Séries descontínuas produzem um menor estresse cardiovascular quando comparado a séries contínuas.

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O processo de envelhecimento acarretará no indivíduo queda progressiva nos níveis de força, massa, e potência muscular, consequentemente produzindo queda na habilidade funcional. A literatura apresenta que esses processos estão intimamente relacionados a dois fatores sendo eles: atrofia do tecido muscular e redução a aérea de seção transversal dos músculos. As fibras do tipo II, segundos estudos parecem ser as mais afetadas pelo envelhecimento do que as fibras do tipo I, comportamento que conduzirá a uma diminuição na habilidade para desenvolvimento de potência muscular do indivíduos.

Entretanto, o tecido muscular quando treinado parece manter a sua capacidade preservada. Para reduzir o efeito do envelhecimento a pratica de exercícios físicos regulares vem sendo orientada. Diante disso, o Treinamento Resistido com Pesos (TRP) ou musculação é recomendada como uma estratégia segura e eficiente para melhorar os níveis de massa muscular, força muscular, potência muscular e na manutenção das habilidades de realização de tarefas funcionais.

Durante a realização de sessões de TRP/musculação, várias mudanças agudas ocorrem no sistema cardiovascular, entre elas estão: aumento da Frequência Cardíaca (FC) Pressão Arterial (PA) e Duplo Produto (DP). A intensidade e magnitude dessas mudanças estão intimamente atreladas a vários fatores, incluindo a massa muscular ativa, quilagens impostas nos exercícios, intervalos de descanso entre séries e exercícios, amplitude de movimento, número de repetições, número de séries e tipo de contração muscular.

Diante disso, estudo que posto agora para vocês seguidores e que foi liderado pelo pesquisador Rodrigo P. da Silva, teve como principal objetivo avaliar o efeito de um protocolo de TRP com séries realizadas de forma continua, com intervalo de cinco segundos ou de 15 segundos entre a quinta e sexta repetição sobre as respostas cardiovascular de mulheres idosas.

Qual foi a amostra que compôs o estudo?

Foram selecionadas 12 mulheres idosas aparentemente saudáveis com idade entre 60 a 70 anos (média de 62.6±2,9 anos). Todas as voluntárias não apresentavam experiência com o TRP. Os critérios de inclusão foram: não apresentar condições ortopédicas ou neurológicas que poderia limitar a realização do exercícios, doenças cardiovascular ou sistêmica, e ingestão de medicamentos que poderia interferir na repostas cardiovascular aguda do exercício.

treino_em_foco_análise_de_artigos_séries_descontínuasComo os pesquisadores realizaram o estudo?

Ao chegarem ao laboratório os pesquisadores aferiram os valores de repouso do FC e PAS. Para isso os indivíduos permanecerem por 20 minutos sentados e quietos. Durante o exercício a FC foi constantemente monitorada e o valor mais alto obtido no fim do exercício foi usado na análise. Já PAS foi aferida imediatamente após o fim de cada séries de exercício.

            Antes de iniciar os protocolos os indivíduos realizaram um aquecimento sobre uma bicicleta estacionária por 10 minutos, seguido por uma série de 10 repetições com 50% da quilagem de 10RMs. Durante o protocolo continuo (PC) os indivíduos realizaram as 10 repetições sem nenhum intervalo entre as mesmas. No protocolo descontinuo com pause de cinco segundos (PD5) os indivíduos realizaram uma pausa de cinco segundos entre a quinta e sexta repetição. E por fim, o protocolo descontínuo de 15 segundos (PD15) consistia em um intervalo de 15s entre a quinta e sexta repetição. Durante as pausas nos protocolos descontínuos a quilagem foi revolvida. Todos os protocolos foram realizados com quilagens obtidas durante o teste de 10RMs. Os indivíduos foram instruídos a realizar a fase concêntrica do movimento (adução transversal do ombro, extensão dos cotovelos) na maior velocidade possível, já a fase excêntrica (abdução transversal dos ombros e flexão dos cotovelos) foi realizada com uma velocidade entre dois a três segundos.

Os indivíduos realizaram os três protocolos de treinamento em ordem contrabalanceada, ou seja, alguns indivíduos começavam os testes realizando o protocolo contínuo, outro realizando o protocolos descontínuo de cinco ou 15 segundos de intervalo entre a quinta e sexta repetição do total de 10 RMs.

treino_em_foco_análise_de_artigos_musculação_séreis_continuas_descontinuasQuais foram os resultados identificados pelos pesquisadores?

Analisando o comportamento agudo da FC os pesquisadores identificaram dentro da análise dos protocolos que essa variável foi significativamente menor na linha de base (repouso), quando comparado aos valores obtidos na primeira, segunda e terceira série (p<0.05). Já durante o protocolo PC a FC foi superior na segunda e terceira séries em comparação com a primeira série (p=0.05). Além disso, após a segunda e terceira série, a FC foi superior durante a PC do que nos protocolos PD5 e PD15 (p<0.05).

Por sua vez o comportamento agudo da variável PAS quando analisando dentro dos grupos para todos os protocolos revelou que foi menor na linha de base do que após a primeira, segunda e terceira séries. Além disso, foi menor após a primeira série em comparação com a segunda e terceira (p<0.05). Entretanto, não foi identificada diferença significativa na PAS entre os grupos (p>0.05).

Por fim, analisando o comportamento do DP foi identificado que em todos os protocolos, a DP foi menor em linha de base do que após a primeira, segunda e terceira séries (p<0.05). Ainda o DP foi menor na primeira série em comparação a segunda e terceira série (p<0.05). Na segunda e terceira série, O DP foi superior para o PC em comparação aos valores alcançados no protocolos PD5 e PD15.

Qual a aplicação prática dos resultados do presente estudo?

Potencialmente os menores valores de FC e DP durante a realização dos protocolos com pausa entre as repetições pode estar vinculada a uma redução da oclusão vascular. Com isso, pode ter ocorrido uma diminuam do acúmulo de metabolitos e assim, produzindo uma menor estimulação dos receptores químicos.

Ou seja, diante dos resultados parece que o protocolos de TRP com realização de séries descontinuas parece produzir uma menor demanda cardiovascular do que protocolo continuo em mulheres idosas. Pode-se visualizar uma redução de 7.2% em DP para PD5 quando comparado a PC no final da terceira séries. Já a PAS, teve uma redução de ~5 mmHg e ~3mmHg para a segunda e terceira séries, respectivamente. Todavia, não foi identificou-se diferença entre a PD5 e PD 15 sobre o valor de DP. Assim, aplicar uma pausa de cinco segundos parece ser uma ótima estratégia para reduzir o estresse cardiovascular durante um protocolo de TRP de alta velocidade em mulheres idosas.

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Bons estudos!!!

Laboratorista Kayus César.