Na elevação lateral em pé o músculo deltoide começará a entrar em insuficiência ativa em torno dos 60° a 70° de abdução glenoumeral/ombro.

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Em que ponto da amplitude de movimento ocorrerá a insuficiência ativa do músculo deltoide durante a execução da elevação lateral em pé?

Durante a execução do exercício de elevação lateral em pé com halteres o indivíduo executará durante a fase concêntrica o movimento de abdução glenoumeral/ombro, vencendo a resistência (peso do halteres + força gravitacional, 9,81m/s²). Para isso, ocorrerá um forte acionamento dos músculos supraespinhal e deltoide todos as porções/feixes. Já durante a fase excêntrica o indivíduo executará o movimento de adução glenoumeral/ombro. Nesta fase ocorrerá acionamento dinâmico novamente dos músculos supraespinhal e deltoide, porém agora realizando uma contração excêntrica, para frear o movimento produzido pela resistência (halteres) que é ainda acelerada pela força gravitacional (9,81m/s²). Os movimentos na execução da elevação lateral em pé com halteres ocorrerão no plano coronal e terão como eixo o anteroposterior ou posteroanterior.

Analisando a fase concêntrica do movimento, o indivíduo parte de uma posição em que seu membro superior está ao lado do corpo, ou seja, em posição anatômica. Dessa forma, quando o indivíduo atingir em torno de 60 a 70° de abdução glenoumeral/ombro ocorrerá a insuficiência ativa dos músculos supraespinhal e deltoide.

Por que quando o indivíduo atingir entre 60° a 70° de abdução glenoumeral/ombro ocorrerá insuficiência ativa principalmente do deltoide?

Para entendermos porque o deltoide entrará em insuficiência ativa durante a execução da elevação lateral em pé com halteres, precisamos entender que quando o indivíduo está com o membro superior ao longo do corpo (ao lado do corpo) o deltoide encontra-se no seu comprimento normal. Dessa forma, ele (deltoide) encontra-se com uma capacidade máxima para a produção de força muscular, pois como está no comprimento ideal ocorrerá uma grande formação de pontes cruzadas e, como do ponto de vista fisiológico quanto mais pontes cruzadas (acoplamento das cabeças de miosina ao sítios ativos de actina) maior será a capacidade de produção de tensão ou força de um músculos.

Todavia, quando o indivíduo começar a executar a fase concêntrica (movimento de abdução glenoumeral/ombro) o deltoide começará a reduzir a sua capacidade de produção de força, porque a medida que ele encurta-se, menos pontes cruzadas serão formadas, pois esse músculo está atingindo a sua capacidade máxima de encurtamento. Portanto, quando o indivíduo atingir em torno de 60° a 70° de abdução glenoumeral/ombro o deltoide atingirá o seu encurtamento máximo, assim entrando em insuficiência ativa.

Diante disso, você deve estar pensando, mais como o indivíduo consegue prosseguir no movimento de abdução glenoumeral/ombro, se o deltoide atingiu o seu encurtamento máximo aos 60ª 70° de abdução e entrou em insuficiência ativa, assim perdendo a sua capacidade de produção de movimento.

O que ocorrerá para possibilitar o indivíduo a continuar na execução da abdução glenoumeral/ombro acima dos 60 a 70°?

Como descrito acima quando o indivíduo atingir entre 60 a 70° de abdução glenoumeral/ombro o deltoide entrará insuficiência ativa e assim perderá sua capacidade de desempenho. Diante disso, para que o movimento de abdução continue, começará acorrer um movimento escapular mais exacerbado. Ou seja, a partir desses graus descritos acima a escápula começará a produzir um exacerbado movimento de rotação lateral ou superior para auxiliar na progressão do movimento de abdução. Dessa forma, os músculos rotadores laterais ou superiores da escapula (trapézio superior, inferior e serrátil anterior) entrarão com uma ação concêntrica mais forte obviamente para rodar a escapula superiormente e lateralmente, buscando auxiliar o deltoide na progressão do movimento de abdução glenoumeral/ombro.

Um ponto importante a salientar é que quando a escapula começa a rodar de forma intensa superiormente e lateralmente, quando o indivíduo executa abduções acima de 60 a 70°, ocorrerá um asfaltamento do acrômio do osso úmero. Assim, ocorrerá um afastamento dos pontos de origem e inserção do deltoide. Isso permitirá um certo grau de alongamento do deltoide, assim possibilitando que esse músculo (deltoide) diminua um pouco a sua insuficiência ativa, assim proporcionado a produção de mais algumas pontes cruzadas. Diante disso, o ritmo escapuloumeral permitirá que o deltoide consiga produzir algum torque em abduções acima de 60 a 70°.

 Portanto, como o deltoide atingirá quase a sua capacidade máxima de encurtamento em torno de 60° a 70°, ao executar abduções acima desses graus esse músculo continuará atuando, porém com uma menor capacidade de produção de torque ou tensão. Sendo assim, pode-se entender que em abduções acima desses graus citados, ocorrerá contração concêntrica dinâmica mais exacerbada dos músculos rotadores laterais e superiores da escápula.

Essa insuficiência ativa do deltoide poderá ocorrer em outro exercícios como elevação lateral inclinado no banco, ou elevação lateral na polia?

Sim, como os movimentos serão os mesmos produzidos durante a elevação lateral em pé com halteres, ocorrerá o mesmo comportamento cinesiológico durante a execução da elevação lateral no banco inclinado e elevação na polia. Diante disso, analisando particularmente o exercício de elevação lateral em pé ou na polia, para produzir um trabalho mais focado sobre deltoide e supraespinhal, seria interessante que o indivíduo execute abduções glenoumerais/ombros até aproximadamente 60° a 70°. Assim, ocorrerá menor participação do ritmo escapuloumeral, e dessa forma menor atuação dos músculos rotadores laterais e superiores da escápula.

Entretanto, do ponto de vista biomecânica ao executar a elevação lateral em pé com halteres ou na polia até 60° a 70° produzira-se baixos braços de alavanca e com isso, produzindo um menor torque resistivo, torque muscular e consequentemente tensão muscular sobre os músculos alvos. Dessa forma, pode-se entender que essa estratégia (limitar o ângulo abdução) é uma boa estratégia do ponto de vista cinesiológico, porém não tão eficiente do ponto de vista biomecânico.

Diante disso, para tentar equilibrar esses fatores cinesiológico e biomecânicos, uma forma de executar a elevação lateral é no banco inclinado. Pois ao executar a elevação no banco inclinado quando o indivíduo atingir 60 a 70° de abdução glenoumeral/ombro, ponto de melhor eficiência cinesiológica do deltoide, conseguirá produzir um excelente braço de alavanca. Com isso, um interessante torque resistivo e torque ou tensão muscular.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e visualizem porque o deltoide entra em insuficiência ativa durante a execução da elevação lateral em pé.