Durante a fase concêntrica do abdominal supra na polia alta poderá ocorrer insuficiência ativa do grupo muscular iliopsoas.

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Por que e em que momento poderá ocorrer a insuficiência ativa do grupo muscular iliopsoas?

Para entender porque poderá ocorrer insuficiência ativa do grupo muscular iliopsoas (músculo ílio + músculos psoas maior e menor) primeiramente deveremos entender alguns aspectos de posicionamento do indivíduo para executar o abdominal supra na polia alta. Para execução o indivíduo encontrar-se com os joelhos apoiado no solo e “sentado” sobre os membros inferiores. Assim, ao assumir esse posicionamento o indivíduo estará produzindo um movimento de flexão do quadril, ou seja, o fêmur estará se aproximando da pelve. Diante disso, principalmente o psoas maior do grupo iliopsoas já estará sendo encurtado, pois o seu ponto de fixação que está no trocanter menor do fêmur estará se aproximando do seu outro ponto de fixação que encontra-se nos processo cotisformes, face lateral dos corpos vertebrais e discos intervertebrais correspondentes as vertebras de T12 a L5. Portanto, pode-se entender que já no posicionamento inicial do exercício o indivíduo já produzirá um encurtamento do grupo muscular iliopsoas.

Entretanto, como se sabe para realização do exercício o indivíduo deverá produzir o movimento de flexão toracolombar, para com isso visar o acionamento dinâmico do músculo reto abdominal, que é motor primário desse movimento (flexão toracolombar) e um trabalho sinérgico do obliquo externo, interno e do transverso do abdome. Porém, do ponto de vista fisiológico quando um músculo encurta-se de forma concêntrica, tracionará para o centro do ventre muscular as duas extremidades. Por isso, essa contração é denominada concêntrica. Diante disso, como sabemos o reto abdominal em virtude de seus pontos de origem e inserção, quando contrai tem a capacidade de produzir o movimento de flexão toracolombar, retroversão pélvica, depressão da caixa torácica e também auxiliar para os movimentos de inclinação ou flexão lateral da coluna vertebral. Portanto, na execução do abdominal supra na polia alta, quando o indivíduo começasse a executar a fase concêntrica do movimento e assim acionar o reto abdominal será produzido o movimento de flexão toracolombar e retroversão pélvica, mas esse segundo movimento não ocorrerá.

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A retroversão pélvica não ocorrerá porque o grupo muscular iliopsoas será acionado para “lutar” contra essa tendência de movimento. Dessa forma, deve-se entender que quando o indivíduo começa a executar a fase concêntrica o grupo muscular iliopsoas será acionado ainda mais para sustentar pelve. Esse acionamento será cada vez mais intenso quando maior for a flexão toracolombar. Esse aumento no recrutamento do iliopsoas tem por objetivo manter a pelve em uma posição neutra e com isso as curvaturas da coluna vertebral preservadas. Portanto, possivelmente no final da fase concêntrica do movimento do abdominal supra na polia alta poderá ocorrer um cero grua de insuficiência ativa do grupo muscular iliopsoas. Isto é, o iliopsoas poderá atingir ou chegar bem próximo do seu encurtamento máximo, o que representa uma redução na capacidade de produzir-se acoplamento da cabeças da miosina com os sítios ativos de actina, pois os miofilamentos de actina começam a se sobrepor.

Um ponto importante a salientar é o ponto em que ocorrerá a insuficiência ativa desse grupo muscular poderá depender da quilagem que o indivíduo estiver aplicando para execução do exercício.

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Mas a ocorrência de insuficiência ativa do grupo muscular iliopsoas é bom ou ruim?

Em virtude das tarefas diárias, como por exemplo subir escadas ou ainda permanecer várias horas sentada no trabalho, se produz maior tempo de acionamento do grupo muscular iliopsoas do que da musculatura da parede abdominal. Assim, realizando uma comparação, o grupo iliopsoas em grande partes das pessoas será mais forte do que reto abdominal. Diante disso, caso o indivíduo esteja executando um exercício abdominal onde esteja com uma extensão ou flexão do quadril pequena, o iliopsoas estará em seu comprimento ótimo para produzir força.

