O exercício de rosca scott com pesos livres e na máquina poderão gerar uma insuficiência ativa. Por outro lado, o exercício de rosca direta com halteres no banco inclinado, poderá gerar uma insuficiência passiva.

Os exercícios de rosca scott com pesos livres, na máquina e rosca direta com halteres no banco inclinado, são amplamente prescritos por personais trainers e profissionais de educação física que atuam como professores nas salas de treinamento resistido com pesos/musculação. Entretanto, esses são exercícios que apresentam peculiaridades biomecânicas e cinesilógicas, que deverão ser levadas em consideração no momento da prescrição. Assim a seguir no texto serão descritos as diferenças desses exercícios do ponto de vista da biomecânica e cinesiologia.

Qual o ponto de maior e menor tensão no exercício de rosca scott com peso livre?

Durante a execução do exercício de rosca scott com barra ou pesos livres existe determinado ponto da Amplitude De Movimento (ADM) onde o indivíduo terá maior e menor tensão sobre os músculos flexores do cotovelo (bíceps braquial, braquial e braquiorradial). Ou seja, no final da fase concêntrica será o ponto da ADM onde produzira-se a menor tensão muscular.

A redução da tensão muscular no ponto descrito acima (final da fase concêntrica) ocorrerá em virtude da redução da distância do braço de alavanca. Isto é, quando o indivíduo vai ascendente com o movimento de flexão de cotovelos, partindo da extensão completa, ocorrerá a cada grau de flexão uma redução do braço de alavanca e consequentemente do torque resistivo e da tensão muscular. Entretanto, nos últimos graus da flexão do cotovelo a distância perpendicular entre a projeção da resistência (peso da barra+ anilhas+ força gravitacional) em relação ao eixo (articulação do cotovelo) será reduzida. Diante disso, consequentemente o torque resistivo contra o movimento de flexão dos cotovelos também cairá. Dessa forma, em virtude desse cenário descrito acima, ocorrerá um queda na tensão muscular. Caso, o indivíduo venha a flexionar ainda mais os cotovelos até um ponto em que o antebraço fique totalmente verticalizado, a resistência encontrara-se sobre o eixo (articulação do cotovelo) e portanto zerando o braço de alavanca, o troque resistivo e consequentemente a tensão muscular, caracterizando um ponto de descanso, ou seja, ponto de menor tensão muscular.

Já o ponto de maior tensão sobre a musculatura envolvida de forma dinâmica ocorrerá em virtude dos braços de alavanca produzidos durante a ADM. Ou seja, quando o indivíduo inicia a execução da rosca scott com pesos livres, momento em que o antebraço encontra-se praticamente horizontalizado já se produzirá um significativo braço de alavanca, ou seja, um distancia perpendicular entre a projeção da resistência e o eixo articular. Porém, como já citado acima quando o indivíduo começa a executar a fase concêntrica (flexão dos cotovelos) começará a ocorrer uma redução na distância entre a projeção da resistência e o eixo articular, assim ocorrendo um redução do braço de alavanca, do torque resistivo e torque muscular. Entretanto, durante a execução da ADM da fase excêntrica o braço de alavanca aumentará, assim aumentando o torque resistivo e torque muscular, até chegar a quase horizontalização do antebraço. Sendo esse ponto o de maior braço de alavanca.

Todavia, como citado acima no texto a forte redução do braço de alavanca e torque resistivo ocorrerá no momento em que o indivíduo se aproxima dos ângulos de 45° de flexão dos cotovelos. Diante disso, para produzir uma forte tensão muscular sobre os flexores dos cotovelos, seria interessante que o indivíduo executasse a rosca scott com barra livre realizando flexões partindo de aproximadamente 180° até aproximadamente 90° de cotovelo.

Porém, o que temos que entender é que do ponto de vista biomecânico quando o indivíduo atinge os últimos graus de flexão dos cotovelos ocorrerá uma redução dos braço de d alavanca e do torque resistivo. Todavia, agora analisando do ponto de vista cinesiológico será que durante a execução da rosca scott com barra ou pesos livres poderá ocorrer algum tipo de insuficiência muscular.

Durante a rosca scott com barra ou pesos livres poderá ocorrer algum tipo de insuficiência muscular?

