O que é o teste de uma repetição máxima ou teste de 1RM?

É um teste de esforço progressivo máximo, que tem como principal objetivo identificar ou determinar qual a maior quilagem (peso) que um indivíduo consegue deslocar em um único movimento completo (uma repetição completa) de um determinado exercício. Dessa forma, a quilagem ao qual o indivíduo consegue realizar apenas uma repetição completa é considerada a Força Dinâmica Máxima (FDM) do indivíduo nesse determinado exercício. O teste de 1RM foi considerado pelos estudos de Maior et al. (2008) e Livengir et al. (2009) o padrão-ouro (gold standart) para avaliar e consequentemente identificar os níveis de FDM dos indivíduos em situações laboratoriais e de campo.

Vários estudos (SILVA JUNIOR et al., 2007; BARROS et al., 2008; DIAS et al., 2010; DO NASCIMENTO et al., 2013; TIGGEMANN et al., 2013) buscaram identificar a confiabilidade e reprodutibilidade do teste de 1RM em diferentes populações, gêneros, faixas etárias, diferentes exercícios e grupos musculares. De uma forma geral, os resultados dos estudos supracitados identificaram que o teste de 1RM é um instrumento de medida confiável e reprodutível para avaliar os níveis de FDM.

Aonde o teste de 1RM é mais aplicado?

Como citado acima no texto o teste de 1RM tem como objetivo identificar os níveis de FDM e é considerado o padrão-ouro para avaliar essa capacidade física. Diante disso, o teste de 1RM é mais aplicado em pesquisas científicas com diferentes objetivos e populações. Analisando a literatura científica identifica-se que o teste de 1RM é amplamente utilizado para determinar as intensidades de quilagem e monitorar os incrementos de FDM após aplicação do TRP com diferentes estratégias (SIMÃO et al., 2005; DIAS et al., 2005; MARKETO et al., 2010; SPINETI et al., 2013).

De acordo com a literatura o teste também mostrou-se aplicável a diferentes populações. Por exemplo, Gomides et al. (2007) e Terra et al. (2008) aplicaram em indivíduos hipertensos, Ike et al. (2010) em individuos com Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC), Brito et al. (2013) e Mendes et al. (2013) em indivíduos com HIV, e Fontoura et al. (2004) em crianças.

Pode-se notar através da literatura que o teste de 1RM no meio científico é amplamente utilizado. Com isso, estudos foram desenvolvidos para analisar as variáveis que compõem a metodologia do teste de 1RM e, com isso melhorar a precisão dos resultados obtidos no mesmo.  Entretanto, no cenário pratico esse teste não é muito explorado. Um dos motivos para a baixa adesão a realização do teste de 1RM é a necessidade de um tempo prolongado para sua aplicação, o que torna-se muitas vezes inviável nas academias de ginástica.

O que a literatura já estudou sobre as variáveis que compõem o teste de 1RM?

Diante da sua ampla utilização como demonstrado acima no texto, pesquisadores sentiram a necessidade de estudar as variáveis que compõem o teste de 1RM, visando a melhor aplicação do mesmo. Dessa forma, alguns estudos (SIMÃO et al., 2003; GOMES et al., 2005; SOUZA et al., 2013) avaliaram os diferentes tipos de aquecimento precedendo o teste de 1RM e identificaram que o aquecimento especifico é o mais indicado. Outros estudos (WEIR et al., 1994; MATUSZAK et al., 2003; PAIXÃO et al., 2013; DIAS et al., 2013), objetivaram analisar a influência dos intervalos de descanso entre as tentativas de aumento de quilagem. Os pesquisadores identificaram que aplicar intervalos entre três a cinco minutos é o mais indicado. Chagas et al. (2012) investigaram se os indivíduos conseguiam obter maiores escores no final do teste realizando uma ou duas repetições em cada tentativa de aumento de quilagem. Identificou-se que realizar o teste de 1RM com uma repetição em cada tentativa de aumento de quilagem obtém-se maiores escores. Por fim, alguns estudos (MAIOR et al., 2007; MAIOR et al., 2010; MORRIGI et al., 2015) verificaram se realizar o teste de 1RM com privação visual (venda nos olhos) capacitaria os indivíduos alcançarem maiores escores no final do teste. Foi identificado que realizar o teste com venda nos olhos, proporciona os indivíduos a alcançar maiores escores.

