Como já comentamos, o TEF está buscando interagir com nossos seguidores de uma forma diferente. Estamos abrindo espaço para que você possa participar seus conhecimentos através da escrita de textos referente a temas específicos que lançamos. Hoje é o PRIMEIRO texto do SEGUIDOR TREINO EM FOCO. Lembrando que para semana que vem (09-15 de fevereiro) os temas são: Somatotipia e Composição corporal na avaliação inicial ao ingressar na academia. Você pode optar por um destes temas.

Então leiam com atenção o texto do nosso seguidor LEONARDO. 

IMC e Dobras cutâneas. O que isso importa para o praticante de musculação?

Leonardo Furtado,

Acadêmico de Nutrição pela Universidade Estadual do Ceará.

O primeiro passo para o iniciante na musculação, ao chegar à academia, é passar por algo que se apresenta a ele como uma “avaliação”. Essa avaliação vai variar de academia para academia. Algumas tiram medidas perimétricas e peso corporal; outras, que eu consideraria mais sofisticadas, possuem um profissional habilitado para manusear um instrumento chamado adipômetro, o que permite que os alunos passem pelo processo de medidas de dobra cutânea, sendo determinado o seu percentual de gordura; no outro extremo da situação, há as academias que não fazem nem ficha para o aluno, quem dirá aferir algum tipo de medida no mesmo. Mas estas não vem ao caso.

Falando sobre a tal avaliação. Ela, muitas vezes, não é entendida pela maioria dos iniciantes na musculação, da mesma forma que é totalmente ignorada por vários praticantes mais “experientes” (experientes aqui significa tão somente um considerável tempo de prática, não necessariamente uma bagagem de conhecimento teórico a ser aplicado no treino). Pegando o lado das pessoas que não entendem o objetivo da avaliação, podemos nos perguntar “e que diferença fará o fato de elas não entenderem a avaliação e seus objetivos?”. Particularmente, eu respondo com: “a continuidade do treino e a persistência do aluno recém ingressado na musculação depende do entendimento dessa avaliação e seus resultados.”.

Está tudo interligado da seguinte forma: desde os tempos de escola, é comum nos depararmos com a medida do IMC. Claro que em tal oportunidade, ele não é tão bem explicado como seria em um curso superior, mas, ainda assim, saímos deste primeiro “encontro” com pelo menos a fórmula do cálculo e o que ele envolve (peso e altura). É algo aparentemente simples, mas traiçoeiro. O uso da palavra “traiçoeiro” se dá porque a tendência é o praticante que tem esse conhecimento prévio achar que o IMC revela tão somente uma faixa de peso dita “saudável” para todo e qualquer tipo de pessoa. E é aí que está o engano; engano que se liga diretamente ao que falei antes, sobre a persistência no programa de treinamento.

Apesar do pouco tempo de academia (um ano), tenho aprendido bastante, e visto muita coisa também. Eu era um destes que descrevi. Achava que IMC era uma lei máxima para qualquer indivíduo, porém, conforme o tempo e os semestres na faculdade foram passando, meu conceito mudou e eu pude, finalmente, entender as mudanças no meu corpo (ainda bem que eu não pulei fora quando achei que havia algo errado). Como eu, existem muitos por aí. Já vi pessoas que desistiram do treinamento de musculação depois dos três primeiros meses porque o peso tinha aumentado, ao invés de diminuir.

Aí você para pra pensar: musculação exige esforço e perseverança. Dois ou três meses de adaptação já é complicado (principalmente, creio eu, para homens, que veem os outros pegando uma carga elevada e levantam, eles mesmos, cargas bem menores nessa etapa), ainda mais para aquele praticante que, por não entender a importância da avaliação antropométrica se baseia apenas pelo seu peso corporal e o vê maior cada vez que sobe na balança. Isso, para quem pensa em “emagrecer” é um pesadelo sem igual. Resultado, menos um aluno na academia; mais uma pessoa com tendência ao sedentarismo (apesar de saber que existem outras formas de atividade, ainda assim, considerarei uma provável sedentária)

Então vem a pergunta: onde estão os profissionais habilitados para orientar os alunos dentro da sala de musculação? A orientação é simples; explica o motivo do aumento do peso do praticante; e evita que ele abandone o programa porque seu IMC, de repente, era 22 Kg/m² e, agora, depois de alguns meses de musculação, seguindo direitinho os exercícios e sua ficha, se empenhando e pegando apenas as cargas indicadas pelo personal da academia, subiu para 23,5 Kg/m². Para o profissional, pode parecer óbvio que o músculo é bem mais compacto que a gordura e que este aumento de peso se deu por aumento de massa muscular, e não necessariamente (ou prioritariamente) de gordura corporal, o que justifica o aumento do IMC, já que o índice calcula apenas a “massa corporal”, sem distinguir massa gorda, massa muscular, massa óssea, ou massa total dos órgãos internos. Isso precisa ser explicado, e isso é facilmente provado de duas maneiras: a mais rudimentar seria a partir das medidas de tronco e quadril (que tendem a diminuir, mesmo com esse aumento de peso); outra seria, possuindo a academia um profissional que utilize bem o adipômetro, fazer um acompanhamento das medidas de dobra cutânea, que nos permitem determinar a porcentagem de gordura corporal e constatar se o aumento de peso acompanhou um aumento ou decréscimo deste percentual.

Essa é a primeira limitação do IMC. Ele não é parâmetro para acompanhamento de peso saudável em praticantes de musculação, assim como não o é para crianças ou adolescentes (o IMC aqui é traduzido para medidas de percentil) e, ainda, para idosos, que podem, dentre outros fatores, apresentar perca de massa óssea, o que causaria falsas interpretações do IMC.

De qualquer forma, é visivelmente necessária a explicação dos objetivos das avaliações às quais o aluno se submete periodicamente na academia, porque eles tendem sim a se basearem apenas no que veem como resultado na balança, e isso chega a ser aterrorizante para quem não tem um acompanhamento contínuo. Não adianta nada o personal ser alguém que faz perfeitamente as medidas programadas, mas não explica as implicações que elas vão ter sobre o treinamento e desenvolvimento corporal do aluno, como venho vendo nas academias que já visitei.