Vários estudos tem demonstrado que uma sessão aguda de Treinamento Resistido com Pesos (TRP) causa aumentos significativos na Frequência Cardíaca (FC) Pressão Arterial (PA) e Duplo Produto (DP). Um ponto importante a salientar é que dependendo da forma de manipulação das variáveis de intensidade (velocidade de execução, amplitude de movimento, quilagem, tempo de intervalo entre séries e exercícios) e de volume (número de séries, exercícios, número de repetições) terão influenciada direta na magnitude das repostas cardiovasculares aguda.

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Alguns estudos tem apresentado a hipótese de dois fatores que elevam os valores cardíacos durante a realização de sessões de TRP ou musculação. A primeira seria em virtude da fadiga acumulada em decorrência da adoção de curtos intervalos de descanso entre as séries. A segunda hipótese apresenta que a magnitude das repostas cárdicas agudas estaria intimamente relacionada ao tempo de tensão muscular nas séries. Pois os exercícios de TRP causam uma oclusão dos vasos sanguíneos e isto pode, dependendo da intensidade e duração, conduzir para uma reposta barroreflexa compensatória, que será de maior magnitude quando as séries são realizadas até a fadiga voluntária.

A literatura ainda apresenta que a resposta hemodinâmica para o trabalho muscular em exercícios de TRP pode também se conduzida em virtude de um aumento da atividade simpática e uma redução na atividade parassimpática. Isso potencialmente ocorrerá em virtude de aumento ativação superior do comando central e dos mecanorreceptores presentes nos músculos e articulações. O comando central envolve a transmissão de impulsos a partir do córtex motor para o centro cardiovascular. Por outro lado, o mecanismo periféricos enviam vários sinais aferentes para a base de controle cardiovascular. O aumento da resistência vascular periférica causada pelo colusão parcial do fluxo sanguíneo, contribuiu para o desbalanço entre suplemento e demanda de oxigênios nos tecidos ativos. A literatura, tem demostrado que exercícios físicos que produzem 15% da contração voluntária máxima, já produz obstrução progressiva do fluxo sanguíneo. Como um resultado, a remoção de metabolitos (lactato, hidrogênios, fosfato, adenosina e potássio entre outros) é impedido de forma completa. Diante disso, ocorrerá a ativação dos quimiorreceptores que por sua vez estimularão um aumento da atividade simpática e elevação da FC e PA e consequentemente DP.

Já o aumento da PA também poderá ser influenciado pelo número de unidades motoras acionadas durante os exercícios. Ou seja, mecanorreceptores nos músculos e articulações, sensíveis ao aumento da força voluntária (recrutamento de unidades motoras) e a tensão produzida sobre as articulações, informarão ao centro de controle cardiovascular sobre a necessidade de modificar a reposta cardiovascular para regular o fluxo sanguíneo. Por fim, um outro fator apresentado pela literatura é que o aumento da resistência vascular periférica associado com a oclusão arterial durante os exercícios, principalmente na fase concêntrica é outro fator a ser considerado na magnitude da reposta da PA.

Na literatura pode-se notar estudos que investigaram a influência da velocidade de movimento, número de séries, quilagem e número de repetições, massa muscular envolvidas nos exercícios, tipo de exercícios e estado de treinamento sobre a magnitude das repostas cardiovasculares (PA, FC e DP). Todavia, os pesquisadores do presente estudo que posto agora identificaram que são escassas as informações sobre a influência do intervalo de repouso entre as séries e exercícios.

Qual foi o objetivo do estudo?

Investigar a influência de dois diferentes intervalos de descanso estabelecidos de acordo com o tempo de tensão muscular, em séries múltiplas, realizados com diferentes repetições máximas, sobre a resposta aguda da FC, PAS, PAD e DP.

Quais eram as características dos indivíduos que participam do estudo?

Foram selecionados 20 indivíduos (26±5 anos; 70.9±8.1 Kg; 173.9±7.0 cm) que apresentavam entre seis a 12 meses de experiência na pratica do TRP. Os indivíduos ainda, não deveriam estar fazendo a utilização de qualquer medicamento que pudesse influenciar as respostas cardiovasculares em repouso ou durante o exercício, não apresentar limitações musculoesqueléticas que poderia causar contraindicação aos exercícios, não ser portador de hipertensão, doença do coração ou outro problema cardiovascular.

Como os pesquisadores realizaram o estudo?

Após determinar as quilagens de trabalho para 6 RM e 12 RM, os indivíduos foram submetidos a quatro protocolos de treinamento. A ordem de realização dos protocolos foi por entrada contrabalanceada. Cada sessão de treinamento foi realizada em um dia específico. Cada indivíduo compareceu quatro vezes ao laboratório para realização do protocolo experimental com um intervalo de 48 horas entre cada visita/sessão.

Todos os indivíduos realizaram os seguintes procedimentos: a) três séries de 6 RM com um intervalo de 1:3; b) três séries de 6 RM com um intervalo de 1:5; c) três séries de 12 RM com um intervalo de 1:3; e d) três séries de 12 RM com intervalo de 1:5.

