No exercício de remada curvada poderá ocorrer deformação da técnica de execução em virtude de uma insuficiência passiva de glúteo máximo ou de peitoral maior.

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Qual o erro técnico que pode-se visualizar em alguns praticantes de treinamento resistido com pesos/musculação, quando executam a remada curvada com pegada supinada?

A remada curvada com pegada supinada é um exercício amplamente utilizada nas sessões de Treinamento Resistido com Pesos (TRP) que tem como principal objetivo produzir a treinabilidade da musculatura da região posterior do tronco, ou seja, mais especificamente do latíssimo do dorso/grande dorsal. Para a execução desse exercício o indivíduo deverá posicionar-se com um afastamento lateral dos pés da largura aproximadamente dos quadris ou ombros. Em seguida deverá “pegar” a barra posicionamento as mãos sobre a mesma com um afastamento lateral representativo da largura dos ombros.

Na sequência, deverá executar uma flexão do quadril, assim inclinando o tronco e projetando em direção ao solo, ficando esse segmento (tronco) quase que paralelo ao solo. Por fim, é necessário que o indivíduo venha a manter as curvaturas naturais e fisiológicas da coluna vertebral preservadas. Após realizar esse posicionamento descrito acima, o indivíduo estará apto para iniciar a execução do exercício, onde executará uma extensão do ombro atrelada a uma flexão do cotovelo, e adução escapular na fase concêntrica. Acionando de forma intensa o latíssimo do dorso, redondo maior, deltoide posterior, tríceps braquial cabeça longa e em menor intensidade o romboides maior/menor e trapézio medial. Já na fase excêntrica executará um abdução escapular, flexão dos ombros e extensão dos cotovelos, e os mesmo músculos citados acima serão acionados porém em contração excêntrica.

Entretanto, e possível identificar que alguns indivíduos ao posicionar-se para a execução da remada curvada com pegada supinadas produzem um erro na técnica de execução. Pode-se visualizar que ao realizar o movimento de flexão do quadril, e assim projetar seu tronco em direção ao solo, venham a “perder” as curvaturas naturais e fisiológicas principalmente da região lombar da coluna vertebral. Ou seja, ocorre uma retificação da curvatura de lordose lombar ou até mesmo uma inversão da curvatura, produzindo uma cifose lombar.

Esse erro técnico de execução, particularmente no posicionamento do indivíduo, poderá estar ocorrendo em virtude de dois fatores. Muitas vezes poderá ocorrer em virtude de um mal entendimento da técnica correta de posicionamento. Esse cenário poderá ocorrer em indivíduos iniciantes na prática de TRP, ou iniciantes na execução desse exercício na sua sessão de treino. Diante disso, uma explicação mais minuciosa do profissional de educação física que atua na sala de TRP ou do personal trainer, poderá ser suficiente para que se corrija esse erro. Todavia, muitas vezes, o que é mais comum, e que pode estar levando a esse erro de técnica é a ocorrência de insuficiência passiva de um músculo extensor do quadril.

A seguir, no texto será descrito qual o músculo ou grupo muscular que entra em insuficiência passiva e porque isso ocorre.

Qual o músculo ou grupo muscular que poderá entrar em insuficiência passiva na execução da remada curvada com pegada supinada?

Para que você possa entender qual o músculo ou grupo muscular que poderá entrar em insuficiência passiva durante o posicionamento para a execução da remada curvada com pegada supinada é necessário relembrar o envolvimento muscular durante o esse ato. Como o indivíduo encontrara-se com uma flexão do quadril e semiflexão do joelhos no posicionamento inicial, ocorrerá um alongamento dos músculos que compõem o grupo isquiotibiais (semitendinoso, semimenbranoso, bíceps femoral cabeça longa) na articulação do quadril. Porém, por outro lado como o indivíduo encontrara-se com uma semiflexão dos joelhos, esses mesmos músculos citados acima nessa articulação (joelho) estarão encurtados. Dessa forma, em virtude desse cenário de alongamento no quadril e encurtamento no joelho, os três músculos do grupo isquiotibiais que são biarticulares estarão em equilíbrio de alongamento e encurtamento.  Assim não poderão entrar em insuficiência ativa e tampouco em insuficiência passiva. Diante disso, você pode entender que o erro técnico pode não ser em virtude de uma insuficiência passiva dos isquiotibiais.

