Jeovani Peripolli – Prof. de Educação Física – www.movimentacao.org

 

      O mundo está envelhecendo e o Brasil, que era considerado um país jovem, ficará com um número elevado de idosos no decorrer de cada ano.

      Dados de pesquisa mostram que em 1991, levantamento feito pelo censo demográfico, a população idosa brasileira, acima de 60 anos, era de 10.722.705 habitantes, relativo a 7,3% da população total. O último censo demográfico realizado no ano 2000, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), informa que para uma população total de 169.799.170 brasileiros, 14.536.029 habitantes tem idade de 60 anos ou mais, equivalendo a um percentual de 8,6 da população total de brasileiros.

      Assim, com a expectativa de vida aumentada e a taxa de natalidade diminuída, em vários países, houve um crescimento da percentagem da população total com mais de 60 anos. Uma das explicações para tal aumento é a existência de grupos com elevado índice de natalidade após a Segunda Guerra Mundial, ocasionando agora um grande acréscimo na população idosa no mundo.

        Dessa forma, a previsão cada vez mais crescente da “quantidade de vida” desta população proporciona a eles (e futuramente aos mais jovens) um período de tempo maior para sintetizar e culminar a realização de seus projetos de vida.

       Paralelo a isso, surge a necessidade de identificar condições que permitam envelhecer com qualidade, sendo que o envelhecer deverá estar acompanhado de uma expectativa de vida ativa, saudável e funcional, ou seja, uma melhor qualidade de vida. Qualidade de vida para a população geriátrica está, entre outras coisas, na sensação de melhora das funções vitais, capacidade de realizar tarefas do dia-a-dia sem aparecimento de fadiga, ausência de síndromes, etc.; enfim, realizar atividades do cotidiano sem riscos de integridade ao organismo.

      Uma das características do envelhecer é a redução da massa muscular associada com a idade (este fenômeno é chamado de sarcopenia). Um agravante maior acontece com pessoas idosas sedentárias, onde a “quantidade de vida” está muito relacionada com a independência funcional, pois a perda de aptidão produzida pela falta de atividade física pode comprometer gravemente a condição de viver sem depender de outras pessoas.

       Hoje, em função da organização dos grupos de 3ª Idade, observam-se pessoas idosas buscando constantemente uma atividade física. As academias, que no passado eram freqüentadas por jovens, hoje têm grande assiduidade do público idoso.

       Uma das modalidades de exercícios físicos procurados pelos idosos e que tem um retorno positivo são os Exercícios Resistidos com Peso (ERP), termo científico que, popularmente, é conhecido como “musculação”.

        Os Exercícios Resistidos com Pesos (ERP) se referem a uma modalidade de atividade física sistematizada, composta de variáveis de volume e intensidade que, bem observados e controlados, produzem benefícios e reduzem os efeitos do envelhecimento.

     O ERP é uma forma de exercitação corporal que utiliza sobrecargas de pesos externos (halteres, barras, anilhas ou aparelhos construídos para esse fim) ou o próprio peso corporal. Um incremento de força muscular, induzido por um programa adequado de ERP, promove mudança na performance das atividades diárias, onde, no caso de pessoas idosas e incapazes, há uma melhora na qualidade de vida.

      A prática desses exercícios requer acompanhamento de um profissional de Educação Física, onde este irá avaliar, prescrever um programa adequado, orientar quanto à execução dos exercícios e monitorar adequadamente a evolução do aluno.

      Alguns benefícios dos ERP para idosos: aumento do tamanho das fibras musculares, da secção transversa do músculo e da força muscular, redução dos fatores que causam quedas, diminuição da sarcopenia, melhora da postura corporal, manutenção ou melhora da densidade mineral óssea.

      Esse tipo de exercitação corporal (ERP), além dos benefícios, também pode ser um modo importante de aumentar a inserção do idoso na atividade física de maneira eficaz e segura. Ele aparece como um método efetivo e de menor custo para preservar uma vida independente para uma população que cresce cada vez mais e necessita de atendimento.