SUPLEMENTAÇÃO DE CREATINA PELOS PRATICANTES DE TREINAMENTO RESISTIDO COM PESOS

      A preocupação em melhorar o desempenho físico através do aumento dos estoques de energia ou a funcionalidade dos processos envolvidos na sua recuperação tem feito muitos praticantes de Treinamento Resistido com Pesos (TRP) utilizar suplementos e ergogênicos nutricionais, tanto para o alcance do aumento da capacidade de produção de força e aumento do volume muscular. Dentre muitos produtos lançados no mercado destaca-se a creatina, uma amina encontrada principalmente nas carnes e comercializada de forma sintética, sendo um dos suplementos mais consumidos pelo público que pratica exercícios com o objetivo de aumento de volume e força muscular.

Mas como realmente pode auxiliar no aumento do volume muscular?

     Embora, existam pesquisas que não demonstrem maiores ganhos de aumento de massa muscular e força durante o seu uso; encontram-se vários estudos favoráveis ao uso de creatina. Dentre as ações da creatina confirmadas em pesquisas, alguns mecanismos podem auxiliar a explicar o aumento de volume muscular, entre eles: maior hidratação na célula muscular proporcionando a síntese protéica, favorecimento do armazenamento celular de glicogênio, aumento da secreção de IGF-1 (insulin-like growth factor-1) favorecendo o anabolismo muscular, ação antioxidante, aumento da força muscular.

    Atualmente, a liberação da creatina pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa, 2010)  se deu pelo maior número de evidências científicas que comprovaram a segurança do uso desses produtos como alimentos. Embora a Anvisa ressalte a importância desses alimentos só serem consumidos por atletas, a creatina é um suplemento muito popular e usual entre os praticantes de TRP de forma recreacional (praticantes de exercícios físicos com finalidades estéticas, saúde, bem estar e sem fins competitivos).

     A Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte (SBME) aponta a creatina como suplemento nutricional de maior eficiência na melhora do desempenho em exercícios de alta intensidade e no aumento de volume muscular, evidenciando o efeito ergogênico em indivíduos nos quais se constata diminuição do aporte da creatina exógena alimentar (como exemplo podemos citar os vegetarianos e os idosos), sempre orientado o seu uso após uma análise de um profissional especializado. Para os demais praticantes de exercício físico, a SBME não recomenda a sua utilização.

     Você pode estar se perguntando agora sobre os efeitos adversos desse suplemento. Na verdade eles continuam sendo alvo de muitas discussões científicas, sobretudo no que se refere à função renal. Vários estudos procuraram contribuir com este debate, mas parece que, por enquanto, os resultados nos levam a acreditar que não há evidências que em pessoas saudáveis a creatina, quando consumida na dosagem recomendada, prejudique a função renal. Porém, cabe lembrar: será que todos conhecemos se as funções de nosso organismo estão em perfeitas condições? Nem sempre a dor é o único indicador que uma função orgânica não está bem; então muita cautela! Assim, nem precisamos comentar o uso nas pessoas que possuem algum fator de risco para alguma patologia renal (como idosos, portador de diabetes mellitus e hipertensos), cuja propensão à nefropatia é bem clara.

        No próximo artigo apresentaremos quais são as recomendações de utilização da creatina como ergogênico na prática do treinamento resistido com pesos que estão sendo evidenciadas na literatura. Até lá!

Texto  desenvolvido pela:
Profª. Me. Ana Claudia Hopf
CREF 002845-G/SC