Qual a influência de uma sessão de treinamento resistido com pesos utilizando o método/sistema excêntrico sobre a função endotelial vascular e rigidez arterial central?

Click aqui e baixe o artigo na integra.

A literatura tem demonstrado que a realização de sessões de Treinamento Resistido com Pesos (TRP) de alta intensidade aumenta a Rigidez Arterial Central (RAC). Em particular esses aumentos na RAC estão atrelados a realizar de exercícios para membros superiores, mas não a execução de exercícios para membros inferiores. Vários estudos tem demonstrado que uma sessão de TRP não produz mudanças agudas na Função Endotelial Vascular (FEV). Por outro lado, alguns estudos tem demonstrado que o TRP de alta intensidade em indivíduos sedentários pode reduzir a FEV. Por fim, ainda estudos tem demonstrado que a FEV aguda pode ser aumentada em sedentários ou atletas após a realização de uma sessão de TrP.

No estudo realizado por DeVan et al., os pesquisadores sugeriram que o efeito dos exercícios de TRP sobre as adaptações arteriais parece ser transitório, durando por volta de 1 hora após a realização da sessão. Um ponto importante a salientar, é que esses estudos tem realizado a medida entre 15 a 90 minutos após a sessões. Nesses pontos de análise os resultados podem ser influenciados pela elevação da Pressão Arterial (PA) ou por uma alta reposta vascular pico. Dessa forma, os pesquisadores desse estudo que analisei, propõem que os resultados obtidos nos estudos prévios podem ser inapropriado para avaliar o efeito agudo do TRP sobre a FEV, em virtude do momento inapropriado para avaliação dessa variável fisiológica.

Diante do descrito, no estudo que analisei e posto agora, os pesquisadores tiveram como objetivo principal examinar o efeito agudo de um exercício de TRP utilizando o método de treino excêntrico sobre a FEV e a RAC.

Quais as características dos voluntários que participaram do estudo?

A amostra do estudo foi composta por sete homens jovens, idade média de 24±1 anos. Todos os voluntários apresentavam um estilo de vida sedentário no último ano antes de iniciar o estudo. Os critérios de inclusão foram: indivíduos normotensos, eutróficos e que não deveriam apresentar nenhum sinal ou sintomas de qualquer doença crônica.

Como os pesquisadores realizaram o estudo?

Ao chegar ao laboratório os indivíduos foram orientados a permanecer na posição supina e relaxados durante 15 minutos. Assim, com o indivíduos permanecendo na posição supina os pesquisadores realizada aferição da pressão arterial braquial de repouso, frequência cardíaca, complacência da artéria carótida, e da função do endotélio braquial. Por fim, uma amostra de sangue foi obtida para determinar os fatores de risco metabólicos. Um ponto importante a salientar, é que as medidas da PAS e PAD e FC foram realizadas no braço que não foi realizado o exercício.

Após essas aferições e medidas pré exercícios, os voluntários foram submetidos a realizar o exercício.  Os pesquisadores selecionaram o braço não dominante, para minimizar os efeitos sobre as atividades diárias. Em um dinamômetro, os voluntários realizaram o exercício de flexão do cotovelo, iniciando com uma flexão de 50° e finalizando com uma extensão de 170°. Cada voluntário realizou uma série de 50 repetições excêntricas  com uma velocidade angular de 120°s. Entre cada repetição foi adotado um intervalo de 12 segundos. Quarenta e cinco minutos após o final do exercício as variáveis foram medidas e aferidas novamente.

Quais os principais resultados que os pesquisadores identificaram no estudo?

Ao analisar o comportamento das variáveis hemodinâmicas os pesquisadores notaram que não ocorreram mudanças nos valores de PAS, PAD e FC 45 minutos após o experimento em comparação ao valores de repouso.

Por outro lado, analisando a conformidade da artéria carótida houve diminuição significativa (P<0.05), e o índice de rigidez foi significativamente aumentando após o exercício excêntrico (P<0.05). Dilatação Mediada pelo fluxo (DMF) braquial foi significativamente reduzido após a realização do exercício (P<0.05). Os pesquisadores não identificaram diferença na Contrição Mediada pelo Baixo Fluxo (CMBF) braquial antes e após 45 minutos do exercício (p=0.295).

Por fim, os pesquisadores identificaram uma correlação positiva para as mudanças da conformidade arterial e mudanças em DMF com exercício excêntrico (r=0.779, p<0.05). Similarmente, uma correlação negativa foi detectada por mudanças no índice de rigidez e mudanças em DMF com exercício (r= -0.891, p<0.01).

Essa forte correlação entre a mudanças na DMF da artéria braquial e na rigidez da artéria carótida, segundo os pesquisadores do presente estudo, indicam que a diminuição da função endotelial causada pela redução da função vasodilatadora endotélio dependente, não ocorreu por uma mudança em função constritora endotélio dependente, aumentando a rigidez arterial seguindo o exercício de alta intensidade.

Outra justificativa para a ocorrência dos resultados do presente estudo é que o exercício excêntrico aumenta o estresse oxidativa sanguíneo. Isto possivelmente ocorre em virtude de um aumento da produção de radicais livres, advindo do transporte de elétrons mitocondrial, lesões por reperfusão em virtude isquemia e inflamação. Em particular, os aníons superóxido (o²) pode se normalmente dismutado pela enzima dimutase superoxide em células endoteliais, assim resultando em formação de peroxinitrito. Assim, reduzindo consideravelmente a biodisponibilidade do oxido nítrico.

Diante disso, podemos notar que o principal achado do estudo foi, uma diminuição da função vasodilatador endotélio dependente (redução da DMF) com um aumento na RAC após a exercício excêntrico de alta intensidade.

Bons estudos!!!

Laboratorista Kayus César.