Não existem remendos nas fibras musculares, diante disso é impossível realizar exercícios para trabalhar o “miolo” do peito.

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Por que quando os alunos/clientes realizam o exercício de crucifixo no banco reto com alteres eles não conseguem sentir trabalhar o “miolo” do peito?

Inicialmente será relembrado a execução do exercício de crucifixo no banco reto com alteres. O aluno/cliente deverá pegar os alteres e deitar-se em decúbito dorsal (de barriga para cima) em um banco reto. Um ponto importante é que ele (aluno/cliente) busque a todo momento manter a cabeça, costas e glúteo em contado com o banco. Na sequência, o aluno/cliente deverá começar executando a fase excêntrica do movimento, realizando o movimento de abdução transversal dos ombros, com os cotovelos levemente flexionados. Os membros superiores nessa fase deverão ser levados até um ponto em que os seguimentos braços fiquem paralelos ao solo. Ao atingir esse ponto, deverá realizar uma adução transversal dos ombros, que caracterizará a fase concêntrica do movimento.

Um ponto importante a salientar é que essa fase concêntrica do movimento deverá ser realizada até um ponto em que os membros superiores fiquem verticalizados ou um pouco antes desse ponto. Caso o aluno/cliente venha a passar desse ponto de verticalização ocorrerá um forte relaxamento da musculatura de peitoral maior. Esse cenário, acontecerá em virtude da não produção de um baraço de alavanca, com isso de torque resistivo e por sua vez de torque muscular.

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Para entender o que foi descrito acima no texto, é necessário relembra o que é um braço de alavanca. Braço de alavanca é uma distância perpendicular, que assim forma um ângulo de 90°, entre o ponto de aplicação da resistência e o eixo articular. Portanto, como o aluno/cliente no crucifixo no banco reto com alteres, está trabalhando com pesos livres a resistência estará sempre no sentido vertical e de cima para baixo. Dessa forma, a resistência (peso dos alteres + força gravitacional) buscará produzir o movimento de abdução transversal dos ombros. Diante disso, pode-se entender que quando o aluno/cliente começa a executar a fase excêntrica do movimento a distância entre o ponto de aplicação da resistência e o eixo articular irá aumentando progressivamente, tendo a maior distância e com isso o maior braço de alavanca no final da fase excêntrica. Portanto, este será o ponto de maior exigência da musculatura de peitoral maior e dos sinergista deltoide anterior.

Por outro lado, quando aluno/cliente começa a realizar a fase concêntrica (adução transversal do ombro) a distância entre o ponto de aplicação da resistência e o eixo começara reduzir-se. Com isso, ocorrerá uma redução do braço de alavanca da resistência, do torque resistivo e do torque muscular. Assim, quando aluno/cliente chega ao final da fase concêntrica o braço de alavanca estará praticamente zerado, assim ocorrerá um relaxamento muscular.

Existem os alunos/clientes que acreditam que se encostarem os alteres, conseguirão produzir um trabalho na região medial do peitoral ou seja, no “miolo” do peito. Entretanto, esse objetivo será impossível durante a realização do crucifixo no banco reto com alteres. Pois como citado acima no texto, quando o aluno/cliente verticalizar os membros superiores ocorrerá a “eliminação” do braço de alavanca e com isso zerando o torque resistivo. Ainda caso ele (aluno/cliente) busque passar desse ponto de verticalização dos membros, com o intuito de conseguir trabalhar mais o “miolo’ do peito, ocorrerá um relaxamento ainda maior das fibras do peitoral maior.

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Mas existem alunos/clientes que realizam o exercício de crucifixo reto no aparelho de crossover e muitos dizem que conseguem sentir o “miolo” do peito, por que isso ocorre?

Com o intuído de trabalhar o “miolo” do peito, muitos alunos/clientes executam em suas rotinas de treino o exercício de crossover com a pegada posicionado na altura dos ombros. Na maioria das vezes esses alunos/cliente se forem questionados irão verbalizar que conseguem sentir um trabalho mais focado no “miolo” do peito. Para entender essa sensação será necessário descrever alguns pontos biomecânicos.

Um primeiro ponto que deverá ser entendido é que nesse exercício a resistência estará no sentido dos cabos. Ou seja, o peso das anilhas através das polias ou roldanas será mudado de direção, fazendo com que a resistência venha encontra-se no sentido dos cabos. Dessa forma, quando o aluno/cliente começar a executar o exercício no final do movimento de adução dos ombros, ou seja, no final da fase concêntrica ainda ocorrerá tensão muscular, ao contrário do exercício de crucifixo no banco reto com alteres. Isso, ocorrerá porque neste ponto da amplitude de movimento ainda se produz um braço de alavanca considerável, e com isso torque resistido e consequentemente um torque muscular. Essas características farão com que os alunos/clientes tenham a sensação que estão trabalhando no final do movimento o “miolo” do peito.

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Essa sensação ficará ainda maior caso o aluno/cliente posicione-se bem embaixo do aparelhos crossover. Dessa forma, ao executar progressivamente a fase concêntrica do movimento, produzirá a cada grau um aumento do braço de alavanca da resistência. Com isso, o maior braço de alavanca será atingido no final da fase concêntrica. Este também será o ponto em que o músculos peitoral maior encontra-se mais encurtado, ou seja, entrando em insuficiência ativa. Como também neste ponto será o maior braço de alavanca, pode-se entender que no momento em que o peitoral atinge insuficiência ativa é o ponto que será maior exigido. Diante disso, ocorrerá um aumento no recrutamento de unidades motoras para que o peitoral consiga realizar esse movimento, o que também contribuirá para que o aluno/cliente tenha a sensação de trabalho o “miolo’ do peito.

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Mas então existem exercícios que se possa trabalhar o “miolo” do peito?

Em uma resposta rápida não existe. É necessário que o aluno/cliente entenda que não existem remendos no músculos peitoral maior. Ou seja, a fibras que estão fixadas no osso úmero se estendem longitudinalmente até o seu outro ponto de fixação na região do tronco, ou seja, de forma integral sem remendos.

Lembrando da fisiologia clássica, a fibras musculares tem um ponto motor que localiza-se no seu centro. Portanto, quando o neurônio motor realizar a liberação de acetilcolina que irá desencadear um potencial de membrana na celular muscular (fibras muscular), esse potencila de ação de propagará e promoverá a liberação de cálcio das cisternas de cálcio no retículo sarcoplasmáticos. Por sua vez, esse cálcio irá interagir com a troponina, o que fará com que mude sua conformação liberando os sítios ativos de actina para a acoplação das cabeças da miosina. Assim, quando as cabeças da missiona ligarem-se aos sítios ativos de actina ocorrerá a contração muscular e assim o encurtamento de todas a fibras muscular, ou seja a contração integral da fibras.

Portanto, diante dos aspectos fisiológicos descritos acima, pode-se entender que não tem como realizar um exercício específico para trabalhar o “miolo” do peito.

Seguidores, não percam a vídeo aula de hoje e verifiquem a análise do Treino em Foco sobre a realização de exercício para trabalhar o “miolo” do peito.