Na realização da fase excêntrica do avanço ou afundo poderá ocorrer insuficiência passiva.

Quais os músculos que poderão entrar em insuficiência passiva durante a execução do avanço ou afundo?

Para entender quais os músculos que poderão entrar em insuficiência passiva durante a execução da fase excêntrica no avanço ou afundo, é necessário relembrar quais os movimentos que ocorrerão nessa fase. Pois bem, no membro inferior que está a frente ocorrerá os movimentos de flexão do quadril, flexão do joelho e uma dorsiflexão. Já no membro inferior que estará posicionado atrás, ocorrerá um movimento mínimo de extensão do quadril e uma significativa flexão dos joelhos.

Dessa forma, ao se produzir os movimentos articulares descritos no membro inferior que está atrás, dois músculos, principalmente, no final da fase excêntrica poderão entrar no seu grau de extensibilidade máxima. Com isso o indivíduo “sentirá” o esforço sobre a região anterior da coxa, caracterizando a entrada em insuficiência passiva. Pois como se sabe, durante essa fase do exercício (fase excêntrica) os músculos estarão sendo acionados em contração excêntrica para frear os movimentos produzidos pela resistência (peso da barra+ anilhas + força gravitacional).

Assim, os músculos envolvidos no exercício estarão sendo alongados sob tensão. Portanto, em virtude disso, potencialmente nos últimos graus da fase excêntrica o músculos reto femoral e o grupo iliopsoas poderão atingir sua extensibilidade máxima. Obviamente, poderão ter indivíduos que sentirão essa insuficiência passiva mais previamente e por outro lado alguns indivíduos sentirão essa insuficiência passiva mais tardiamente e ainda alguns indivíduos nem sentirão essa insuficiência passiva. Essa variação dependerá do grau de extensibilidade das fibras musculares desses dois músculos citados acima.

Mas por que o reto femoral e grupo iliopsoas poderão atingir sua extensibilidade máxima durante a fase excêntrica do avanço ou afundo?

Para entender porque o reto femoral e grupo iliopsoas poderão entrar em insuficiência passiva é necessário relembrar quais os pontos de fixações (origem e inserção) e os movimentos que esses músculos produzem. O músculo reto femoral tem sua origem localizada na espinha ilíaca anterossuperior e sua inserção está localizada junto a tuberosidade da tíbia pelo ligamento da pateta. Diante disso, pode-se entender que esse músculo “cruza” anteriormente tanto a articulações do quadril como do joelho. Assim, terá a capacidade de produzir os movimentos de flexão do quadril e extensão do joelho. Como durante a fase excêntrica estar-se produzindo um mínimo movimento de extensão do quadril e um grande flexão do joelho, o músculos reto femoral estará sendo alongado no quadril e também no joelho. Dessa forma, dependendo do grau de extensibilidade do indivíduo poderá atingir a sua extensibilidade máxima principalmente os últimos gruas da fase excêntrica. Em virtude desse fator alguns indivíduos quando executam o avanço ou afundo sentem forte a região anterior da coxa que está atrás. Um ponto importante a salientar, é que se o indivíduo posicionar o seguimento pé do membro inferior que está atrás mais para trás, durante a fase excêntrica produzira-se uma extensão do quadril ainda maior. Diante disso, o reto femoral poderá entrar em insuficiência passiva ou seja, atingir sua extensibilidade máxima mais precocemente.

Já o grupo iliopsoas é formado pelo músculos ílio/ilíaco e psoas maior. O ilíaco tem sua origem localizada na fossa ilíaca e na asa do sacro e sua inserção está localizada junto ao trocanter menor do fêmur. Por sua vez, o psoas maior tem sua origem localizada nos processos costiformes, face lateral dos corpos vertebrais e discos intervertebrais correspondentes as vértebras de T12 a L5. Já sua inserção está localizada também junto ao trocanter menor do fêmur como ocorre com o ilíaco. Assim, em virtude do posicionamento de inserção ser o mesmo, formam o grupo iliopsoas. Assim, em virtude dos seus pontos de fixações (origem e inserção) ambos os músculos “cruzam” anteriormente a articulação do quadril, sendo assim monoarticulares. Diante disso, tem a capacidade de produzir os movimentos de flexão e rotação lateral do quadril. Como durante a fase excêntrica do avanço ou afundo na perna que está atrás produzira-se uma extensão do quadril esse grupo muscular (iliopsoas) poderão atingir sua extensibilidade máxima, assim entrando em insuficiência passiva. Como ocorre com o reto femoral, caso o indivíduo venha posicionar o membro inferior que está atrás mais para trás, o iliopsoas poderá atingir sua extensibilidade máximas mais precocemente.

Qual o erro técnico que ocorrer em virtude da entrada em insuficiência passiva dos músculos reto femoral e o grupo iliopsoas?

Para entender qual o erro técnico de execução que poderá ocorrer em virtude da entrada em insuficiência passiva do reto femoral, é necessário relembrar que esse músculo tem capacidade de flexionar o quadril, estender o joelho e também de produzir o movimento de anteversão pélvica. Diante disso, provavelmente quando o reto femoral atingir a sua extensibilidade máxima e assim entrar em insuficiência passiva, se os músculos retroversores pélvicos (reto abdominal, glúteo máximo e grupo isquiotibiais) estiverem com um grau de força menor em comparação aos anteversores pélvicos, o reto femoral tracionará a espinha ilíaca anteroposterior para baixo e para trás, rodando a pelve em anteversão. Essa anteversão, possivelmente produzirá uma acentuação do grau de lordose lombar. Ou seja, podendo fazer com que o indivíduo entre em hiperlordose lombar.

