No exercício de tríceps de costas para a polia o músculo tríceps braquial cabeça longa poderá entrar em insuficiência passiva no final da fase excêntrica, pois o mesmo estará sendo alongado no ombro e cotovelo.

O exercício de tríceps de costas para a polia é uma variação muito utilizada pelos praticantes intermediários e avançados na prática do Treinamento Resistido com Pesos (TRP). Porém, quando os indivíduos aproximam-se do final da fase excêntrica do movimento, para que continuem a projetar a barra para trás entram em hiperextensão da coluna vertebral, assim saindo da técnica ideal e gerando uma carga compressiva na face posterior dos discos intervertebrais lombares.

Em alguns casos essa hiperextensão poderá estar ocorrendo em virtude da ocorrência de um retesamento que está levando a cabeça longa do tríceps braquial entrar em insuficiência passiva. Como a cabeça longa devido aos seus pontos de origem e inserção tem capacidade de produzir ao movimentos de extensão do ombro e dos cotovelos, e durante o tríceps de costas para a polia o indivíduo encontra-se em flexão de aproximadamente 90° do ombro, a cabeça longa já está sendo alongada nessa articulação. Dessa forma, como o indivíduo executa durante a fase excêntrica uma flexão dos cotovelos, o tríceps cabeça longa também estará sendo alongado nessa articulação. Em resumo, podemos entender que nesse exercício o tríceps cabeça longa estará sendo alongado no ombro e no cotovelo. Dessa forma, caso o indivíduo esteja com um retesamento excessivo desse músculo, ele (tríceps braquial cabeça longa) entrará em insuficiência passiva em virtude da incapacidade de alongar-se. Assim, para que a barra seja projetada para trás o indivíduo executará um hiperextensão da coluna vertebral.

O que são as insuficiências musculares?

Como o próprio nome já nos faz entender, uma insuficiência muscular representa uma incapacidade de desempenho de um determinado músculo ou grupo muscular. Ou seja, quando fala-se que um músculos está em insuficiência isso quer dizer que o músculo perdeu ou está perdendo sua melhor capacidade funcional.

Entretanto, a literatura apresenta que um músculo ou grupo muscular poderá “entrar” em insuficiência ativa ou passiva.  A seguir no texto será descrito os conceitos de insuficiência ativo e passiva e porque elas ocorrem.

O que é insuficiência ativa, e por que ela ocorre?

Como foi descrito anteriormente no texto, insuficiência representa a perda da capacidade de um músculo ou grupo muscular. Todavia, a insuficiência ativa ocorre quando um músculo começa a se encurtar. Como assim, quando um músculo começa a encurtar? Sim, quando um músculo começa a encurtar-se devido ao deslizamento dos miofilamentos de actina e miosina, ocorrerá a produção de força muscular. Entretanto, a partir do momento que ele (músculo) começar a encurtar-se ocorrerá diminuição da sua capacidade de produzir força, entrando assim em insuficiência ativa. Ou seja, quanto mais um músculo encurta-se e produz força, menor passa a ser sua capacidade de produzir mais força.

Essa insuficiência ativa, ocorrerá em virtude da relação força-comprimento dos sarcômeros (clique aqui e assistia a vídeo aula sobre relação força-comprimento) e em virtude das sobreposição dos miofilamentos de actina. Ou seja, quando um músculo vai encurtando-se e aproxima-se do seu encurtamento máximo, começará a ocorrer uma sobreposição dos miofilamentos de actina. Esse comportamento produzirá uma diminuição dos pontos de acoplamentos das cabeças da miosina nos sítios ativos do miofilamentos de actina. Com isso, diminuindo da formação das pontes cruzadas de actina e miosina, diminuição do encurtamento sarcomial, da miofibrilas, fibras musculares como um todo e consequentemente da força muscular, ocorrendo assim, a insuficiência ativa.

Na sequência será descrito o que é insuficiência passiva.

O que é insuficiência passiva e por que ela ocorre?

A cada grau de alongamento de um músculo o mesmo diminuirá sua capacidade de alongar-se, pois está chegando cada vez mais próximo da sua capacidade máxima de extensibilidade.  Ou seja, a insuficiência passiva ocorrerá quando um músculos atinge seu grau de extensibilidade máxima. Dessa forma, quando um músculo ou grupo muscular atinge esse ponto (extensibilidade máxima) determina-se que o músculo está em insuficiência passiva, não tendo mais capacidade de ceder.

Essa insuficiência passiva poderá ocorrer em virtude de posições adotados aonde um determinado músculo ou grupo muscular atinge sua extensibilidade máxima, ou ainda em virtude desse músculos estar retesado, assim não conseguindo produzir sua extensibilidade suficiente.

Apresentado e entendido o conceito de insuficiência ativa e passiva, no texto de hoje iremos analisar se ocorre algum tipo de insuficiência passiva no exercício de tríceps de costas para a polia.

