Qual o estresse cardiovascular que uma sessão de treinamento resistido elástico produz?

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Como sabemos durante a realização de uma sessão de exercício físico, seja ela de Treinamento Resistido com Pesos (TRP) ou aeróbio, ocorrerá um aumento de fluxo sanguíneo para o músculo ativo. Esse fenômeno ocorrerá pela necessidade do aumento do gás oxigênio e nutrientes, e também para remoção dos metabolitos produzidos (lactato, dióxido de carbono e íons hidrogênio) pelo trabalho muscular (contração muscular). Todavia, estudos tem demonstrado que o estresse cardiovascular agudo produzido pela pratica de TRP é diferente da produzida por uma sessão de treinamento aeróbio. A constrição mecânica produzida nos vasos que circundam a musculatura ativa supera a dilatação local dos vasos. Como consequência deste processo, irá ocorrer um aumento do retorno venoso, aumento da contração do miocárdio que repercutirá por sua vez a uma elevação da volume sistólico de ejeção e por fim elevação dos valores de Pressão Arterial Sistólica (PAS), Frequência Cardíaca (FC) e Duplo Produto (DP).

Nos dias atuais vários personais trainers veem introduzindo no treinamento de força de seus clientes a utilizando de elásticos. A junção do TRP e dos elásticos para as sessões de treinamento é denominada de Treinamento Resistido Elástico (TRE). A literatura apresenta que essa forma de exercitação pode ser praticada por indivíduos saudáveis e também por pessoas com necessidades especiais, como, cardiopatas entre outras doenças. No entanto, na literatura são poucos os estudos que compararam as repostas cardiovasculares agudas (PAS, FC e DP) durante a realização de uma sessão de TRE.

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Qual o objetivo principal do presente estudo?

Diante da lacuna apresentada acima no texto identificada pelos pesquisadores, o objetivo que eles traçaram foi de analisar as repostas cardiovasculares agudas (PAS, FC, DP) na realização de três séries, no exercício leg press 45°, com diferentes intervalos entre as séries, hora de 45”, 60” e 90” segundos.

Como os pesquisadores realizaram o estudo?

Os pesquisadores recrutaram 10 indivíduos do gênero masculino com idade de 21.5±6.04 anos, com experiência mínima de seis meses de prática em TRE e, que praticavam o exercício leg press 45°.

Os voluntários visitaram o local de coleta quatro vezes. Na primeira visita teve como objetivo realizar o teste de 1RM  e com isso determinar a capacidade de força dinâmica máxima no exercício leg press 45°. Já nas outras três visitas realizou-se o protocolo de teste, que era de três séries de 12 repetições a 60% de 1RM, hora com intervalo de recuperação de 45”, 60” e 90”. A ordem foi randomizada.

Como foram realizadas as medidas do comportamento cardíaco no estudo?

Para aferição das variáveis cardiovasculares em repouso, os indivíduos chegaram ao laboratório é permaneceram sentados por cinco minutos e no final desse período foi aferido os valores de PAS e FC. Já durante o treinamento os pesquisadores realizaram as aferições da PAS entre a penúltima e última repetição de cada série, pois estudos prévios demonstraram que é nesse momento de uma série ao qual se identifica os maiores valores pressóricos. Por sua vez, a aferição da FC foi realizada cinco segundos após o encerramento de cada série. Os pesquisadores justificaram esse estratégia em virtude da necessidade desse tempo (cinco segundos) para a atualização do monitor cardíaco.

Quais foram os resultados que os pesquisadores obtiveram no estudo?

A seguir será descrito o comportamento de cada variável cardiovascular após aplicação do protocolo de teste.

Qual foi o comportamento aguda da PAS?

Analisando inicialmente o comportamento da PAS os pesquisadores identificaram que todos os intervalos de descanso produziram elevação significativa da PAS em relação aos valores de repouso. No intervalo de 45” foi observada diferença entre a primeira e todas as outras séries e, o valore mais baixo foi obtido na primeira série. De forma similar, no intervalo de 60” houve diferença entre a primeira e todas as outras séries. Além disso, havia uma diferença entre a segunda e terceira série e o valore mais elevados foi mostrado na última série. Por fim, no intervalo de 90” obteve-se diferença significativa entre a primeira e todas as outras séries. Contudo, quando comparado o intervalo de 90” com de 45” os pesquisadores identificaram diferenças significativas entre eles.

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Qual foi o comportamento da variável FC?

Analisando agora a variável da FC, os pesquisadores identificaram diferenças significativas nos valores de FC entre o repouso e séries durante o treinamento. Quando aplicado o intervalo de 45” houve uma diferença significativa entre o primeiro e todos as outras séries. Além disso, houve uma diferença significativa entre a segunda e a terceira série, mas o maior valor foi observado na ultima série. Por sua vez, quando aplicou-se o intervalo de 60” mostrou-se diferença significativa entre a primeira e todas as outras séries, além disso, uma diferença entre a segunda e terceira série. Por fim, no intervalo de 90” somente observou-se diferença quando comparado a primeira e todas as outras séries.

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Qual foi o comportamento da variável DP?

Os pesquisadores identificaram diferenças significativas nos valores de DP do repouso para o treinamento. Isto é, os valores de DP foram mais elevados durante a realização do treinamento.  Quando aplicou-se o intervalo de 45” foi observada diferença significativa entre a primeira e todas as outras séries e também entre a segunda e terceira série. Já quando aplicou o intervalo de 60” os pesquisadores identificaram uma diferença significativa entre a primeira e todas as outras séries além da segunda e terceira. Por fim, com 90” de intervalo ocorreu diferença significativa entre a primeira e todos as outras séries.

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Qual a principal aplicação prática dos resultados do presente estudo?

Caso o personal trainer esteja trabalhando com um indivíduo que apresenta alguma doença cardiovascular ou hemodinâmica e, que durante a sessão de treino não possa obter um estresse cardiovascular muito elevado, uma estratégia seria aplicar intervalos de descanso entre as séries   igual ou superior a 90 segundos. Pois como os resultados do presente estudo demonstraram esse intervalo de descanso produziu menor estresse cardiovascular quando comparado aos outros intervalos de descanso aplicados.

Seguidores, baixem o artigo e façam suas análises.

Bons estudos

Laboratorista Kayus César.