Como já se sabe ao produzir uma hiperlordose lombar, ocorrerá um aumento na compressão posterior do disco intervertebral, em virtude da aproximação da face posterior do corpo vertebral superior da face posterior do corpo vertebral inferior. Assim, a carga axial não será mais dividida de forma homogênea sobre o disco intervertebral e com isso produzindo uma maior carga na face posterior do disco intervertebral. Esse cenário reduzirá a capacidade da coluna vertebral em sustentar essa carga será reduzida. Essas alterações poderá produzir um quadro de pinçamento discal.

Já a ocorrência da insuficiência passiva do grupo iliopsoas também poderá desencadear todo esse cenário descrito acima. Entretanto, um ponto importante a salientar, é que o psoas maior que forma o grupo iliopsoas tem uma parte da sua origem localizada sobre corpos vertebras e discos intervertebrais da décima segunda vértebra torácica até a quinta vértebra lombar. Diante disso, no momento em que o grupo iliopsoas entrar em insuficiência passiva, tenderá a “projetar” os corpos vertebrais para frente, produzindo assim um aumento da curvatura de lordose lombar, ou seja uma hiperlordose. Em comparação a hiperlordose lombar produza pelo reto femoral, o grupo iliopsoas poderá produzir uma acentuação da lordose lombar ainda mais intensa, obviamente em virtude do seus pontos e origem estarem ligados a coluna vertebral. Assim, alguns indivíduos poderão sair do exercício com certa dor na região lombar da coluna vertebral.

Diante da ocorrência desse cenário descrito acima, quais as atitudes que o personal trainer poderá tomar para tentar evitar esses erros técnicos?

Para que os erros técnicos descritos acima não venham a ocorrer e com isso colocar em cheque a segurança do indivíduo em risco, o personal trainer poderá tomar duas atitudes. Primeiramente, o Treino em Foco entendi que o personal trainer deverá limitar a amplitude do movimento da fase excêntrica antes do ponto em que o indivíduo entre em insuficiência passiva e venha a alterar a técnica de execução. Já a longo prazo o personal trainer deverá buscar aplicar exercício específicos para melhorar os níveis de extensibilidade das fibras do músculo reto femoral e do grupo iliopsoas. Para isso, deverá aplicar sessões de flexibilidade específicas para esses grupos musculares.

Entretanto, existem alguns personais trainers que acreditam que o grupo isquiotibiais poderão entrará em insuficiência ativa no membro inferior que esta atrás durante a execução do avanço ou afundo.

Poderá ocorrer insuficiência ativa do grupo isquiotibiais durante a execução do avanço ou afundo no membro inferior que está atrás?

A resposta é não. Durante a realização da fase excêntrica do exercício como descrito já acima, ocorrerá uma extensão do quadril e flexão do joelho. Diante disso, como o grupo isquiotibiais (semitendinoso, semimenbranoso e bíceps femoral cabeça longa) são extensores do quadril e flexores do joelho poder-se-ia imaginar que esse grupo atingirá seu grau de encurtamento máximo. Porém, durante a execução do avanço ou afundo o indivíduo deverá focar o trabalho sobre o membro inferior que está à frente e não no que está atrás. Assim, o membro inferior que está atrás servirá apenas para produzir o equilíbrio ao indivíduo.

E no membro inferior que está à frente, poderia ocorrer algum tipo de insuficiência muscular?

Analisando o comportamento do reto femoral do membro inferior que esta a frente, durante a fase excêntrica estar-se executando uma flexão do quadril e flexão do joelho. Assim, o reto femoral no quadril estar-se produzindo um grau de encurtamento e no joelho estará se produzindo alongamento desse músculo. Dessa forma, se produzirá um grau de equilíbrio entre alongamento e encurtamento do reto femoral, pois o mesmo é encurtado no quadril e librado (alongado) no joelho. Portanto, não podendo entrar em insuficiência passiva e tampouco em ativa. Já durante a fase concêntrica também não poderá ocorrer nenhum tipo de insuficiência, porque o reto femoral está sendo liberado no quadril, pois se produz o movimento de extensão do quadril e no joelho estará sendo encurtado, pois se produzirá uma extensão dos joelhos. Assim, novamente se produzirá um equilíbrio entre encurtamento e alongamento do reto femoral.

Da mesma forma os isquiotibiais não poderão entrar em insuficiência passiva e ativa. Porque durante a fase excêntrica do movimento (flexão do quadril e flexão do joelhos) esse grupo muscular estará sendo alongado no quadril e encurtado no joelho. Ou seja, no quadril os isquiotibiais estarão sendo alongados e no joelhos encurtados, o que produzirá um equilibro entre alongamento ou encurtamento desse grupo muscular. Já na fase concêntrica também não poderá ocorrer nenhum tipo de insuficiência, pois os isquiotibiais estão sendo encurtados no quadril, para produzir a extensão dessa articulações e liberados no joelho, pois estar-se produzindo a extensão dos joelhos. Assim, produzindo um cenário de equilíbrio entre alongamento e encurtamento dos isquiotibiais.

Seguidores não percam a vídeo aula de hoje e visualizem quais os músculos e porque poderão entrar em insuficiência passiva durante e a execução do avanço ou afundo.