Para que você consiga entender se poderá ocorrer algum tipo de insuficiência muscular durante a execução da rosca scott, é necessário relembrar os pontos de origem e inserção particularmente da cabeça longa do bíceps braquial. Assim, esse músculos tem sua origem localizada no tubérculo supraglenoidal da escápula. Já sua inserção está localizada na tuberosidade do rádio e aponeurose do bíceps sobre o tendão flexor comum.

Diante desses pontos de fixações (origem e inserção) o bíceps cabeça longa “cruza” a articulação do cotovelo e do ombro, ambas anteriormente. Dessa forma, ele (bíceps cabeça longa) participara de movimentos nessas duas articulações. Ou seja, no cotovelo tem o poder de realizar o movimento de flexão do cotovelo e supinação em conjunto com o bíceps cabeça curta, braquial e braquiorradial. Já no ombro participará dos movimentos de flexão e abdução, junto com demais músculos. Portanto, como o indivíduo ao posicionar-se no banco para a execução do exercício estará com uma flexão de aproximadamente 90° de ombro, a cabeça longa do bíceps braquial estará sendo encurtada na articulação do ombro. Dessa forma, antes do indivíduo começar a executar a fase concêntrica do movimento, o bíceps cabeça longa já encontrar-se com um grau de encurtamento.

Entretanto, quando o indivíduo começar a realizar a fase concêntrica (flexão dos cotovelos) o bíceps cabeça longa com os demais flexores dos cotovelos (bíceps cabeça curta, braquial e braquiorradial) começará a ser encurtado também no cotovelo. Em virtude desse cenário, muito provavelmente a cabeça longa do bíceps braquial teria uma forte tendência a entrar em insuficiência ativa nos últimos ângulos da fase concêntrica. Ou seja, nesse ponto da ADM o bíceps cabeça longa atingiria o seu encurtamento máxima, assim diminuindo seu desempenho para contribuir com a flexão do cotovelo.

Diante disso, provavelmente o sistema nervoso teria que aumentar o recrutamento de unidades motoras dos outros bíceps cabeça curta, braquial e braquiorradial, para realizar o movimento de flexão do cotovelo. Dessa forma, a ocorrência da insuficiência ativa da cabeça longa do bíceps poderia potencializar um aumento de recrutamento de unidades motoras dos outros flexores do cotovelo, porque esses outros músculos cruzam apenas a articulação do cotovelo, sendo assim monoarticulares.

Entretanto, como descrito acima no texto, nos últimos graus de flexão do cotovelo, o braço de alavanca e o torque resistivo serão reduzido. Diante disso, a tensão muscular sobre os flexores do cotovelos reduzira-se. Dessa forma, na execução da rosca scott com barra ou pesos livres no momento em que o bíceps cabeça longa começaria a entrar em insuficiência ativa ocorrerá uma redução do torque resistivo em virtude da queda do braço de alavanca. Assim, esse comportamento biomecânico reduzirá a ocorrência de insuficiência ativa. Sendo essa, uma característica do exercício de rosca scott com barra.

Mas, e no exercício de rosca scott na máquina, ocorrerá o mesmo comportamento cinesiológico e biomecânica?

Incialmente, é necessário entender que na rosca scott na máquina a resistência estará no sentido do cabo, ou seja, diferentemente da rosca scott com pesos livres onde a resistência encontra-se na direção vertical e no sentido de cima para baixo. Muitas maquinas scott são desenvolvidas com uma polia Khan. Esse tipo de polia tem como principal característica tentar manter relativamente constante o torque resistivo sobre os flexores do cotovelos durante toda a ADM. Essa característica é totalmente diferente do rosca scott com pesos livres, onde a magnitude do torque resistivo é alterada durante a ADM, em virtude da alteração dos braços de alavanca.

Diante disso, como a torque resistivo produzido na máquina scott será relativamente constante em virtude da roldana Khan, durante toda a ADM não ocorrerá ponto de descanso, ou seja, um ponto de redução significativa da tensão muscular, assim o indivíduo sofrerá uma tensão muscular significativa durante toda ADM. Portanto, pode-se entender que do ponto de vista biomecânico o rosca scott na máquina é mais eficiente do que o rosca scott com pesos livres, pois permitirá o indivíduo executar maiores flexões dos cotovelos sem redução significativa na tensão muscular.