Entretanto, como citado acima o indivíduo encontra-se em uma flexão do quadril. Dessa forma, o glúteo máximo que é o principal extensor do quadril, estará sendo alongado sob tensão, para manter a posição do exercício, já que a resistência acelerada pela força gravitacional tende a produzir uma flexão do quadril mais exacerbada. Portanto, para manter a flexão do quadril em aproximadamente 90° o glúteo máximo assim como os músculos biarticulares dos isquiotibiais, serão alongados sob tensão, ou seja, eles estarão produzindo uma contração excêntrica.

Todavia, voltando análise do glúteo, como ele é monoarticular e estará sendo alongado no quadril, poderá em algum grau da flexão do quadril entrar em sua extensibilidade máxima. Diante disso, o glúteo máximo não conseguirá mais alongar para que o indivíduo entre na posição correta de execução.  Com isso, entrando em insuficiência passiva, pois como citado acima atingiu sua extensibilidade máxima. Dessa forma, se o profissional de educação física ou personal trainer exigir que o indivíduo venha a inclinar mais o tronco a frente em direção ao solo, começara a ocorrer uma perda funcional das curvaturas naturais e fisiológicas da região lombar e toracolombar, para que se consiga projetar mais ainda o tronco a frente.

Quais as atitudes que o profissional de educação física que atua nas salas de TRP ou personal trainer deverá tomar para resolver esse erro técnico no posicionamento de execução da remada curvada com pegada supinada?

De uma forma imediata o profissional de educação física que atua como professor na sala de TRP ou personal trainer, deverá solicitar ao seu aluno/cliente que venha a produzir o movimento de flexão do quadril e assim inclinação do tronco a frente até um ponto em que consiga manter as curvaturas naturais e fisiológicas da coluna vertebral.

Imaginemos, que um personal esteja trabalhando com um cliente e que quando ele (personal) solicita ao seu cliente que realize a inclinação do tronco a frente. Assim, ao atingir aproximadamente 120° começa a deformar as curvaturas naturais e fisiológicas da coluna vertebral. Nesse ponto o personal deverá solicitar a esse cliente que pare o movimento e mantenha-se nesse grau de flexão do quadril e inclinação do tronco e execute o exercício. Obviamente, sabe-se que para uma solicitação interessante de latíssimo do dorso, redondo maior, romboides maior/menor e trapézio, é necessário que esse cliente assumisse uma posição do tronco mais inclinado. Porém, como ele (cliente) ao atingir os 120° de flexão do quadril, entrou em insuficiência passiva de glúteo máximo, e assim “perdendo” as curvaturas naturais da coluna vertebral, não é seguro que o personal solicite oriente ele (cliente) a inclinar mais o tronco em direção ao solo, pois isso será realizado a custas de alteração da curvaturas da coluna. Essas alterações das curvaturas da coluna vertebral produzirão a perda da capacidade desse estrutura (coluna vertebral) em sustentar as cargas projetadas sobre ela. Isso por sua vez, repercutirá em uma sobrecarga sobre discos intervertebrais.

Todavia, a longo prazo é fundamental que esse personal do nosso exemplo, venha a introdução na programação de treino desse cliente exercícios de flexibilidade para o músculo glúteo máximo. Para isso, deverá aplicar exercícios de flexionamento que produzam os movimentos contrários aos quais ele (glúteo máximo) produz ao se contrair.

Entretanto, durante a execução do exercício de remada curvada com pegada pronada também poderá ocorrer um erro técnico de execução.

Qual o erro técnico de execução que poderá ocorrer durante a execução da remada curvada com pegada pronada?

Para executar a remada curvada com pegada pronada o indivíduo adotará o mesmo posicionamento corporal do adotado na remada com pegada supinada. Ou seja, um afastamento lateral dos pés da largura dos quadris ou dos ombros, flexão do quadril e por fim deverá manter as curvaturas naturais e fisiológicas da coluna vertebral preservadas. A diferença em relação a remada curvada com pegada supinada é que nesse exercício (remada curvada com pegada pronada) o indivíduo deverá posicionar as mãos sobre a barra em um ponto que represente um pouco mais que a largura dos ombros. E ainda, as mãos deverão estar em posição pronada.

