Para potencializar os ganhos de hipertrofia seria interessante o personal trainer estimular a conexão mente músculo

O que a ciência diz sobre a estratégia de conexão mente músculo?

Ao estratégia muito utilizada pelos personais trainers ao orientar o seu aluno/cliente a esmagar o músculo em cada repetição e assim manter uma conexão mente-músculo é conhecida no meio científico como foco interno. Ou seja, é caraterizada pelo individuo focar em vencer a resistência (peso) focando ou mentalizando no músculo alvo, por exemplo o peitoral maior no exercício de supino.

Em um estudo bem interessante de Snyder et al., (2012), os pesquisadores submeteram voluntários treinados em um momento, somente executarem o exercício, depois para se concentrar no peitoral e em outro momento no tríceps braquial, durante a execução do supino reto com 50 e 80% de 1RM. Notou-se, que ao orientar realizar o foco no peitoral há 50% de 1RM, ocorreu um aumento na ativação eletromiográfica em 22% deste músculo. Já aos 80% o aumento foi de 13.3% e 17.3% pra peitoral e deltoide anterior. Por outro lado, quando se orientou a realizar o foco no tríceps há 50%, ocorreu um aumento na ativação deste (tríceps) em torno de 25.7%, enquanto o peitoral e deltoide voltaram aos valores da execução sem orientação. Já a 80% não ocorreu diferença na ativação muscular do tríceps.

Em um outro estudo, agora crônico, ao investigar a influência de diferentes estratégias de foco em resposta crônica, Schoenfeld et al., (2018) identificaram que o Grupo Foco Interno (GFI), que foi orientado a “esmagar o músculo” em cada repetição, obteve ganhos de espessura muscular dos flexores do cotovelo significativamente maiores (12.4% vs 6.9%), quando comparado ao   Grupo Foco Externo (GFE) que foi orientado para “para erguer o peso” em cada repetição. Já para reto femoral (4.70% para GFI e de 6.13% para GFE) e vasto lateral (5.97% para GFI e de 5.56% para GFE), aumentos foram similares.

Portanto, parece que a estratégia de solicitar para que o aluno/cliente realize o foco interno, ou seja “esmague o músculo” durante a execução do exercício poderá gerar uma maior ativação do músculo alvo, maior estresse sobre o mesmo e consequentemente a longo prazo podendo produzir ajustes hipertróficos mais significativos.

Então, qual seria uma forma interessante para conduzir ao conexão mente músculo orientação verbal para um aluno/cliente que visa ganhos hipertróficos?

Diante do que foi apresentado na vídeo aula e no texto complementar o Treino em FOCO entende que para alunos/clientes que visam ganhos de hipertrofia muscular parece ser interessante o personal trainer estimular a conexão mente músculo. Assim, por exemplo em um supino reto seria interessante que o personal oriente ele (aluno/cliente) a vencer a resistência com o peitoral; já em um puxador frente seria interessante orienta-lo a vencer a resistência com o latíssimo do dorso. Ou seja, como já descrito no texto é importante que o foco seja realizado no músculo motor primário do exercício, como nos casos descritos acima. Um ponto importante a salientar, é que a redução de ativação de músculo aprece não ocorrer. Então, o personal trainer não deverá esperar que ocorra uma redução na ativação eletromiográfica por exemplo do tríceps ao orientar o aluno/cliente a focar no peitoral. Portanto, ocorrerá apenas um aumento na ativação do peitoral.

Por fim, para facilitar a conexão mente músculo uma estratégia que o personal trainer poderá utilizar é orientar o aluno/cliente para qual movimento o músculo alvo realiza, utilizar a anatomia palpatória sobre o músculo alvo e também realizar um feedback dentro da série e não apenas no início ou final.

Alunos, analisem a vídeo aula.