Conforme combinamos seguidores do TEF, dois textos semanais são nossos (João Moura e Jefferson de Sousa) e os outros dois serão escolhidos a partir dos textos que vocês nos enviam. O texto ora postado é escrito por mim (João Moura) e busca justificar a inclusão da avaliação da composição corporal nas avaliações realizadas nas academias de ginástica.

Confiram!                                                                                                                                 #FOCOnotreinoemFOCO

A importância da composição corporal com estratégia de subsidiar a prescrição de exercícios

Composição corporal é uma forma de fragmentar a massa corporal (peso corporal) nos principais constituintes morfológicos. Assim, desenvolveram-se formas de fragmentar o corpo em dois componentes (massa gorda e massa corporal magra – MCM) onde a MCM é todo o quantitativo de massa corpórea retirando-se o tecido adiposo corporal. Também desenvolveu-se a segmentação em quatro componentes onde a MCM foi subdivida em seus principais constituintes: massa muscular, massa óssea e massa residual, formando assim, uma segmentação da massa corporal total em: massa gorda (MG), massa muscular (MM), massa óssea (MO) e os tecidos restantes denominados em conjunto de massa residual (MR).

                Existem vários métodos para obtermos cada um destes componentes corporais, alguns são mais precisos, como por exemplo, o DEXA para estimar a MG; e outros menos precisos como o uso de perímetros corporais para estimativa também da MG por meio de equações preditivas. Discutir a viabilidade e acuracidade de diferentes métodos de quantificação da composição corporal não é o objetivo deste texto, e sim buscar apresentar as justificativas em fazer a composição corporal como forma de subsidiar (apoiar) a prescrição de exercícios. É o que pretendo fazer a partir deste momento.

                Vamos imaginar que uma menina adentre a academia e busque melhorar seu “shape”. Ao olhá-la você verifica que esta não se apresenta gorda, pelo contrário, aparenta estar com peso adequado. Ao realizar o IMC (índice de massa corporal) desta sua cliente (lembrando que você é um profissional de Educação Física desta academia) o valor encontra-se em PESO NORMAL, isto é, nem peso (massa corporal) abaixo do ideal nem sobrepeso.

Diante desta constatação inicial sua tomada de decisão quanto ao programa de treinamento talvez fosse de realizar um trabalho de tonificação muscular para deixar os músculos “durinhos”, o que, a princípio, seria suficiente para melhora do “shape”. Um trabalho de resistência muscular envolvendo quilagens moderadas com repetições em torno de 18 a 23 movimentos e entre duas a quatro séries envolvendo os principais grupos musculares serão suficientes para obter os resultados desejados, principalmente e um primeiro momento do treinamento.

 Porém, você a avalia e realiza os procedimentos para verificar a composição corporal desta cliente. Você é surpreendido com o valor da MG desta menina que apresenta um valor relativo (percentual de gordura – %G) de 28,2% e um %MM de 32,1% (esses dados que apresento não são incomuns e caracterizam as pessoas que definimos como “FALSOS MAGROS”). Analisando estes valores é possível concluir que a sua cliente apresenta uma taxa de gordura corporal maior que o entendido como adequado para estética, além de um baixo valor de massa muscular. Situações morfológicas que representam uma pessoa que, aparentemente, não parece “gorda” mas, na realidade, está com uma taxa adiposa acima do ideal, e ainda, apresenta um baixo teor muscular que mesmo sofrendo processo de tonificação não será suficiente para uma adequada estética corporal.

De posse destes dados de avaliação da composição corporal e de suas conclusões a respeito da morfologia de sua cliente, você altera as estratégias de treinamento que, ao invés de tonificação muscular, modificam-se para um trabalho de Aumento do Volume Muscular (AVM) buscando elevar, com o tempo, a carga de treino a ponto de gerar grande consumo energético durante a sessão de treinamento e também produza um EPOC significativo no pós-treino, além de buscar modificações nos hábitos alimentares para uma dieta mais saudável e menos calórica. Estas estratégias buscam contemplar o AVM e a diminuição do %G, fatores estes que levarão a uma silhueta mais estética bem como um boa definição muscular.

Gostaria que, neste momento, você refletisse sobre a história criada até o momento onde você é um dos protagonistas. Perceba que toda a estratégia de prescrição sofreu profundas modificações a partir do conhecimento da realidade morfológica da cliente. O entendimento da realidade morfológica só foi possível a partir do momento em que se produziu a fragmentação corporal e o estabelecimento da composição corporal da cliente. Entenda que uma vez estabelecido à composição corporal foi possível realizar outro olhar prescritivo sobre o programa de treino. O trabalho a princípio preconizado era de resistência muscular e, a partir do conhecimento da composição corporal, evolui para AVM, o que, no mínimo podemos interpretar, como cargas de treinamento totalmente diferenciadas e que buscam comtemplar objetivos distintos.

Perceba a importância da composição corporal como estratégia de subsídio a prescrição de exercícios. A pequena história desenvolvida neste texto é apenas um exemplo entre tantos outros que são possíveis de serem formulados justificando a inclusão da avaliação da composição corporal nos processos avaliativos das academias, não somente no início da programação de treino, mas também ao longo desta com a intenção de monitorar as modificações corporais que irão ocorrer revendo as prescrições realizadas e, se for o caso, ter novas tomadas de decisões prescritivas.

Pensem sempre nisso:

PRESCREVER EXERCÍCIOS SEM AVALIAÇÃO É PRESCREVER AS CEGAS!

Prof. Dr. João Moura (16/02/2014)