Qual sistema causa maior estresse cardiovascular o super slow ou método tradicional?

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Existem inúmeros sistemas ou métodos de treinamento para que o profissional de Educação Física que atua nas salas de Treinamento Resistido com Pesos (TRP) possa aplicar em seus clientes. Entre os principais sistemas utilizadas nas academias estão o drop-set, biset, triset, pré-exaustão, repetição forçada, rest pause, pirâmide crescente, pirâmide decrescente, pirâmide truncada entre outros. Todavia, um sistema de treino que é preconizada para gerar aumento nos níveis de força e hipertrofia muscular é o Super Slow (SL). A literatura aponta que para se executar esse sistema de treinamento o indivíduo deverá realizar a fase concêntrica com 10s e a fase excêntrica com 5s. Obviamente existem algumas variações para aplicando do SL no que diz respeito a velocidade das fases.

Na literatura é possível identificar alguns estudos que visaram investigar o efeito dessa método de trino. Por exemplo, o estudo Frazier et al. (2003) apontou que o SL produziu aumento nos níveis de força e perda da gordura corporal. Já Westcott et al. (2001) observou que o método SL produziu ganhos de força maiores do que os produzidos pelo método de Treinamento Tradicional (MT). Entretanto, contrariamente aos resultados dos estudos citado acima, Keeler et al (2001) e Propper et al. (2000), reportou que o sistema de MT, isto é aquele aonde não se realiza nenhum controle da velocidade de execução, mostrou ganhos de força superiores do que o método SL.

Para identificar se um método ou sistema de treinamento pode ser aplicado, além de analisar sua eficiência é necessário identificar se o mesmo é seguro. Para isso, é interessante realizar estudos que venham a analisar o estresse cardiovascular comportamento agudo da Frequência Cardíaca (FC), Pressão Arterial Sistólica (PAS), Pressão Arterial Diastólica (PAD) e Duplo Produto (DP), durante a aplicação de um sistema. Como no método SL, o indivíduo produzirá um elevado tempo de tensão muscular, devido as baixas velocidades de execuções das fases concêntricas e excêntricas, tem-se como hipótese que o indivíduo produza elevados estresse cardiovascular. Essa hipótese é levantada em virtude que a resposta cardíaca durante a realização de sessões de TRP está vinculada ao tempo de tensão muscular gerado durante as séries de exercícios.

Com isso o estudo que posto agora, os pesquisadores tiveram como objetivo identificar o comportamento da FC, PAS, PAD, DP e Percepção Subjetiva Esforço (PSE) durante a realização de uma sessão de SL e MT.

Quais as característica dos indivíduos que fizeram parte da amostra?

Os pesquisadores selecionaram 20 indivíduos, sendo 11 homens e nove mulheres. A média de idade do grupo foi de 24±3.47 anos. Os valores de repouso da PAS foi de 115±10.04 mmHg, da PAD foi de 73±8.75 mmHg e da FC foi de 70±10 bpm.

Como os pesquisadores conduziram o experimento?

Os indivíduos compareceram ao laboratório em três ocasiões, ao longo de oito dias e com dois dias de intervalo entre cada sessão. Na primeira sessão os pesquisadores mensuraram a estatura, massa corporal, composição corporal (via bioimpedância), aferirão os valores pressóricos de repouso (PAS +PAD) e FC de repouso. Essas variáveis cardiovasculares foram aferidas após cinco minutos de um período de repouso sentado.

Após o registro desses dados citados acima, os indivíduos foram submetidos ao teste de 1RM nos exercícios Extensor de Joelho (EJ) e Flexão de Cotovelo (FC), e por fim, após determinar os valores de 1RM os indivíduos foram submetidos a uma sessão de familiarização com o método SL.

Como foi aplicada a sessão SL?

            Ao chegar ao laboratório, foram aferidas os valores de repouso pressóricos e da FC. Após os indivíduos realizaram três series de cada exercício com três a cinco minutos de intervalo entre cada série. Já o intervalo entre os exercícios foi entre cinco a oito minutos. Durante o método SL, indivíduos realizaram as sereis até a falha momentânea concêntrica com uma quilagem que representava os seu valor de 40% de 1RM. Nesse método a fase concêntrica do exercício deveria ser executada em 10s e a fase excêntrica em 5s. Por fim, não foram permitidas pausa entre as fases do movimento.

Como foi realizada a sessão de MT?

A sessão de MT foi administrada com a mesma técnica e amplitude de movimento para os exercícios, entretanto, nesta sessão os indivíduos realizaram a fase concêntrica com 2s e fase excêntrica com 4s, não sendo permitia pausas entre cada repetição. A quilagem imposta representada 65% da 1RM dos indivíduos.

Como foram realizadas as aferições da variáveis cardíacas no protocolo experimental?