Diante desse cenário, quando o indivíduo começar a executar a fase concêntrica do exercício abdominal, como o iliopsoas é mais forte do que o reto abdominal produzira-se muitas vezes o movimento de anteversão pélvica em conjunto com uma acentuação da curvatura de lordose lombar. Assim, o indivíduo poderá sair do exercício abdominal sentido dor na região lombar da coluna vertebral. Para se evitar essa ocorrência uma estratégia que usa-se é realizar os exercícios abdominais com uma certa flexão do quadril. Pois ao executar essa estratégia produzira-se um prévio encurtamento do iliopsoas, e como descrito anteriormente no texto quando o indivíduo começa a executar a fase concêntrica ele (grupo iliopsoas) atingirá o seu encurtamento máximo ou chegara bem próximo disso, de uma forma mais rápida.  Assim a sua capacidade de anteverter a pelve ficará minimizada. Portanto, a ocorrência de insuficiência ativa do grupo iliopsoas nos exercícios abdominais é algo bem vindo, do ponto de vista de segurança.

Porém, o que você possa estar perguntando-se é se outros anteversores pélvicos como por exemplo os músculos extensores da coluna vertebral como o grupo dos eretores da espinha (longuíssimo, espinhal e iliocostal) e o quadrado lombar também poderiam entrar em insuficiência ativa em virtude do trabalho para manter a pelve em posição neutra, já que como citado acima a tendência é que pelve venha a retroverter.

Pode o grupo muscular do eretores da espinha e quadrado lombar que são anteversores pélvicos entrarem em insuficiência ativa para manter a pelve na posição neutra durante o abdominal supra na polia alta?

Em uma resposta rápida, esse cenário de insuficiência ativa não poderá ocorrer. Durante a execução do abdominal supra na polia alta como já foi descrito cima o indivíduo deverá executar pra treinar a musculatura da parede abdominal o movimento de flexão toracolombar. Dessa forma, obviamente os músculos antagonistas, que nesse caso são os extensores da coluna vertebral deverão relaxar e ceder para que o movimento de flexão toracolombar ocorra. Dessa forma, caso os extensores da coluna vertebral viessem a contrair para manter a pelve em posição neutra, o movimento de flexão toracolombar seria travado, pois os pares antagônicos estariam se contraindo ao mesmo tempo, ou seja, haveria duas forças agindo ao mesmo tempo e tracionando a coluna vertebral para lados opostos. Caso esse cenário ocorresse essas duas forças se anulariam e a coluna vertebral ficaria parada.

Portanto, diante disso, esse cenário cinesiológico descrito acima reforça ainda mais porque o grupo muscular iliopsoas poderá entrar em insuficiência ativa durante esse abdominal, pois a estabilização da pelve ficará toda a cargo desse grupo muscular. Entretanto, existe um cenário que envolve os extensores da coluna vertebral que poderá influenciar na capacidade de execução do abdominal supra na polia alta.

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Qual a influência dos extensores da coluna vertebral durante a execução do abdominal supra na polia alta?

Como descrito acima no texto, durante a fase concêntrica do movimento os músculos antagonistas, ou seja, os extensores da coluna vertebral (grupo eretores da espinha e quadrado lombar) deverão relaxar e assim alonga-se para que o movimento de flexão toracolombar ocorra. Entretanto, muitos indivíduos em virtude das suas atividades profissionais poderão apresentar um forte acionamento diário, por muitas vezes em contração isométrica ou até mesmo dinâmica, dos músculos extensores da coluna. Portanto, ao longo do tempo se esse indivíduo não vir a realizar um trabalho de alongamento, poderá ocorrer um certo grau de retesamento ou encurtamento desses músculos.

Diante do apresentado acima, caso o indivíduo apresente um forte retesamento/encurtamento dos extensores da coluna vertebral em um determinado grau da fase concêntrica do movimento, poderá ocorrer insuficiência passiva desses músculos. Com isso, o movimento de flexão toracolombar poderá ficar limitado e o indivíduo sair da técnica. Uma outra ocorrência em virtude dessa insuficiência passiva é a ocorrência do movimento de anteversão pélvica, pois principalmente o quadrado lombar tem um ponto de fixação na região posterior da crista ilíaca e assim com entrada em insuficiência passiva poderá fazer com esse músculo venha tracionar a crista ilíaca pra cima o que repercutirá na alteração descrita acima. Um último ponto, é que com essa anteversão a curvatura de lordose lombar poderá ser alterada produzindo-se uma hiperextensão e assim hiperlordose, o que aumenta o risco de lesão nessa região.

Assim, o personal trainer deverá buscar realizar com esse cliente um trabalho de alagamento ou flexionamento para esses grupos musculares citados.