Todavia, do ponto de vista cinesiológico durante a execução da rosca scott na máquina, principalmente o bíceps cabeça longa entrará em um forte insuficiência ativa no final da fase concêntrica, em virtude dos fatores citados anteriormente no texto. Essa insuficiência ativa será ainda maior, quanto mais exacerbada for a flexão do cotovelo. Portanto, nos ângulos finais da fase concêntrica (flexão do cotovelo) o indivíduo entrará em uma forte insuficiência ativa. Esse comportamento é contrário a rosca scott com barra ou pesos livres, onde durante a flexão do cotovelo, o braço de alavanca vai reduzindo, o torque resistivo também e assim no ponto em que o bíceps cabeça longa entraria em insuficiência ativa, ocorrerá uma redução na tensão muscular.

Entretanto, é comum nas academias de ginastica visualizar indivíduos que executam nas sessões de treino de bíceps o exercício de rosca direta no banco inclinado.

Mas será que na rosca direta com halteres no banco inclinada ocorrerá o mesmo comportamento biomecânico e cinesiológico descrito para a rosca scott com pesos livres e máquina?

Para a execução da rosca direta com halteres no banco inclinado, o indivíduo deverá posicionar seus membros superiores verticalizados. Diante disso, diferentemente do que ocorre nos exercícios de rosca scott com pesos livres e maquina, a articulação do ombro encontrara-se em extensão. Diante disso, o bíceps braquial cabeça longa não estará encurtado no ombro e sim sendo alongado nessa articulação. Ainda, como o indivíduo estará com uma extensão dos cotovelos, a cabeça longa assim como os demais flexores do cotovelo estarão sendo alongados nessa articulação (cotovelo). Como o indivíduo estará sustentando os halteres com as mãos em supinação, os flexores do cotovelo estarão encurtados apenas para sustentar essa posição do seguimento.

Diante desse posicionamento descrito acima, no final da fase concêntrica do movimento (flexão dos cotovelos) não ocorrerá insuficiência ativa do bíceps braquial principalmente a cabeça longa, pois a articulação do ombro estará estendida, sendo assim, alongando as fibras nessa articulação. Dessa forma, podemos hipotetizar que durante a execução da rosca direta com halteres no banco inclinado, o bíceps cabeça longa terá maior contribuição com os outros flexores do cotovelo para produzir o movimento de flexão do cotovelo. Esse comportamento é contrário ao qual potencialmente ocorrerá na rosca scott, que devido a prévia flexão do ombro, a cabeça longa do bíceps terá menor participação para flexionar o cotovelo, assim podendo ocorrer um maior recrutamento de unidades motoras por exemplo da cabeça curta do bíceps braquial e do músculos braquial.

Qual a insuficiência muscular que poderá ocorrer na execução da rosca direta com halteres no banco inclinado?

Como o indivíduo estará com uma extensão do ombro e dos cotovelos, alguns indivíduos que apresentam uma baixa extensibilidade das fibras principalmente do bíceps cabeça longa, poderá sentir certa dor e desconforto. Esse cenário poderá ocorrer em virtude de uma insuficiência passiva particularmente da cabeça longa do bíceps braquial. Pois o posicionamento em extensão dos ombro e cotovelo exigirá uma forte extensibilidade dessas fibras. Dessa forma, indivíduos que apresentam um forte encurtamento poderão entrar em insuficiência passiva da cabeça longa do bíceps braquial.

Caso o cliente verbaliza ao personal que essa insuficiência passiva esteja gerando muito desconforto, seria interessante que o personal orientasse o esse cliente iniciar a execução do exercício com prévia flexão dos cotovelos. Assim, encurtara-se o bíceps no cotovelo e assim reduzirá a insuficiência passiva. Entretanto, a longo prazo é necessário que o personal venha a aplicar exercícios de flexionamento específicos para essa musculatura, visando aumentar a extensibilidade da mesma, e assim a redução do retesamento. Lembrando que um forte retesamento desse músculo poderá atrapalhar em exercícios que exijam extensão do ombro e do cotovelo.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e visualizem as diferenças cinesilógicas e biomecânicas entre o rosca scott com pesos livres, na máquina e rosca direta com halteres no banco inclinado.