Em cada visita/sessão ao chegar ao laboratório o indivíduo permanecia sentado em um ambiente calmo e quieta por 10 minutos. Então, a FC e PAS foram aferidas em repouso. O valor de FC de repouso foi determinada através da média dos valores obtidos nos últimos dois minutos. Já a PAS e PAD foi determinada por duas aferições realizadas nos últimos dois minutos de repouso.  Após esse procedimento os indivíduos foram conduzidos a sala de avalição e iniciaram um aquecimento especifico, realizando 12 repetições com uma quilagem que representava 30% da carga máxima para o número de repetições determinados em cada sessão. Após a série de aquecimento os indivíduos repousaram por cinco minutos e iniciaram os exercícios.

As aferições da FC durante o exercício foram realizadas de forma continua, e os maiores valores obtidos ao final das séries forma registrados. Por outro lado, para aferição da PAS e PAD durante o exercício a válvula do aparelho foi aberta antes do final de cada séries. Para essa aferição os indivíduos foram orientados a manter o braço esquerdo com os cotovelos semiflexionados e com as mãos supinadas.

Qual a forma que os pesquisadores determinaram os intervalos de descanso?

Os pesquisadores determinaram os intervalos de repouso entre as séries levando em consideração a duração das mesmas. Ou seja, a duração das séries foram cronometradas e o resultados foi então multiplicado por três ou cinco, para determinar que o intervalo estaria de acordo, respectivamente, com a relação de 1:3 e 1:5, ente a execução e o tempo de intervalo.

Quais foram os resultados obtidos?

Inicialmente os pesquisadores observaram que não houve diferença entre os valores de FC e PAS nas aferições realizadas em repouso em cada sessão de testagem (p=0.78). Por outro lado, os valores de FC e PAS durante a realização das séries mostraram-se sempre significativamente superiores do que os valores obtidos durante as aferições no repouso (p=0.027; p=0.039, respectivamente). Analisando isoladamente a variável cardiovascular FC, a mesma sofreu influência isolada do número repetições máximas (p=0,008), e numero se séries (p<0.001), porém não do intervalo de repouso (p=0.087). Quando os indivíduos realizaram os protocolos com 6RM a variação nas séries com um intervalo de relação 1:3 foi significativamente superior do que a variação observada em 1:5 ( 11.2±1.1 bpm versus 4.5±0.2 bpm, respectivamente, sendo essa diferença estatisticamente significativa (p=0.002). Já quando os indivíduos realizaram os protocolos com 12 RM a variação com um intervalo de 1:3 comparado a variação observada com 1:5 (21.1±2.2 bpm versus 18.9±2.0 bpm, respectivamente) não foi estatisticamente significativa (p=0.83).

Analisando agora os valores de PAS a mesma sofreu efeito isolado do número de séries (p<0.001), pelo intervalo de repouso (p=0.017). Os pesquisadores observaram variação ente a primeira e terceira series, sendo as mesmas influenciadas pelo intervalo de repouso. No protocolo com 6 RM foi observado uma variação para 1:3 e 1:5, de 10.6±0.9 mmHg e 6.6±0.7 mmHg, respectivamente. Sendo essa diferença estatisticamente significativa (p=0.02). Já para o protocolo de 12 RM, a variação com o intervalo de 1:3 foi de 15.2 ±1.1 mmHg, e a variação com um intervalo de 1:5 foi de 8.4±0.7 mmHg, sendo esta diferença estatisticamente significativa (p=0.04).

Por fim, os pesquisadores observaram que o comportamento do DP , foi diretamente proporcional ao número de repetições máximas (p=0.036) e número de séries (p<0.001), e inversamente proporcional ao intervalo entre as séries (p=0.006). Foi observada variação entre a primeira e terceira série, realizando com um intervalo de 1:3 de 2,892± 189 mmHg.bpm para 6RM, e 4,587±300 mmHg.bpm para 12 RM, sendo essa diferença estatisticamente significativa. Entretanto, quando foi aplicado o intervalo mais longo 1:5 a variação do DP para 6RM foi de 1,224±141 mmHg.bpm, quanto para 12RM foi obtido uma variação de 2,332±194 mmHg.bpm, porém, essa diferença não foi estatisticamente significativa (p=0.58).

Quais as aplicações práticas dos resultados do presente estudo?

Como apresentado acima, os pesquisadores identificaram que séries múltiplas de TRP para membros inferiores causam aumentos significativos e acumulativos das respostas cardiovasculares, especialmente da PA com um impacto significativo sobre o DP. Diante disso, os pesquisadores ainda identificam que o nível de estresse cardiovascular está associada as repetições máximas, mas também a outras variáveis do treinamento, como o número de séries, ou seja, quanto maior o número de séries realizados em um mesmo exercícios maior tenderá ser a resposta cardiovascular aguda.

Por outro lado, se o personal trainer ou professor e Educação física que trabalha em academias de ginástica aplicar intervalos de descanso longos, pode-se esperar resposta cardiovasculares agudas menores do que quando aplica-se intervalos curtos. Portanto, em indivíduo que apresenta algum tipo de risco cardiovascular parece ser interessante aplicar intervalos de descanso maiores entre os exercícios e séries, para que se produza um estresse cardiovascular menor.

Seguidores, baixem o artigo e façam as suas análises.

Bons estudos!!!

Laboratorista Kayus César