Cláudia Lunardi

Hoje comentarei brevemente sobre estudos científicos, gravidez e pós-parto para tranquilizar as futuras mamães que ainda apresentam receio de praticar exercícios nesta fase.

A primeira diretriz publicada pelo Colégio Americano de Obstetrícia e Ginecologia (ACOG – American College of Obstetricians and Gynecologists) data de 1985. Na ocasião havia poucas informações sobre o assunto e referenciais científicos, optou-se então por fornecer orientações mais conservadoras como a realização de exercícios a uma frequência cardíaca máxima de 140 batimentos por minutos. Infelizmente, ainda há educadores físicos e médicos que mantém esta conduta até hoje. Mas já nesta data foi realizada uma ressalva as grávidas fisicamente ativas antes do período em questão: podem suportar um treinamento mais intenso que as demais.

Após a publicação desta diretriz surgiram novos estudos na área. Os mesmos não encontraram riscos da prática de exercícios físicos para a gestante e feto resultando na revisão das informações fornecidas pelo Colégio Americano. Em 1994 o documento revisto focou nos benefícios da prática de atividade física sem citar limiares de frequência cardíaca. De forma geral, encorajou as mulheres a realizar atividades leves a moderada, pelo menos, três dias na semana durante a gestação e no pós-parto orientou o retorno gradual as capacidades físicas. A segunda revisão das orientações da ACOG ocorreu em 2002. A partir de então, houve a publicação de outras diretrizes como Diretrizes da Prática Clínica Canadenses e Diretrizes Nacionais dinamarqueses em 2003, e as Diretrizes Nacionais da Noruega em 2005.

Prescrição do exercício físico na gravidez

Todas essas diretrizes recomendam que mulheres grávidas (gravidez sem riscos) realizem pelo menos 30 minutos de atividade aeróbica moderada (para a maioria dos adultos saudáveis, isto é equivalente a uma caminhada rápida em 3-4 mph.) e exercícios de força na maioria dos dias da semana. Por já estarem adaptadas ao treinamento mais extenuante, as grávidas que eram atletas tendem a manter um treinamento mais intenso durante a gravidez e retornar no pós-parto com uma maior intensidade de treinamento mais cedo.

A prescrição de exercícios físicos para o desenvolvimento e manutenção da aptidão em mulheres que não estão grávidas consiste em atividades para melhorar as capacidades cardiorrespiratória (exercícios aeróbicos) e musculoesquelética (exercício resistido). A prescrição de exercícios na gravidez deve incluir os mesmos elementos. O exercício aeróbico consiste em qualquer atividade que utilize grandes grupos musculares em um rítmico contínuo, como por exemplo, atividades como caminhadas, corrida, dança, natação, ciclismo (bicicleta estacionária), remo. Quando se sugere a prática de treinamento de resistência (musculação) durante a gravidez, o Colégio Americano se refere à utilização de cargas que propiciem várias repetições, tornando assim o exercício seguro e eficaz durante esta fase.

Há várias atividades que apresentam maiores riscos na gravidez, como mergulho, esforço na posição supina (resulta em obstrução relativa do retorno venoso causando redução no débito cardíaco e hipotensão) e atividades que aumentam o risco de quedas (como patinação). Há ainda aqueles que podem resultar em estresse articular excessivo, como corrida e tênis, necessitando de avaliação das habilidades das mulheres grávidas, a fim de evitar qualquer risco à mesma.

A diretriz sugere que a frequência cardíaca não seja utilizada como forma de monitoramento da intensidade do exercício durante a gravidez em função da variabilidade da resposta da frequência cardíaca para o exercício (decorrente das modificações morfofisiológicas maternas). Sugere-se a utilização de percepções de esforço (como a escala de Borg).

Pós-parto

As mudanças fisiológicas e morfológicas da gestação permanecem por cerca de 4 a 6 semanas após o parto, por isso a necessidade do resguardo. Após este período, o retorno à atividade física deve ser realizado de forma gradual e diferente de mulher para mulher.

Espero que com essas postagens eu possa incentivar outras mulheres que sempre foram praticantes de exercícios físicos a manter uma rotina semelhante durante a gestação. Enfatizando claro, a necessidade da liberação medica e acompanhamento com um Educador físico apto para tal. Também espero ter acalmado os pensamentos e corações e ter representado outro ponto de vista às pessoas que ainda veem esta questão como um risco a vida.

Referencial bibliográfico:

Artal R, O’Toole M. Guidelines of the American College of Obstetricians and Gynecologists for exercise during pregnancy and the postpartum period. Br J Sports Med 2003; 37:6-12. doi:10.1136/bjsm.37.1.6