Entretanto, na literatura uma variável importante do teste de 1RM que potencialmente tem influência na precisão do teste de 1RM ainda não foi investigada cientificada através de estudos controlados. Ou seja, a variável tentativas de aumento de quilagem não apresenta-se com um consenso na literatura. Alguns estudos aplicaram o teste de 1RM com no máximo duas a três tentativas de aumento de quilagem ((RØNNESTAD, 2009; RONNESTAD, HANSEN E RAASTAD 2012); outros com no máximo três tentativas (RITTI-DIAS et al., 2011; DO NASCIMENTO 2013; RIBEIRO et al., 2014); outros com no máximo cinco tentativas (BUCKLEY E HASS, 2011; ALVES et al., 2012; SEO, DONG-IL et al. 2012; BENTON, RAAB E WAGGENER, 2013; SCHOENFELD et al. 2016; EKLUND et al., 2016); e outros ainda com no máximo seis tentativas (ST-ONGE et al., 2009; MACHADO-VIDOTTI et al., 2014).

Todavia, a maioria desses estudos não apresentam justificativas sustentadas em estudos experimentais do porquê limitar esses números de tentativas de aumento de quilagem.

Qual o objetivo da pesquisa?

Diante da falta de justificativa sobre a influência do número de tentativas de aumento de quilagem, o objetivo principal do estudo de TCC do acadêmicos Kayus e Paula, foi verificar a possível influência do número de tentativas de aumento de quilagem no escore final no teste de 1RM no exercício supino livre horizontal.

Como aplicou-se a metodologia do estudo sobre o teste de 1RM?

 O estudo foi realizado com 15 homens jovens, universitários com idade 25,2±3,7 anos, que praticavam TRP com frequência mínima de três vezes por semana, a no mínimo seis meses e que na sua rotina de treinamento realizavam o exercício supino livre horizontal.

Em linhas gerais o delineamento experimental realizado foi: os indivíduos visitaram o laboratório sete dias seguidos. Nas duas primeiras visitas realizaram as sessões de familiarização com o equipamento supino, com a amplitude de movimento, com a pegada na barra a ser realizada e principalmente com o ambiente de testagem. Na terceira e quarta visitas realizaram o teste de 1RM com um número de tentativas de aumento de quilagem livres para identificar o valor real de FDM dos indivíduos. Na quinta, sexta e sétima visitas os indivíduos realizaram o teste de 1RM com somente três, cinco e sete tentativas de aumento de quilagem, respectivamente. A ordem de entrada dos indivíduos nas sessões experimentais (quinta, sexta e sétima visitas) foram realizadas de forma aleatória. Cada visita foi adotado intervalo de 24 horas.

Quais os resultados foram identificados no estudo?

Quando o realizou-se o reteste identificou obteve-se um valor de 79,6±15,3 Kg, no teste com três tentativas de aumento de quilagem obteve-se 80,1±15,6 Kg, com cinco tentativas foi obtido 80,4±14,9 Kg e por fim, com sete tentativas de aumento de quilagem o valor obtido foi de 80,3±14,7 Kg. Através do teste estatístico de análise de variância ANOVA One Way, obteve um valor de p= 0,998. Diante disso, podemos concluir que não obteve-se diferença estatisticamente quando foram comparadas as médias obtidos do reteste até o teste com sete tentativas de aumento de quilagem.

Qual a principal conclusão do estudo de TCC sobre teste de 1RM?

Os achados identificados, apresentam que realizar o teste de 1RM no exercício supino livre horizontal, em homens jovens com experiência mínima de seis meses no TRP, com um baixo número de tentativas de aumento de quilagem (três), intermediário (cinco) ou alto (sete) potencialmente não produzirá um efeito deletério na capacidade de produção de FDM.

Seguidores, não percam o vídeo de hoje sobre o estudo desenvolvido para análise da variável metodológica número de tentativas de aumento de quilagem no teste de 1RM.