Introdução

            Atividade de correr ao ar livre e de forma competitivo ou não é uma definição “branda” de “corrida de rua”. Mais importante do que definir corrida de rua, é entender que esta prática de exercício físico cresce no Brasil e no mundo, porém no Brasil esta se tornando “febre”.

            Muitos sites e blogs sobre o assunto divulgam diferentes provas de corrida de rua que acontecem por todo o Brasil. Vendo o número de eventos deste tipo percebemos a vertiginosa popularidade desta modalidade de exercício físico. Também surgem novas modalidades do “correr” como corrida de costas (https://www.treinoemfoco.com.br/?s=corrida+de+costas), corrida vertical, corrida a noite (night run).

            Encontramos alguns relatos de pessoas sedentárias, fumantes e até com algumas patologias que descobriram a corrida de rua como uma forma de, associada a medicamentos, melhorar sua saúde e qualidade de vida. Fátima Cabral, de 62 anos, aposentada, que fumou durante 15 anos, teve na corrida a ajuda necessária para largar o vício, há quatro anos, sem qualquer ajuda médica (corredorderua.com.br)

Minha pele, meu cabelo, minha parte respiratória, tudo mudou para melhor. Minha qualidade de vida hoje é outra. Nunca tive uma recaída, pois o fato de correr já não me deixava com vontade de fumar”.

            O texto que escrevo hoje, na OPINIÃO QUALIFICADA de quarta feira, é apenas o primeiro de uma série de textos que irei produzir debatendo, analisando e interpretando o tema Corrida de Rua. Em um primeiro momento, no texto de hoje, irei abordar uma questão de fisiologia do exercício básica sobre as atividades aeróbias onde estar inserida a corrida de rua e também procedimentos e cuidados básicos para a prática. Em textos futuros irei aprofundar a análise sobre esta modalidade esportiva.

 Desenvolvimento

 Rápida visão da fisiologia do metabolismo energético aeróbio.

            Obviamente a corrida de rua é uma atividade aeróbia e, dependendo do ímpeto do seu praticante, pode tornar-se aeróbia de alta intensidade. Assim, todo o sistema cardiovascular e respiratório são fortemente exigidos.

            Começando com o processo ventilatório e respiratório a necessidade de uma grande taxa de absorção de oxigênio faz com que os músculos respiratórios (diafragma, intercostais, oblíquos, reto abdominal, transverso do abdome, entre outros (https://www.treinoemfoco.com.br/corrida/treinamento-da-musculatura-respiratoria/)) sejam solicitados de forma intensa para possibilitar um grande ingresso de ar para os pulmões, mais especificamente para os alvéolos pulmonares.

            A capacidade alveolar para absorção do oxigênio e transferência para a corrente sanguínea, via capilares pulmonares, é fortemente exigido. Assim, novos capilares pulmonares tendem a serem desenvolvidos ampliando a capacidade de absorção do oxigênio (https://www.treinoemfoco.com.br/corrida/musculatura-ventilatoria-em-repouso/).

            Uma vez na corrente sanguínea o oxigênio deve ser transportado para todas as células corporais para oxigena-las. Esta tarefa fisiológica é comprida em sua maior parte pelas células vermelhas do sangue, os eritrócitos (hemácias). Para o melhoramento do transporte de oxigênio pelo corpo a quantidade de eritrócitos aumenta devido ao treinamento aeróbio.

            O “motor” para produzir o fluxo sanguíneo pelo corpo é o miocárdio (coração). Este funciona como uma “bomba” impulsionando o sangue para todo o corpo bem como para os pulmões. Esta bomba miocárdica sofre adaptações positivas do treinamento tornando-a mais forte e resistente, pois a mesma é constituída de músculos (músculo cardíaco) e assim sofre efeito treinamento para força (aumentando a força de contratibilidade cardíaca) e a resistência de contração.

            O número de capilares musculares aumenta em função da manutenção sistemática dos treinamentos permitindo ao corpo aumentar a oferta de oxigênio aos músculos ativos. Os músculos, por sua vez, desenvolvem a capacidade de utilização do oxigênio através do desenvolvimento de mitocôndrias (aumento da densidade mitocondrial) e de enzimas oxidativas que permitem melhor aproveitamento do oxigênio nos processos bioquímicos aeróbios de obtenção de energia da glicose e da gordura disponível.

 Cuidados

 – Realiar um exame médico prévio. É fundamental conhecer a capacidade de um praticante em suportar carga física. Neste sentido um exame médico para avaliar a capacidade geral do praticante e, especialmente, do sistema cardiovascular-respiratário é indispensável antes da prática de corridas de rua.

            O ideal para quem busca um treinamento profissional e competitivo para a corrida de rua é a realização de uma ergoespirometria realizada junto com um bom cardiologista de preferência que este tenha especialização em Medicina Esportiva. Testes indiretos (https://www.treinoemfoco.com.br/fisiologia/teste-indireto-de-vo2max-em-esteira-rolante/) são bons mas não são completos e não avaliam a capacidade de saúde do praticante, o que já é possível de ser feito com a ergoespirometria.

 – Equipamentos adequados. Uso de tênis de absorção de impacto, roupa leve (em dias quentes), protetor solar, são alguns aspectos a considerar referente a equipamentos que devem ser adequados (o treinoemfoco irá apresentar outro texto de OPINIÃO QUALIFICADA detalhando este tema);

 – Horário de corrida (treino). Horários para o treinamento muito frios ou muito quentes são inadequados para o treinamento, principalmente e particularmente, em se tratando de indivíduos iniciantes. Os horário de treino logo após as refeições devem ser desencorajados já que o esvaziamento gástrico ainda não ocorreu e pode ocasionar forte desconforto a prática ou até situações fisiológicas que imponham a descontinuidade da corrida.

 – Respeite seu corpo. Traduzindo… Não exagere! Vá com calma! Muitos praticantes altamente motivados a iniciar a prática do exercício (o que é muito bom) acabam não respeitando a fisiologia do seu corpo e exagerando na dose. O treinamento, adequadamente realizado, irá aumentar a carga de esforço físico de forma progressiva e gradual (https://www.treinoemfoco.com.br/textos-tecnicos/intensidade-da-carga-aerobia/), garantindo que haja recuperação e supercompensação sem haver o overtrainig. Para isso o conhecimento sobre formas de controle da carga de esforço é preciso ser dominado pelo Educador Físico (https://www.treinoemfoco.com.br/corrida/analise-de-calculos-da-frequencia-cardiaca-maxima-fc-max/).

Conclusões

             Hoje abordei questões básicas sobre fisiologia aeróbia e cuidados para a prática, nos próximos textos temas de maior aprofundamento serão analisados sobre o tema corrida de rua. Todavia, fica claro que a pratica desta “nova” modalidade de se exercitar cresceu e cresce muito em nosso pais e nós, profissionais de Educação Física, devemos nos preparar para orientar de forma segura e eficiente os praticantes. Neste sentido, fique atento aos nossos novos textos.

Referências

http://www.corredorderua.com.br/

http://www.ativo.com/Esportes/Pages/astresprimeirassemanasdeumcorredoriniciante2.aspx

https://www.treinoemfoco.com.br/

Texto:

Prof. Dr. João Moura

CREF 07870-G/SC