Em virtude de questões fisiológicas é extremante difícil o aluno/cliente conseguir manter um número de repetições fixos ao longo de séries realizadas até a falha concêntrica.

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Qual o comportamento que se pode esperar das repetições máximas ao longo das séries até a falha concêntrica?

Muitos alunos/clientes chegam na academia mencionando para o professor ou personal trainer que realizam em seus treinos por exemplo 4 séries de 10 repetições máximas até a falha concêntrica, com um minuto de intervalo de recuperação entre as mesmas. Também é comum identificar alunos/clientes que mencionam que executam 3 séries de 10 repetições máximas.

Entretanto, como sabemos esse comportamento não é possível. Ou seja, os alunos/cliente conseguirão na primeira séries executar as dez repetições máximas. Já com a realização de um intervalo de recuperação curto o número de repetições máximas cairá para 8 ou 7 na segunda série. Por sua vez, n terceira série o número de repetições máximas cairá para aproximadamente seis ou cinco repetições, e por fim na quarta série poderá ser realizado em torno de quatro a três repetições. Como podemos identificar, é comum quando realiza-se séries até a falha concêntrica com intervalo de recuperação curtos que o número de repetições máximas venha a ter uma queda ao longo das mesmas. Porém, caso o aluno/cliente execute as séries de forma submáxima, ou seja, sem chegar até o ponto de falha concêntrica provavelmente o número de repetições ao longo das séries poderá ser mantido ou terá um queda menor.

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Quais os motivos fisiológicos que podem levar a uma queda no número de repetições máximas ao longo das séries até a falha concêntrica?

Quando alunos/clientes executam séries de 10 repetições máximas até a falha concêntrica provavelmente o tempo de tensão muscular realizado irá girar em torno de 25 a 35 segundos. Diante disso, ocorrerá uma forte dependência para a ressíntese de ATP da fosfocreatina e a glicólise anaeróbia. Com isso, acontecerá uma depleção de fosfocreatina e acumulo de lactato e íons de hidrogênio. Esses fatores fisiológicas irão contribuir obviamente com outros para que ocorra uma queda na velocidade de execução e posteriormente a falha concêntrica.

Como já sabe-se na fisiologia uma vez os níveis de fosfocreatina esgotados, ocorrerá a necessidade de 20 a 48 segundos para restabelecer cerca de 50% da fosfocreatina, entre 40 a 96 segundos cerca de 75% serão restabelecidos, entre 60 a 144 segundos cerca de 87%. Dessa forma, dentro de dois a quatro minutos a maioria da fosfocreatina e também ATP serão restabelecidos. Acoplado a isso para uma remoção dos íons hidrogênio e lactato visando um restabelecimento do PH celular e sanguíneo, a literatura apresenta que necessita-se em média de quatro minutos

Diante do mencionado acima no texto, quando aplica-se um intervalo de recuperação curto (60 segundos ou menos) em séries até a falha concêntrica não ocorrerá uma recuperação adequada da fosfocreatina e uma remoção dos íons hidrogênio e do lactato. Dessa forma, o aluno/cliente já entrará na próxima séries com níveis de fosfocreatina, ATP menores e com um meio celular possivelmente mais ácido. Esses fatores farão com que ocorra uma corrosão do seu desempenho, e com isso possivelmente levando a uma queda no número de repetições máximas.

Portanto, em virtude dessas condicionantes fisiológicas descritas passa a ser impossível que os alunos/cliente consigam manter o número de repetições máximas em séries executadas até a falha concêntrica. Ou seja, a queda do número de repetições máximas é natural. Entretanto, se essa queda for muito significativa a ponto de amplitude repetições determinadas para o treino não serem atingidas, passa a ser interessante que o personal trainer venha a aumentar o intervalo de recuperação ou ainda faça uma redução na quilagem.

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Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e verifiquem as análises realizadas pelo professor João Moura.