Em ambas as sessões para os diferentes métodos os pesquisadores aferiram a FC Pico, por série. Isto é foram registrados ao maiores valores obtidos logo após a primeira (FP1), segunda (FP2) e terceira série (FP3). Já para os valores de FC de recuperação foram registrados o valor mais baixo durante os intervalos entre as séries. Por sua vez os valores pressóricos (PAS+PAD) foram registrados imediatamente após os indivíduos completaram cada séries (PAS 1, PAD 1; PAS 2, PAD2; PAS3, PAD3), e um minuto antes de começar a séries seguinte (PASI 2, PADI 2; PAS 3, PAD3). Por fim, foi feito um registro dois muitos após o indivíduo completar cada exercício (PAS2; PAD2).

Quais os resultados identificados pelos pesquisadores?

Analisando a variável cardiovascular de PAS os pesquisadores identificam através da ANOVA que não houve diferença significativa entre o método treino SL e MT para EJ e CF. Também, não foi observada diferença entre SL e MT para PAD para EJ e CF. Porém, os valores de PAS foi significativamente maior durante o EJ quando comparado aos valores obtidos na CF. Diferença significativas foram identificadas entre a EJ e CF em PASI2 (CF= 115±16; EJ= 134±18 mmHg) e PAS2 (CF= 117±15; EJ= 136±21 mmHg). Já durante o método MT, houve diferença significativa entre CF e EJ ocorrendo em PASI 3 (CF= 114 ±13 vs EJ= 130±21 mmHg) PAS 3 (CF= 112±17 vs EJ= 130±15 mmHg) e PAS 2 (CF= 115±14 vs EJ= 127±17 mmHg).

Analisando agora o comportamento da PAD os pesquisadores também não observaram diferença entre CF e EJ entre os métodos de treino. Contudo, este trabalho notou que a PAD para EJ ainda permaneceu consistentemente superior do que a PAD no CF durante o método SL e MT.

Qual foi o comportamento da variável FC?

Foi identificado que o exercício de CF produziu um aumentos superiores da FC durante MT vs SL em FCP 1 (SL = 131±18, MT= 144±19 bpm). EJ produziu um aumento significativamente superior durante a MT vs SL em FCP 1 (SL= 126±23 vs MT= 139 ±17) e FCP 2 ( SL = 133±24 vs MT= 145±17 bpm).

Os pesquisadores vincularam esses maiores valores de FC para uma maior quilagem imposta quando realizou-se o protocolo MT. Isto é, uma quilagem maior parece reproduzir um papel no aumento da FC. Outra hipótese levantada pelos pesquisadores para explicar o comportamento da variável cardiovascular FC foi o maior número de repetições por série realizados no método MT.

Qual foi o comportamento do DP?

O DP é um indicativo da demanda metabólica do coração durante a realização de um exercício. Assim, os fatores que aumento a FC e PAS, podem aumentar indiretamente a demanda do coração. No estudo, os pesquisadores identificaram que o exercício CF provocou uma menor PAS do que os valores de repouso. Já o exercício de EJ provocou sempre uma valor de PAS maior do que os valores de repouso durante ambos os métodos/protocolos. Em virtude dos maiores valores de FC e PAS durante a MT do que SL, DP pode ser superiores durante a realização do EJ durante o MT, causando assim uma demanda metabólica superior sobre o coração. Contrariamente, porque a PAS foi significativamente menor durante o CF quando comparado com EJ, a DP pode ser menor, resultando em uma menor demanda de oxigênio para o miocárdio.

Quais foram os resultados da PSE do estudo?

Os pesquisadores identificaram que os valores de PSE foram sempre estatisticamente superiores para o protocolo de MT. A justificativa para esse comportamento é em virtude da dor ter causado aumentos da liberação de noradrenalina. Por sua vez, o aumento na demanda causa um aumento na reposta cardiovascular, isto é maiores valores de FC. Os pesquisadores especulam que como a método MT trouxe maiores valores de FC, isto poderia estar intimamente atrelada a um valor superior de PSE ou maior reposta de dor.

Outra hipótese para os valores de PSE está vinculada a um maior volume total de treino para o protocolo MT. Diante disso, os pesquisadores propõem que o TTM diante a realização das séries para ser um fator principal para contribuir ao aumento da PSE durante o TM. Porém um fator principal que parece influenciar a PSE é a quilagem imposta no exercício. Pois a literatura apresenta que maiores quilagens parece estar intimamente relacionada a maiores valores de PSE. Por fim, os pesquisadores mencionam que muitos fatores podem contribui para o aumento da PSE, porém, é difícil conseguir disseminar qual deles é o principal responsável pela PSE.

Quais as conclusões e aplicações praticas do presente estudo?

Com os resultados citados acima do presente estudo, quando os profissionais de Educação Física aplicarem em seu cliente nas academias os métodos de MT e SL os mesmos (profissionais de Educação Física) deverão esperar maiores valores de FC, PAS, DP e PSE quando aplica-se o método MT. Principalmente quando exercício para grandes grupos musculares são realizados. Provavelmente, esse comportamento parece ocorrer em virtude um maior número de repetições, maior quilagem possível de ser imposta durante aplicação do método de MT.

Seguidores, baixem o estudo e realizem a suas análises.

Bom estudos.

Laboratorista Kayus César.