A movimentação dos sarcômeros, com os deslizamentos dos miofilamentos de actina sobre os de miosina, são produzidos através de movimentações (trações) das pontes cruzadas. Tais movimentações das pontes cruzadas dependem de energia para que possam realizar a tração e então movimentar os sarcômeros e, por correspondência, gerar o encurtamento muscular e produção de força na fibra muscular.

                Essa energia para movimentação das pontes cruzadas é liberada pelo processo de catabolização (hidrólise) das moléculas de ATP (adenosina trifosfato). Tais moléculas já estão posicionadas na cabeça da miosina nas pontes cruzadas. Ao “quebrar” a molécula de ATP esta libera um fósforo inorgânico (Pi) e a molécula fica então com a configuração molecular de ADP (adenosina difosfato). Neste processo é liberado energia a qual será usada para movimentação da ponte cruzada.

                Neste cenário a molécula de ADP fica “descarregada” necessitando de um “carregamento” para tornar-se novamente efetiva para participar da produção do encurtamento do sarcômero. Porém, para isso haverá necessidade de energia para “recarregar” a molécula de ADP em molécula de ATP. A energia que será usada no “recarregamento/ressíntese” de ADP em ATP provém das fontes de estoque de energia corporal (PCr, glicose, gordura e proteína). Entretanto, as fontes preponderantes de recarga de ADP em ATP terão uma ordem de ação mais efetiva, sendo a PCr (fosfocreatina) a primeira fonte preponderante de recarga de ATP.

                A PCr é cabolizada em Pi e Cr e neste processo é liberado energia suficiente para recarregar 1 molécula de ATP (ADP + Pi = ATP), a reação de cabolismo da PCr é mediado pela enzima miosina ATPase a qual acelera e produz a reação química.  A PCr esta estocada dentro do próprio músculo porém em quantidades limitadas que em um sedentário dura, em média, por apenas 10 segundos durante esforços físicos de alta intensidade. Atletas de potência como apresentam maior acúmulo de PCr muscular esta fonte de recarga de ATP perdura por aproximadamente 20 segundos, ou seja, o dobro dos sedentários.

                Esta fonte de energia para recarga de ATP é anaeróbia, isto é, não necessita de oxigênio nos processo bioquímicos envolvidos e para uma molécula de PCr é recarregada uma molécula de ATP. A capacidade de liberação de energia é elevadíssima porém de curtíssimo tempo de duração.

                Uma vez depletada a fonte da PCr está é recuperada em torno de 5 a 8 minutos de repouso. A “recuperação” da PCr se dá através da agregação de Pi + Cr (Pi + Cr = PCr) e para este processo é necessário energia. A energia para o processo provém de moléculas de ATP que são metabolizadas em ADP + Pi e a consequente liberação de energia é usada para ressíntes (recarga) de PCr (Pi + Cr). Diante de todo esse cenário bioquímico, podemos analisar que durante o esforço físico intenso de curta duração (atividades de velocidade e potência muscular) a PCr se “sacrifica” para manter os estoques de ATP durante este esforço. Todavia, quando em repouso, ocorre o contrário, é o ATP que se “sacrifica” (libera sua energia) para que seja recuperadas as moléculas de PCr.

Texto produzido pelo:

Prof. Dr. João Moura

CREF 07870 G/SC