Pode ocorrer insuficiência passiva no exercício de tríceps de costas para a polia?

Sim, nesse exercício normalmente poderá ocorrer uma insuficiência passiva do músculo tríceps braquial cabeça longa, no final da fase excêntrica do movimento, isto é no final da fase excêntrica. Essa insuficiência passiva poderá ocorrer em virtude do posicionamento inicial de execução + a posição final da fase excêntrica. Como o tríceps braquial na sua cabeça longa é extensor e adutor glenoumeral e extensor do cotovelo e o indivíduo para a execução desse exercício encontra-se com uma flexão do glenoumeral de aproximadamente 90°, nessa articulação (glenoumeral /ombro) o tríceps cabeça longa está sendo alongado, pois estará sendo produzido o movimento contrário ao qual ele produzirá quando se contrai. Além disso, como durante a fase excêntrica do movimento o indivíduo produzirá a flexão dos cotovelos, a cabeça longa do tríceps braquial também começará a ser alongada na articulação do cotovelo. Diante disso, podemos entender que o tríceps cabeça longa estará sendo alongado tanto na articulação do ombro como do cotovelo, apresentando grande chance de entrar em insuficiência passiva.

Essa insuficiência passiva, poderá ocorrer por dois fatores: 1) em virtude do indivíduo alcançar a extensibilidade fisiológica máxima da cabeça longa do tríceps braquial e assim não podendo mais ceder para que a flexão do cotovelo ou 2) em virtude da cabeça longa estar retesada e assim não conseguindo “ceder” para que a flexão do cotovelo continue. Um ponto importante a salientar é que se o indivíduo estiver com também com uma abdução do ombro essa insuficiência passiva poderá ser maior ainda. O ponto de ocorrência da insuficiência passiva será individual. Isso ocorre porque como apresentado acima os indivíduos apresentam diferentes níveis de extensibilidade dos músculos. Assim sendo, se um indivíduo apresenta o tríceps cabeça longa com um grande grau de retesamento, a insuficiência passiva ocorrerá muito antes do que um indivíduo que apresenta um grua de retesamento menor.

O que a insuficiência passiva poderá gerar na execução do exercício de tríceps de costas para a polia?

Imaginemos que você esteja trabalhando com um cliente e prescreva no dia de treino para o grupo muscular tríceps braquial o exercício de tríceps de costas para a polia. Entretanto, quando o indivíduo começa a executar você identifica que durante os ângulos finais da fase excêntrica (flexão dos cotovelos) ele começa a produzir um movimento de hiperextensão da coluna vertebral. Diante disso, você volta a explicar a técnica correta de execução do exercício e solicita que o seu cliente volta a executar. Porém, novamente no final da fase excêntrica do movimento ele volta a produzir uma hiperextensão da coluna vertebral.

Muito provavelmente, seu cliente está perdendo a técnica desse exercício em virtude da instalação de uma insuficiência passiva do músculo tríceps braquial na sua cabeça longa. Pois em virtude do seu posicionamento de origem (tubérculo infraglenoidal da escápula) e inserção (olecrano da ulna) ele tem como poder a extensão e adução do úmero e extensão do cotovelo. Entretanto, como o indivíduo encontra-se em flexão glenoumeral de aproximadamente 90° e durante a fase excêntrica realiza uma flexão dos cotovelos e tríceps braquial cabeça longa entrará em insuficiência passiva. Isso poderá ocorrer porque o indivíduo atingiu a extensibilidade máxima da cabeça longa do tríceps braquial e para continuar a realizar a fase excêntrica e projetar a barra para trás terá agora que hiperextender a coluna vertebral. Por outro lado, essa insuficiência passiva poderá estar ocorrendo em virtude de um retesamento da cabeça longa do tríceps braquial, e para que seu cliente consiga finalizar a fase excêntrica será necessário uma hiperextensão da coluna vertebral, saindo assim da técnica adequada.

Como tentar resolver esse problema?

Caso você (personal trainer) identifique que seu cliente esteja entrando em insuficiência passiva muito rapidamente durante a fase excêntrica desse exercício e perdendo a técnica de execução, e com avaliações de flexibilidade tenha identificado que seja um retesamento do tríceps cabeça longa, é interessante que você realize um trabalho de flexionamento desse músculo. O volume e intensidade desses exercícios de flexionamento dependerá da grau de retesamento que esse grupo muscular encontra-se.

Para isso deve-se executar exercícios que produzam os movimentos contrários ao quais esses músculo produz quando contrair. Ou seja, deverá executar-se movimentos de flexão e abdução glenoumeral ou do ombro e flexão do cotovelo.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje sobre a ocorrência da insuficiência passiva do tríceps braquial cabeça longa no exercício  de tríceps de costas para a polia.