Adotado o posicionamento inicial descrito acima, o indivíduo executará na fase concêntrica o movimento de flexão dos cotovelos, uma abdução transversal do ombro e adução escapular. Diante disso, ocorrerá um forte acionamento dos músculos romboides maior/menor, trapézio medial, deltoide posterior, tríceps cabeça longa e bíceps braquial, braquial e braquiorradial. Um ponto importante a salientar é que nessa forma de execução o latíssimo do dorso terá uma menor participação, em virtude do seu posicionamento de origem.Já durante a fase excêntrica a resistência produzirá os movimentos de abdução escapular, adução transversal do ombro e extensão dos cotovelos. Assim novamente os mesmos músculos serão acionados, porém agora em contração excêntrica.

Entretanto, durante a realização dos últimos graus da fase concêntrica do movimento (abdução transversal do ombro) muitos indivíduos podem vir a produzir movimentos compensatório em regiões corporais que deveriam ficar estáticas. Ou seja, no final da fase concêntrica alguns indivíduos para fazer com que a barra suba ainda mais, veem à produzir os movimentos de hiperextensão da coluna vertebral e extensão do quadril. Como se sabe esses movimentos citados acima devem ser desencorajados, sendo a sua reprodução um erro técnico de execução na remada curvada com pegada pronada.

O que pode estar levando o indivíduo a esse erro na técnica de execução da remada curvada com pegada pronada?

Um dos motivos que pode levar o indivíduo a produzir esse erro técnico de execução citado acima no texto, poderá ser uma má compreensão da técnica de execução. Diante disso, uma intervenção mais intensa do profissional de educação física que atua como personal ou professor na academia poderá ser suficiente para resolver esse problema. Entretanto, em alguns casos, essa intervenção não surte efeito e o indivíduo ainda continua a produzir os erros técnicos citados. O que pode estar levando a esse cenário é a ocorrência de insuficiência passiva dos músculos antagonista ao movimento de abdução transversal do ombro.

Ou seja, durante a execução da fase concêntrica da remada curvada com pegada pronada, os músculos peitoral maior, deltoide anterior, deverão alongar para liberar a ação da articulação do ombro e assim a produção do movimento de abdução transversal do ombro. Todavia, se o indivíduo apresentar um encurtamento excessivo, ou seja, uma baixa extensibilidade das fibras desses dois músculos citados acima (peitoral e deltoide anterior) o movimento de abdução será “trancado”. Assim, para que o indivíduo consiga prosseguir no movimento, elevando a barra, será necessário produzir movimentos compensatórios em outras articulações, como uma extensão do quadril ou hiperextensão da coluna vertebral.

Como se sabe esses movimentos compensatórios devem ser desencorajados, pois danificam a técnica correta de execução e podem trazer prejuízos físicos aos praticantes. Ou seja, particularmente ao produzir a hiperextensão da coluna vertebral, ocorrerá um redução do espaço intervertebral na fase posterior entre os corpos vertebrais, principalmente da região lombar da coluna vertebral. Assim, produzindo um aumento da sobrecarga sobre a face posterior dos discos intervertebrais, o que poderá ser lesivo.

O que o profissional de educação física que atua na academia como professor ou o personal trainer deverá fazer?

De forma imediata caso a execução desse exercício (remada curvada com pegada pronada) sejam essencial no plano de treino, é interessante que o personal ou professor da academia venha a limitar a fase concêntrica, até o ponto em que o cliente/aluno consiga manter as curvaturas da coluna vertebral preservadas. Dessa forma, o cliente/aluno estará executando o exercício de forma segura.

Entretanto, como se sabe para produzir um forte trabalho sobre romboides maior/menor, trapézio medial, deltoide posterior, é interessante que se execute a fase concêntrica até aproximadamente a barra toque ao peito. Diante disso, a longo prazo é interessante que o professor da academia ou personal trainer venha a realizar um trabalho específico de flexibilidade visando aumentar os níveis de extensibilidade das fibras do peitoral maior e deltoide.

Para isso, obviamente é necessário que se aplique exercícios de flexibilidade que reproduzam movimentos contrários aos quais os músculos produzem ao se contrair.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e saibam porque pode ocorrer insuficiência passiva nos exercícios de remada curvada com pegada supinada e pronada.