A falta de estabilização corporal durante a cadeira extensora poderá levar a uma alteração na cadeia cinética ao qual o exercício é executado.

Qual a forma correta de realizar a estabilização corporal durante a execução do exercício de cadeira extensora?

Para posicionar de forma correta o aluno/cliente na cadeira extensora o profissional de Educação Física deverá buscar com que a articulação do joelho fique paralelo ao eixo da máquina. Em seguida, deverá posicionar o ponto de aplicação da resistência na região distal do seguimento perna, muitos artigos descrevem que deverá estar a cinco centímetros dos maléolos. Realizado esses procedimentos descritos acima, o profissional deverá agora buscar fazer com que seu cliente/aluno fique estabilizado para a execução.

Para isso, deverá solicitar com que ele (aluno/cliente) posicione suas mãos nas manoplas na parte posterior da cadeira extensora. Assim, ao realizar essa estratégia será promovido uma ótima estabilização do corpo do aluno/cliente para execução do exercício.

Durante a fase concêntrica do movimento onde o aluno/cliente vencerá a resistência produzindo uma extensão dos joelhos, o grupo muscular quadríceps (vasto medial, vasto lateral, vasto intermédio e reto femoral) serão acionados em contração concêntrica. Por outro lado, durante a fase excêntrica do movimento, onde será produzido o movimento de flexão dos joelhos pela resistência, novamente o grupo muscular do quadríceps será acionado, porém agora, em contração excêntrica para realizar o freio excêntrico e assim evitar com que ocorra um movimento balístico.

Qual o principal erro que pode ser visualizado durante a execução do exercício de cadeira extensora?

Durante a execução da cadeira extensora o profissional de Educação Física necessita deixar bem claro ao aluno/cliente que não deverá ocorrer movimento da região da pelve. Entretanto, muitos aluno/cliente em virtude da aplicação de uma resistência muito elevada, começam a mexer e muitas vezes elevar a pelve, retirando o glúteo do contato com o banco.

O Treino em Foco entende que isso é um movimento inadequado no momento da execução do exercício e pode estar ocorrendo por três principais fatores, sendo eles:

– Aplicação de uma resistência, ou seja, peso muito elevado e que não condiz com os níveis de força muscular do aluno/cliente naquele momento. Diante disso, o profissional de Educação Física deverá realizar um redução da quilagem para, e assim permitir que o exercício seja executado de forma correta;

– Quando os alunos/clientes intermediário ou avançados no TRP, e que treinam com quilagens elevadas já na cadeira extensora. Ou seja, ao aplicar quilagens que estão próximas ou até mesmo maiores que o peso corporal do aluno/cliente, a falta de boa estabilização corporal poderá levar a uma elevação da pelve e com isso erro da técnica de execução.

– Falta de consciência corporal e coordenação do aluno/cliente executante. Essa questão poderá ocorrer com alunos/cliente bem iniciantes na prática do Treinamento Resistido com Pesos (TRP).

Além da perda da técnica correta de execução, o que a falta de estabilização corporal poderá levar   a ocorrer durante a realização do exercício de cadeira extensora?

Classicamente, a cadeira extensora quando o aluno/cliente está bem estabilizado é definido como um exercício de cadeia cinética aberta. Mas por que é um exercício de cadeia cinética aberta? Exercícios que são definidos por ser de cadeia cinética aberta, tem como principal característica no momento da sua execução a parte proximal do corpo estar fixa e a parte distal móvel. Por outro lado, os exercício que são caracterizados por cadeia cinética fechada, a parte distal do corpo estará fixa e a parte proximal móvel.

Diante disso, quando o aluno/cliente está com uma boa estabilização corporal e com uma resistência adequada, a cadeira extensora é executada em cadeia cinética aberta, ou seja de forma correta.

Todavia, em virtude da alta resistência aplicada ou por falta de técnica de execução e com isso produzir a elevação do quadril do banco, esse exercício passará a ser executado em cadeia cinética fechada. Ou seja, quando em virtude da falta de estabilização ou por uma quilagem elevada, o aluno/cliente ao tentar elevar o ponto de aplicação da resistência (que está localizado na região distal do seguimento perna), não conseguirá. Diante disso, o corpo tentará realizar o movimento de extensão dos joelhos, porém agora produzindo uma elevação do quadril. Ao elevar o quadril, o joelho será estendido. Portanto, destas circunstancias o exercício de cadeira extensora passará a ser executado em cadeira cinética fechada, pois a região distal está ficando fixa e a proximal estará movimentando-se.

Quais os outros pontos que podem levar a perda da técnica correta de execução da cadeira extensora?

Como já foi descrito acima no texto o grupo muscular motor primário da realização doe exercício de cadeira extensora é o quadríceps. Porém, vamos discutir alguns pontos do músculo reto femoral. Como este músculo tem sua origem localizada na espinha ilíaca anteroposterior e sua inserção na tuberosidade da tíbia pelo ligamento patelar, ele (reto femoral) cruza anteriormente tanto a articulação do quadril como do joelho. Dessa forma, participará dos movimentos de extensão do joelho e flexão do quadril.

Caso o aluno/cliente esteja com o encosto do banco em uma posição tal em que o quadril, esteja posicionado em 90° de flexão, o músculo reto femoral já estará encurtado nesta articulação. Assim, quando estiver realizando a extensão do joelho (fase concêntrica) o reto femoral será encurtado no joelho também. Este cenário poderá levar ele (reto femoral) a atingir o seu encurtamento máximo, ou seja insuficiência ativa antes mesmo da extensão completa do joelho. Ao atingir este ponto em virtude de um ponto de fixação na tuberosidade da tíbia poderá começar a tracionar a pelve para baixo e para frente, levando a tendência de produção de uma anteversão pélvica, o que produzirá um fuga da técnica correta de execução.

Um outro ponto, que poderá levar a uma alteração da técnica correta de execução, é a ocorrência de uma insuficiência passiva do grupo muscular isquiotibiais, particularmente do semitendinoso, semimembranoso e bíceps femoral cabeça longa. Ou seja, como o semimembranoso tem sua origem localizada no túber isquiático  e inserção na porção póstero-medial do côndilo medial da tíbia, cruza tanto  a articulação do quadril como do joelho posteriormente. Já o semitendinoso tem sua origem localizado também no túber isquiático e sua inserção junto a face medial do corpo da tíbia pelo tendão da pata de ganso, assim também cruzando posteriormente tanto o quadril como o joelho. E por fim, o bíceps femoral cabeça longa tem sua origem localizada no túber isquiático e inserção na cabeça da fíbula, assim também cruzando ambas articulações posteriormente.

Diante disso, no momento em que o aluno/cliente posicionar-se para execução da cadeira extensora e o encosto do banco estiver em uma posição em que esteja ocorrendo uma flexão do quadril de 90°, esses três músculo citados acima já estarão sendo alongados na articulação do quadril. Dessa forma, quando o aluno/cliente iniciar a realização da fase concêntrica (extensão dos joelhos) o mesmo em algum ponto desta fase poderão atingir a sua extensibilidade máxima e com isso, insuficiência passiva. Esse cenário poderá levar com que o cliente produza o movimento de retroversão pélvica, buscando aproximar o ponto a origem da inserção visando reduzir a insuficiência passiva e em com isso tentando permitir a extensão completa dos joelhos.  Entretanto, ao produzir essa retroversão pélvica ocorrerá a perde das curvatura naturais e fisiológicas da coluna vertebral o que passa a não ser interessante.

Seguidores, não percam vídeo aula de hoje e verifiquem as explicações do professor João Moura sobre questões de estabilização corporal na cadeira extensora.