Os músculos que compõem o tríceps surral participam de dois movimentos, onde em um será motor primário e no outro sinergista.

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Quais os movimentos que a grupo muscular tríceps surral produz na articulação do tornozelo?

O gastrocnêmico medial, lateral e o sóleo são os três músculos que compõem o grupo tríceps surral e estão localizados na face posterior do seguimento perna. Para entender quais o movimentos que esses músculos produzem na articulação do tornozelo, é necessário relembrar os pontos de origem e inserção.

Dessa forma, o gastrocnêmico medial tem sua origem localizada no epicôndilo medial do fêmur e sua inserção junto a superfície posterior do calcâneo via tendão de Aquiles. Já o gastrocnêmico lateral tem origem localizada epicôndilo lateral do fêmur e inserção também na superfície posterior do calcâneo via tendão de Aquiles, portanto como no caso anterior “cruzando” posteriormente a articulação do tornozelo. E por fim o músculo sóleo tem sua origem localizada na linha para o músculo sóleo e face posterior da tíbia; na face posterior da cabeça da fíbula e terço proximal de seu corpo.  E sua inserção localizada   no mesmo local dos gastrocnêmicos, respectivamente. Portanto, os gastrocnêmicos são músculos biarticulares pois “cruzam” posteriormente a articulação do tornozelo e joelhos . Por outro lado, o músculos sóleo é monoarticular, pois “cruza” somente a articulação do tornozelo.

Diante desses pontos de origem e inserção pode-se entender que quando os músculos que compõem o tríceps surral se contraírem produziram o movimento de flexão plantar. Já quando se produzir o movimento contrário, ou seja, de dorsiflexão ocorrerá um alongamento das fibras desses músculos.

Um ponto importante a salientar, é que em virtude novamente dos pontos de origem e inserção, caso o indivíduo venha a produzir um movimento de flexão dos joelhos prévio, ao realizar o movimento de flexão plantar ocorrerá um maior acionamento do músculo sóleo. Esse comportamento ocorrerá porque os gastrocnêmicos medial e lateral também “cruzam” posteriormente a articulação dos joelhos como já foi descrito acima. Portanto, ao realizar essa previa flexão dos joelhos, os gastrocnêmicos já serão encurtados no joelho, e assim, terão uma redução na sua participação para produzir o movimento de flexão plantar, ficando mais a cargo do sóleo para realizar esse movimento.

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Mas como os gastrocnêmicos “cruzam” também a articulação dos joelhos, qual o movimento que poderá produzir nessa articulação?

Como descrito acima no texto os gastrocnêmicos também “cruzam” posteriormente a articulação do joelhos, pois seus pontos de origem estão na parte distal posterior do fêmur, ou seja, nos epicôndilos. Dessa forma, além de produzir flexão plantar, também terá capacidade de realizar o movimento de flexão dos joelhos. Entretanto, como todos nós sabemos os principais flexores do joelhos são o grupos isquiotibiais (bíceps femoral cabeça longa, cabeça curta, semitendinoso e simembranoso). Diante disso, os gastrocnêmicos entraram como assistentes para produzir a flexão do joelho, ou seja como músculos sinergistas.

Portanto, é necessário que você entende que o principal movimento ao qual os gastrocnêmicos são motores primários é a flexão plantar.

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O que acontece se o indivíduo realizar os movimentos de flexão plantar e dos joelhos durante um exercício?

Durante a realização do exercício de mesa flexora é comum identificar treinadores, personais trainees orientando os seus clientes a realizarem esse exercício com um flexão plantar. Eles (treinadores e personais trainers) justificam que ao realizar essa estratégia poderá ocorrer um maior recrutamento de unidades motoras do grupo isquiotibiais. Provavelmente, isso poderá ser verdade, porquê ao realizar essa flexão plantar, principalmente os gastrocnêmicos já serão encurtados no tornozelo. Em sequência, quando o cliente começar e a realizar a fase concêntrica, que caracteriza-se por uma flexão dos joelhos, os gastrocnêmicos também serão encurtados no joelho.

Dessa forma, em algum ponto desta fase esses músculos poderão chegar ao seu encurtamento máximo o que cancerizará uma insuficiência ativa. Esse cenário fisiológico diminuirá a capacidade de participação dos gastrocnêmicos para realizar o movimento de flexão dos joelhos, o que potencialmente poderá produzir um maior acionamento de unidades motoras do grupo isquiotibiais. Portanto, essa poderá ser um estratégia para potenciar o trabalho dos isquiotibiais.

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E se o indivíduo durante um exercício realizar os movimentos de dorsiflexão e extensão dos joelhos simultaneamente?

Alguns clientes realizam os movimentos de dorsiflexão para iniciar o exercício de cadeira extensora. Ao realizar essa estratégia, principalmente o tríceps surral já estará sendo alongado na articulação dos tornozelos. Portanto, ao iniciar a fase concêntrica do movimento (extensão dos joelhos) principalmente os gastrocnêmicos também serão alongados na articulação dos joelhos. Dessa forma, caso o cliente apresente um encurtamento excessivo desses músculos, poderá ocorrer uma insuficiência passiva. Ou seja, em algum momento da amplitude de movimento os gastrocnêmicos poderão atingir a sua extensibilidade máxima e assim entrando em insuficiência passiva. Esse cenário poderá atrapalhar a realização da fase concêntrica.

Obviamente, o exemplo descrito aqui no texto foi somente para ilustrar a insuficiência passiva.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e identifiquem os movimentos que o grupo tríceps surral poderá realizar.