução do espaço subacromial. Portanto, para produzir um maior trabalho sobre o deltoide posterior talvez seria interessante realizar movimentos de abdução transversal ou até mesmo extensão além do alinhamento do membro superior com o tronco.

Alunos, analisem a vídeo aula.